Duas moléculas naturais podem ajudar a desacelerar o crescimento do câncer de pâncreas
Pesquisadores da Texas A&M University informam que dois microRNAs naturais, miR-15a e miR-16, podem ajudar a conter o crescimento de células de adenocarcinoma ductal pancreático ao reduzir a síntese de proteínas. Os resultados apontam para uma possível direção terapêutica para uma doença na qual as células cancerosas são altamente eficazes em crescer e se dividir.
O trabalho, publicado em Physiological Reports, examinou como essas duas pequenas moléculas de RNA afetam as células do câncer de pâncreas. Os pesquisadores descobriram que aumentar os níveis de miR-15a e miR-16 reduziu a produção de proteínas e desacelerou o crescimento celular. Eles também relataram que pacientes cujos tumores apresentavam níveis mais altos dos microRNAs tendiam a viver mais, uma associação que apoia novas pesquisas sobre seu papel biológico e potencial terapêutico.
Como os microRNAs atuam como reguladores celulares
MicroRNAs são pequenas cadeias de material genético que influenciam quais proteínas uma célula produz. Eles não carregam, por si só, instruções para produzir proteínas. Em vez disso, podem se ligar a mensagens genéticas e impedir que sejam traduzidas em proteínas.
Isso torna os microRNAs reguladores importantes da atividade celular. As células cancerosas precisam manter processos como a síntese de proteínas para proliferar. Se esses processos forem interrompidos, o ritmo de crescimento celular pode diminuir.
No estudo da Texas A&M, os pesquisadores encontraram níveis reduzidos de miR-15a e miR-16 no câncer de pâncreas. Elevar seus níveis em células de adenocarcinoma ductal pancreático reduziu a síntese de proteínas, segundo os pesquisadores. O resultado sugere que essas moléculas podem fazer parte de um mecanismo natural de freio enfraquecido pela doença.
O que o estudo mostra e o que não mostra
Os resultados são uma linha de pesquisa, não um novo tratamento clínico. O resumo fornecido descreve resultados em células de câncer de pâncreas e uma relação observada entre os níveis de microRNA no tumor e a sobrevivência dos pacientes. Ele não demonstra que aumentar miR-15a ou miR-16 melhorará os resultados clínicos.

Ainda assim, o trabalho identifica um mecanismo plausível que merece investigação. Tratamentos que restaurem ou imitem a atividade dos microRNAs poderiam, em princípio, interferir na capacidade de uma célula cancerosa de manter a produção de proteínas necessária ao crescimento rápido. Pesquisas futuras precisarão determinar como administrar essas moléculas com segurança, se elas podem agir seletivamente nos tumores e como se comportam em modelos mais complexos da doença e em estudos clínicos.
Por que o adenocarcinoma ductal pancreático é o foco
O adenocarcinoma ductal pancreático, ou PDAC, é a forma de câncer de pâncreas estudada pela equipe. Os pesquisadores se concentraram em uma característica central da biologia do câncer: a proliferação contínua. Ao relacionar miR-15a e miR-16 à maquinaria de síntese de proteínas, o estudo direciona a atenção para um processo do qual as células cancerosas dependem diretamente.
A observação sobre a sobrevivência acrescenta contexto clínico ao achado de laboratório. Níveis mais altos dos dois microRNAs nos tumores foram associados a uma sobrevivência mais longa nos dados de pacientes descritos no relatório. A associação, por si só, não prova causa e efeito, mas fortalece o caso para investigar se as moléculas podem ser desenvolvidas como biomarcadores, alvos terapêuticos ou ambos.
Um passo em direção a novas estratégias de tratamento
A pesquisa sobre câncer de pâncreas costuma buscar vulnerabilidades capazes de desacelerar o crescimento tumoral sem causar danos inaceitáveis ao tecido saudável. Moléculas já presentes no organismo são pontos de partida especialmente interessantes porque fazem parte dos sistemas que normalmente regulam a expressão gênica.
Os resultados da Texas A&M sugerem que miR-15a e miR-16 merecem mais estudos como possíveis ferramentas para pressionar o programa de crescimento das células cancerosas do pâncreas. Os próximos passos serão testar a duração do efeito, entender quais mensagens genéticas são mais importantes e determinar se restaurar esses microRNAs pode ser traduzido em uma abordagem terapêutica segura.
Por enquanto, o estudo oferece uma visão mais clara de dois reguladores moleculares naturais que parecem estar reduzidos no câncer de pâncreas e que, quando aumentados nas células cancerosas, podem reduzir a síntese de proteínas e desacelerar o crescimento.
Este artigo baseia-se em uma reportagem da Medical Xpress. Leia o artigo original.
Originally published on medicalxpress.com







