Idosos que dependem de equipamentos médicos movidos a eletricidade podem enfrentar riscos à saúde que se estendem muito além das horas imediatamente posteriores a um furacão, segundo uma nova pesquisa que examinou duas tempestades na Carolina do Norte.
O estudo, publicado no Journal of the American Geriatrics Society, avaliou hospitalizações e mortes entre beneficiários do Medicare com 65 anos ou mais que usavam equipamentos médicos dependentes de eletricidade. Esse grupo inclui pessoas que usam dispositivos como ventiladores, respiradores e máquinas de diálise.
Olhando além do impacto imediato da tempestade
Os pesquisadores avaliaram os efeitos dos furacões Matthew, em 2016, e Florence, em 2018. Em vez de limitar a análise aos dias imediatamente próximos à chegada dos furacões, acompanharam os resultados ao longo do ano seguinte.
Usando declarações presidenciais de desastre da Agência Federal de Gestão de Emergências em nível de condado, os pesquisadores não observaram mudanças imediatas significativas após nenhuma das duas tempestades. Mas a perspectiva mais longa contou uma história mais preocupante: a análise encontrou aumentos sustentados nas hospitalizações e mortes durante o ano após o furacão Matthew.
Essa distinção é importante para o planejamento de desastres. A fase visível de emergência de uma tempestade pode terminar quando as águas das enchentes recuam e a energia é restabelecida em muitas áreas, mas as consequências para a saúde de moradores clinicamente vulneráveis podem surgir mais tarde. O estudo não estabelece uma causa única para esses resultados, mas identifica uma associação que planejadores de emergência e sistemas de saúde precisarão considerar.
Mapas de inundação produziram sinais mais fortes
A equipe também examinou a exposição usando o North Carolina Flood Extent Archive, uma medida de inundação de maior resolução. Essas análises mostraram associações mais fortes e consistentes entre a exposição a furacões e hospitalizações e mortes do que as declarações de desastre em nível de condado.
Esse resultado aponta para uma limitação prática de fronteiras administrativas amplas. Um condado pode ser incluído em uma declaração de desastre embora as inundações e as interrupções de infraestrutura sejam muito desiguais dentro dele. Por outro lado, as necessidades das pessoas que vivem nas áreas mais gravemente inundadas podem ficar ocultas quando a exposição é medida apenas no nível de todo o condado.
Para os pesquisadores, a descoberta reforça o valor de dados de risco mais precisos ao estudar efeitos sobre a saúde. Para órgãos públicos, sugere que o apoio à evacuação, as prioridades de restauração de energia e os serviços de acompanhamento podem ser mais eficazes quando orientados pelas condições locais de inundação, e não apenas por designações amplas de desastre.
Resultados desiguais à medida que as inundações se intensificam
O estudo também constatou que pessoas negras tiveram resultados piores no curto e no longo prazo à medida que a gravidade das inundações aumentou. A fonte não identifica uma explicação única para essa disparidade, mas o resultado reforça que uma resposta de emergência uniforme pode não produzir proteção uniforme.
Pessoas que dependem de equipamentos elétricos podem enfrentar várias vulnerabilidades sobrepostas durante um desastre: interrupção do fornecimento de energia, acesso interrompido aos cuidados, barreiras de transporte e dificuldade para obter suprimentos de reposição ou apoio clínico. A pesquisa se concentrou nos resultados, sem atribuir cada caminho individual, mas suas conclusões deixam claro que esses riscos devem ser tratados como parte da preparação em saúde, e não apenas como um problema de eletricidade.
Planejar para um ano, não para um dia
A autora sênior Jennifer L. Lund, da Gillings School of Global Public Health da University of North Carolina, disse que a pesquisa foi moldada pelo trabalho com comunidades afetadas e conecta dados sobre riscos de furacões a dados de utilização de serviços de saúde na Carolina do Norte.
Segundo Lund, o estudo estabelece as bases para examinar de forma mais ampla como furacões e inundações afetam populações clinicamente vulneráveis. Também cria uma base de evidências para o trabalho com organizações comunitárias e órgãos locais e estaduais em preparação e planejamento.
A lição central é que a resiliência precisa incluir a continuidade dos cuidados. Os planos de emergência geralmente enfatizam alertas, abrigos e resposta inicial. Esta pesquisa indica que pessoas dependentes de dispositivos médicos podem precisar de apoio que continue após o período agudo do desastre, especialmente em locais onde as inundações foram mais severas.
À medida que riscos relacionados ao clima e interrupções de energia continuam sendo uma preocupação de saúde pública, identificar moradores que usam equipamentos dependentes de eletricidade e conectá-los aos sistemas locais de preparação pode se tornar cada vez mais importante. As conclusões da Carolina do Norte não prescrevem uma política específica, mas tornam mais clara a questão enfrentada pelos planejadores: como a resposta a desastres pode proteger pessoas clinicamente vulneráveis durante a longa recuperação que se segue a uma tempestade?
Este artigo é baseado em uma reportagem da Medical Xpress. Leia o artigo original.
Originally published on medicalxpress.com







