Thwaites está se aproximando de outro limiar perigoso

A plataforma de gelo oriental ligada à geleira Thwaites, na Antártida, provavelmente vai se desintegrar em 2026, segundo pesquisadores citados em novas reportagens sobre a condição da geleira, que muda rapidamente. O alerta não significa que toda a geleira vá colapsar neste ano, mas aponta para a provável perda de um importante elemento estabilizador que tem ajudado a conter o fluxo do gelo continental em direção ao oceano.

Thwaites costuma ser chamada de geleira do Juízo Final por causa da escala da elevação do nível do mar associada ao seu colapso eventual. A geleira em si fica sobre terra firme, enquanto a plataforma de gelo oriental é uma extensão flutuante presa à sua frente voltada para o mar. Essa plataforma funciona como um contraforte. Ela não impede o derretimento nem elimina a instabilidade, mas desacelera o movimento da geleira em direção ao mar atrás dela. Quando esse apoio enfraquece ou desaparece, o gelo continental pode se mover mais rapidamente.

Pesquisadores que monitoram o sistema dizem que observações de satélite mostram que a plataforma está prestes a se desprender. Robert Larter, do British Antarctic Survey, disse que a última parte restante da plataforma de gelo à frente da geleira tem grande probabilidade de se desintegrar em 2026. A mecânica exata da ruptura ainda é incerta, mas a direção do processo não é.

Por que a plataforma importa

As plataformas de gelo são fáceis de interpretar mal porque já flutuam. Sua perda, por si só, não adiciona um grande volume novo ao nível do mar, como faz o gelo sobre terra. Sua importância está no que elas seguram. No caso de Thwaites, a plataforma oriental ajuda a regular a descarga da enorme geleira atrás dela.

Isso torna a ruptura iminente significativa, mesmo que o colapso total da geleira se desenrole em escalas de tempo muito mais longas. Um fluxo mais rápido de Thwaites aumentaria a preocupação com um dos setores mais vulneráveis da Antártida Ocidental. A geleira já está derretendo rapidamente, e cientistas passaram anos tentando entender como a água oceânica quente, o recuo da linha de fixação, o desenvolvimento de fraturas e a dinâmica do gelo interagem ali.

O material de origem observa que Thwaites tem aproximadamente o tamanho da Flórida e, em alguns pontos, mais de 2.000 metros de espessura. Não se trata de uma feição de gelo marginal ou isolada. É uma das principais massas de gelo da Antártida Ocidental, e sua instabilidade tem consequências globais por causa da quantidade de gelo continental que ela contém e ajuda a sustentar.

A ameaça de longo prazo continua enorme

O alerta imediato sobre a plataforma oriental pode ser facilmente confundido com o cenário de longo prazo associado à própria Thwaites. O número mais dramático ligado à geleira é de cerca de 65 centímetros, ou 2,1 pés, de elevação global do nível do mar se Thwaites colapsar. Isso não deve acontecer de forma instantânea. O texto de origem deixa claro que esse colapso pode levar séculos.

Mas prazos longos não tornam as mudanças atuais menos importantes. Em sistemas como Thwaites, a preocupação é que, uma vez perdidos os suportes estruturais e com o recuo avançando para uma geometria mais vulnerável, a mudança futura fique mais difícil de interromper. A ruptura da plataforma, portanto, é menos um evento isolado do que um marco em um processo mais amplo de desestabilização já em andamento.

Essa é uma das razões pelas quais cientistas tratam a integridade das plataformas com seriedade. Ela pode fornecer um indício precoce de quão rapidamente uma geleira pode entrar em uma nova fase de recuo. Mesmo que os próximos passos se desenrolem ao longo de anos ou décadas, a perda da plataforma remove uma forma de resistência que importa no estado climático atual.

O sinal de alerta da Antártida

Thwaites se tornou um símbolo da dificuldade de prever mudanças nas camadas de gelo em um mundo em aquecimento. Pesquisadores sabem o suficiente para identificar riscos sérios, mas o momento exato e os caminhos da ruptura ainda são difíceis de definir. Essa incerteza não é reconfortante. Em glaciologia, incerteza muitas vezes significa que o sistema é complexo, não que ele seja seguro.

A avaliação mais recente destaca o valor da observação contínua. Imagens de satélite são centrais para reconhecer mudanças estruturais em áreas remotas como a Antártida Ocidental, onde o acesso direto em campo é limitado e as condições são extremas. A capacidade de ver, quase em tempo real, a evolução de fraturas, o afinamento da plataforma e o risco de desprendimento é uma das razões pelas quais os cientistas agora podem falar de forma mais concreta sobre o que 2026 pode trazer para a plataforma oriental de Thwaites.

Ela também mostra como o risco climático muitas vezes avança por limiares, e não por tendências suaves e fáceis de absorver. O destaque de um ano não é necessariamente o desastre final, mas a perda de mais um elemento estabilizador que altera a linha de base para mudanças futuras. É assim que grandes sistemas de gelo podem passar de uma preocupação crônica para um perigo crescente.

O que isso significa agora

Nenhum evento isolado de ruptura pode explicar, sozinho, o futuro da elevação do nível do mar na Antártida. Mas a provável falha da plataforma de gelo oriental de Thwaites este ano seria um sinal inequívoco de que uma das geleiras mais consequentes do planeta está perdendo mais uma camada de proteção.

O mundo vem ouvindo alertas sobre Thwaites há anos. O que torna este momento diferente é a especificidade. Cientistas já não falam apenas de uma vulnerabilidade futura abstrata. Eles apontam para uma estrutura concreta, visível do espaço, que parece provavelmente se desintegrar em 2026.

Se isso acontecer, o efeito mais imediato será aumentar a preocupação sobre a rapidez com que a geleira pode descarregar mais gelo no oceano. O efeito mais amplo será deixar mais clara uma realidade incômoda: algumas das consequências mais perigosas do aquecimento polar não chegam de uma vez, mas por uma sequência de perdas que facilita a próxima perda. Thwaites pode estar entrando exatamente nesse tipo de sequência.

Este artigo é baseado em uma reportagem da Live Science. Leia o artigo original.

Originally published on livescience.com