Descoberta de DNA Antigo da Peste em Dentes Siberianos

Em um estudo inovador publicado na revista Nature, pesquisadores identificaram a evidência mais antiga conhecida da peste, datando de aproximadamente 5.500 anos atrás. Esta descoberta retrocede a linha do tempo da doença em cerca de 200 anos, oferecendo novos insights sobre as origens pré-históricas de um dos patógenos mais mortais da história. A equipe, liderada pelo geneticista evolucionário Eske Willerslev da Universidade de Copenhague, analisou dentes de 18 caçadores-coletores antigos enterrados em quatro cemitérios perto do Lago Baikal, na Sibéria. Extraindo e sequenciando DNA da polpa dentária, eles encontraram vestígios de Yersinia pestis, a bactéria responsável pela peste.

Implicações para a Compreensão da Evolução da Peste

As descobertas revelam que a peste pré-histórica se desenvolveu em estágios e infectou vários pequenos grupos familiares. A datação por carbono dos ossos indica dois surtos distintos, com os casos mais antigos ocorrendo há cerca de 5.500 anos. Isso antecede evidências anteriores em dois séculos e sugere que a peste estava presente em populações humanas muito antes do que se pensava. O estudo destaca como a doença evoluiu de uma forma menos virulenta para a cepa altamente contagiosa que mais tarde causou a Peste Negra na Europa do século XIV, que dizimou uma parte significativa da população.

Dentes antigos da Sibéria reescrevem a linha do tempo da peste, datando de mais de 5.500 anos atrás
Esta imagem de 2006 de Angela Lieverse mostra o crânio de uma menina que foi enterrada com vítimas da peste na Sibéria. Crédito: Angela Lieverse via AP

Transmissão e Impacto em Comunidades Antigas

A equipe de pesquisa, incluindo o coautor Ruairidh Macleod da Universidade de Oxford, descobriu que a peste provavelmente se espalhou de marmotas—grandes roedores nativos—para humanos quando as pessoas consumiam órgãos crus ou manuseavam peles infectadas durante o abate. Além disso, a doença podia ser transmitida entre indivíduos através de tosse e espirros, indicando que a transmissão respiratória já era possível em tempos pré-históricos. Muitas das vítimas eram crianças pequenas de 8 a 11 anos, possivelmente devido aos seus sistemas imunológicos mais fracos. Notavelmente, três meninas foram enterradas lado a lado, duas das quais eram provavelmente primas, e uma tia e um sobrinho foram encontrados juntos, embora sua sobrinha estivesse em uma sepultura compartilhada separada. Esse arranjo de sepultamento sugere que as comunidades cuidavam de seus mortos e mantinham laços sociais mesmo diante de surtos devastadores.

Dentes antigos da Sibéria reescrevem a linha do tempo da peste, datando de mais de 5.500 anos atrás
Esta imagem de 2019 de Angela Lieverse mostra o crânio de uma mulher adulta que foi infectada com a peste e enterrada na Sibéria. Crédito: Angela Lieverse via AP

Significado Mais Amplo para a História Humana

Compreender a história da peste é crucial para entender a história humana, de acordo com Willerslev. A doença aflige a humanidade há milênios e continua existindo hoje, embora agora seja tratável com antibióticos. Esta evidência de DNA antigo fornece uma janela para como os patógenos co-evoluíram com as sociedades humanas e como as populações antigas responderam a doenças infecciosas. O estudo ressalta a importância da pesquisa interdisciplinar, combinando arqueologia, genética e antropologia para reconstruir eventos passados. Como observou Macleod, o elemento humano do trabalho científico—saber que as pessoas enterravam seus mortos com cuidado—adiciona uma dimensão comovente às descobertas.

Direções Futuras de Pesquisa

Esta descoberta abre novos caminhos para investigar a propagação de doenças antigas e seu impacto na migração humana e nos padrões de assentamento. Ao examinar mais restos antigos, os cientistas esperam traçar a jornada da peste através dos continentes e entender como ela se adaptou a diferentes ambientes. A pesquisa também destaca o potencial do DNA antigo para revelar aspectos ocultos do nosso passado, desde a evolução de patógenos até as estruturas sociais de comunidades pré-históricas. À medida que a tecnologia avança, estudos adicionais podem descobrir evidências ainda mais antigas da peste, potencialmente reescrevendo a linha do tempo das interações humano-patógeno mais uma vez.

Este artigo é baseado em reportagem da Phys.org. Leia o artigo original.

Originally published on phys.org