Um registro mais longo da vida em White Sands

Pegadas humanas preservadas no White Sands National Park já haviam transformado o debate sobre os primeiros povos das Américas. A nova pesquisa reconstrói também o ambiente vivido por pessoas que atravessaram as margens do antigo Lake Otero durante o auge da última era do gelo.

As escavações identificaram 20 horizontes sedimentares com pegadas humanas. Juntos, eles cobrem cerca de 1.800 anos, de aproximadamente 23.500 a 21.700 anos atrás, durante o último máximo glacial, a fase mais fria da última era do gelo.

A equipe combinou pólen e moléculas orgânicas, incluindo ceras produzidas por folhas, para reconstruir o ambiente. No início, o Lake Otero cobria grande parte da bacia, havia florestas de coníferas nas montanhas e a temperatura média anual era estimada em cerca de 4 °C abaixo da atual.

As condições, porém, mudaram rapidamente. O registro sedimentar aponta para uma paisagem dinâmica, visitada ou atravessada por pessoas durante muitas gerações.

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Discussões sobre os primeiros assentamentos costumam se concentrar em rotas, datas e evidências físicas. White Sands preserva pegadas diretamente associadas às pessoas e um registro ambiental prolongado, permitindo avaliar os desafios de viver em uma paisagem em transformação.

Footprints found at White Sands, New Mexico, were dated to the height of the last ice age.
Pegadas encontradas em White Sands, Novo México, datam do auge da última era do gelo. Crédito: National Park Service

Os horizontes repetidos sugerem que a bacia permaneceu importante por um longo intervalo. O estudo não reconstrói toda a vida cotidiana, mas situa melhor as pegadas: pessoas circulavam às margens de um grande lago em condições mais frias que as atuais e com rápida variabilidade climática.

Early humans in America endured climate chaos – new research
Reconstrução da vida em White Sands no auge da última era do gelo. Crédito: Davide Bonadonna, Bournemouth University

O local também preserva uma combinação rara de vestígios humanos e indicadores ambientais na mesma sequência de depósitos, permitindo comparar mudanças da paisagem com evidências repetidas de atividade humana.

Um registro ainda em aprimoramento

As conclusões se baseiam em escavações ampliadas e múltiplos tipos de evidência. Os pesquisadores descrevem o trabalho como publicado em Science Advances e Fossil Studies, com a reconstrução ambiental baseada em sinais de pólen e moléculas preservadas nos sedimentos.

O registro atual não sugere uma única visita breve. Vinte horizontes de pegadas distribuídos por quase dois milênios indicam presença humana mais duradoura. Novas pesquisas poderão esclarecer como populações da era do gelo responderam a uma paisagem mais fria, em alguns aspectos mais úmida e menos estável que o deserto moderno do sul do Novo México.

Este artigo baseia-se em reportagem da Phys.org. Leia o artigo original.

Originally published on phys.org