O antigo modelo de varejo que nunca desapareceu de verdade

Comprar um carro novo nos Estados Unidos continua sendo um processo marcadamente trabalhoso em uma era em que os consumidores podem comprar quase tudo o mais online. De acordo com o relatório fornecido, essa fricção não é acidental. Ela está incorporada em um sistema de concessionárias que depende de negociação, papelada complexa e isolamento jurídico contra a concorrência direta.

O argumento central da matéria é direto, mas os fatos que o sustentam são claros o bastante por si só. As concessionárias dos EUA, em geral, não pertencem às montadoras. Elas são controladas por grupos de concessionárias, e o setor se tornou cada vez mais concentrado.

O relatório afirma que os quatro maiores grupos de concessionárias, Lithia Motors, AutoNation, Penske Automotive Group e Group 1 Automotive, respondem por cerca de 2,3 milhões de vendas de veículos novos e 1,05 milhão de vendas de veículos usados por ano.

Por que os compradores ainda não podem simplesmente encomendar a maioria dos carros online

Uma das alegações mais importantes do texto é que, fora um pequeno número de empresas focadas apenas em EVs, como Tesla, Lucid e Rivian, os consumidores geralmente não podem comprar um carro diretamente online porque isso é ilegal. Essa estrutura legal preserva o papel das concessionárias franqueadas, mesmo com o comércio digital transformando outras categorias.

O resultado é um mercado em que a conveniência não surge naturalmente da tecnologia. Ela é limitada por regulação e por um modelo de varejo arraigado que se beneficia de permanecer indispensável.

As concessionárias também não precisam ganhar todo o dinheiro no preço do carro em si. A fonte observa que os ganhos podem ser extraídos no pós-venda, uma referência ao financiamento, aos itens adicionais e a outros componentes do negócio que muitas vezes moldam o custo total mais do que o preço de etiqueta.

A consolidação muda a política, não a experiência

O sistema de concessionárias costuma ser descrito como local, mas o artigo argumenta que a realidade mudou. Muitas lojas agora fazem parte de grandes redes nacionais, em vez de pequenas operações familiares. Isso significa que uma instituição antes defendida como enraizada na comunidade está se tornando cada vez mais corporativa em estrutura, ao mesmo tempo em que continua se beneficiando de leis que limitam a concorrência direta.

Para os consumidores, a consolidação não simplificou a transação. O processo de negociação de horas, a papelada deliberadamente confusa e a precificação opaca descritos na fonte continuam sendo reclamações familiares. Grandes grupos de propriedade podem padronizar práticas, mas isso não significa necessariamente padronizar justiça ou transparência.

Um sistema sob pressão, mas ainda intacto

O contraste crescente entre a compra de carros e outras experiências de varejo online está tornando o modelo de concessionárias mais difícil de defender com base no consumidor. Ainda assim, as proteções legais permanecem fortes, e a maioria das montadoras continua operando dentro da estrutura de franquias.

Essa tensão explica por que o sistema é tão frequentemente criticado, mas tão raramente transformado. Ele fica na interseção entre a legislação estadual, interesses empresariais arraigados e uma compra de consumo de valor excepcionalmente alto, na qual os compradores têm alternativas limitadas.

A conclusão não é que toda concessionária seja abusiva, nem que as vendas diretas resolveriam todos os problemas. É que o modelo americano atual continua impondo custos de transação que muitos outros setores já eliminaram. Enquanto a lei mantiver a maioria dos compradores dentro desse modelo, a insatisfação permanecerá uma característica estrutural, e não uma queixa ocasional.

Este artigo é baseado em uma reportagem do Jalopnik. Leia o artigo original.

Originally published on jalopnik.com