Os buracos negros podem ter uma vida pós-morte mais estranha do que o esperado
Os buracos negros costumam ser tratados como os objetos definitivos de mão única: a matéria cruza o horizonte de eventos e nunca mais retorna. Essa imagem vem da relatividade geral, que descreve os buracos negros como elementos clássicos e permanentes do espaço-tempo. Mas a física quântica há muito complica essa história. A radiação de Hawking implica que os buracos negros podem perder massa lentamente e, por fim, evaporar.
Um estudo teórico recente discutido pelo Universe Today leva essa história quântica um passo adiante. O trabalho examina a vida mínima de um buraco negro usando pressupostos que permanecem semiclassicos longe do horizonte de eventos, ao mesmo tempo que permitem um comportamento quântico mais complexo perto dele. O resultado é um novo limite inferior para a vida útil de um buraco negro e a sugestão de que, no fim de sua existência, ele pode entrar em um estágio metaestável em que se comporta de maneira semelhante a um buraco branco.
Por que a imagem original de Hawking é incompleta
O cálculo original de Stephen Hawking mostrou que buracos negros irradiam e, portanto, não vivem para sempre. Em termos bem gerais, os efeitos quânticos permitem que partículas escapem, fazendo o buraco negro perder massa. Buracos negros menores irradiam mais rápido, então o processo de evaporação se acelera com o tempo.
Mas o resultado de Hawking é semiclassico. Ele pressupõe que a correção quântica seja pequena o suficiente para que o espaço-tempo clássico continue fornecendo o pano de fundo dominante. Essa suposição fica mais questionável à medida que a massa do buraco negro se torna muito pequena. Para buracos negros astrofísicos comuns, isso não representa um grande problema prático, porque suas vidas são absurdamente longas. Para os buracos negros primordiais, no entanto, a questão se torna mais relevante, porque suas massas podem ser muito menores e suas vidas importam para perguntas mais amplas em cosmologia.



