A Califórnia impõe um novo teste para a privacidade de carros conectados
A General Motors concordou com um acordo de US$ 12,75 milhões com agências de aplicação da lei da Califórnia sobre a coleta e venda de dados de motoristas, marcando um dos sinais estaduais mais claros até agora de que o negócio de carros conectados enfrentará limites mais rígidos quando consentimento e uso de dados se afastarem. O caso gira em torno de alegações de que a GM, por meio do programa OnStar, vendeu informações pessoais e comportamentais de centenas de milhares de californianos a corretores de dados sem conhecimento ou permissão adequados dos clientes.
O acordo, anunciado pelo escritório do procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, vai além de uma penalidade financeira. A GM também concordou em parar de vender dados de direção para agências de relatórios ao consumidor por cinco anos, excluir dados de motoristas retidos em até 180 dias, a menos que obtenha consentimento do cliente, e pedir à LexisNexis Risk Solutions e à Verisk Analytics que excluam os dados que receberam. Na prática, essa combinação torna isso mais do que uma multa. É uma desmontagem, determinada por reguladores, de um pipeline de compartilhamento de dados que, segundo eles, não deveria existir na forma alegada.
O que a Califórnia diz que aconteceu
De acordo com a descrição do acordo citada no texto-fonte fornecido, a GM vendeu nomes, informações de contato, dados de geolocalização e dados de comportamento ao dirigir coletados por meio do OnStar. A Califórnia alega que a empresa ganhou cerca de US$ 20 milhões com essas vendas. A preocupação subjacente não é apenas que a informação circulou entre empresas, mas que os consumidores não foram informados de forma significativa e não consentiram com um uso secundário que poderia afetá-los de maneiras relevantes.
O contexto político e regulatório importa aqui. Reportagens de 2024 já haviam atraído atenção nacional para montadoras que compartilhavam informações de comportamento ao dirigir com ecossistemas ligados ao seguro, levantando temores de que dados telemáticos pudessem alimentar decisões de preço ou pontuação de risco. Na Califórnia, o escritório de Bonta disse que os dados em questão provavelmente não aumentaram os prêmios de seguro porque a lei estadual proíbe as seguradoras de usar dados de direção para definir tarifas. Ainda assim, a posição do estado é que a suposta venda em si violou expectativas de privacidade e as regras de minimização de dados da Califórnia.
Essa distinção é importante. Uma violação de privacidade não precisa resultar em aumento mensurável de prêmio para se tornar um grande problema de fiscalização. Reguladores estão cada vez mais focados em saber se as empresas coletaram mais do que o necessário, retiveram os dados por mais tempo do que o devido ou os reaproveitaram de maneiras que os consumidores não esperariam razoavelmente. O acordo com a GM se encaixa exatamente nesse quadro.


