Por que o cronograma está sendo adiantado
A Força Aérea dos Estados Unidos está acelerando os planos para substituir o MQ-9A Reaper, com líderes sênior dizendo que as perdas de combate contra o Irã fizeram o serviço relutar em esperar o fim da vida útil remanescente das aeronaves atuais.
Em uma coletiva no Pentágono em 3 de setembro, o tenente-general Christopher Niemi, chefe de modernização da Força Aérea, disse que o serviço está consumindo seu inventário de Reaper em um ritmo insustentável. Segundo o Defense Daily, o secretário da Força Aérea, Troy Meink, determinou a aceleração do cronograma, e uma meta que antes se concentrava no ano fiscal de 2031, quando 20 aeronaves prontas para missão seriam colocadas em serviço, pode ser antecipada em até dois anos.
A mudança é uma resposta direta à recente perda em combate. Niemi não atualizou o inventário durante a coletiva, mas reconheceu que a tendência está moldando os requisitos.
Frota Reaper sob pressão
A escala das perdas de Reaper virou tema no Congresso na primavera. Em depoimento de maio ao Subcomitê de Forças Aéreas e Terrestres do Comitê de Serviços Armados do Senado, o tenente-general David Tabor disse que a frota ativa havia caído para cerca de 135 aeronaves, aproximadamente 54 abaixo do piso de 189 aeronaves que o serviço acredita ser necessário.
- Inventário da frota: cerca de 135 aeronaves disponíveis em maio, contra um piso declarado de 189.
- Perdas relatadas em operações no Irã: pelo menos 24, conforme um relatório de abril citado pelo Congressional Research Service.
- Reportagem posterior do The Washington Post, com base em três autoridades dos EUA, disse que o número havia subido para pelo menos 45, ou cerca de um quarto da frota.
As duas cifras de perdas cobrem uma faixa ampla, e a coletiva de Niemi em setembro não apresentou um terceiro número mais atual. O Congressional Research Service também observou que não estava claro se o Pentágono havia prestado ao Congresso uma contabilidade formal das perdas.
Limites de produção fecham respostas antigas
Substituir Reapers por novos Reapers já não é simples. A General Atomics encerrou a produção do MQ-9A em 2025, então o serviço não pode simplesmente encomendar mais da mesma aeronave. Tabor disse ao subcomitê do Senado que a Força Aérea está buscando uma compra de curto prazo de células MQ-9A existentes para o ano fiscal de 2026, uma solução provisória para preservar a capacidade enquanto um sucessor é desenvolvido.
Niemi descartou uma grande compra dos MQ-9B SkyGuardian aprimorados como caminho principal, dizendo que as restrições orçamentárias tornam isso irrealista. Ele advertiu contra a suposição de que a Força Aérea poderia simplesmente emitir um cheque e receber 100 aeronaves. As limitações são tanto industriais quanto financeiras: mesmo o Reaper atual, quando equipado com um pacote completo de sensores, pode custar até US$ 50 milhões por aeronave.
Essa combinação de desgaste acima do previsto, linha de produção encerrada e orçamentos restritos levou os কর্মকর্তários a buscar aeronaves que possam ser produzidas em volume, voem por menos dinheiro por missão e sejam aceitáveis como perdas.
Apresentando o Massed Modular Aircraft
Niemi assinou os requisitos desse programa, conhecido como Massed Modular Aircraft, ou MMA, em maio. A Defense Innovation Unit abriu uma competição em 7 de julho, com a Força Aérea como parceira; a chamada foi encerrada em 23 de julho. O nome do programa sinaliza a intenção: um projeto comum de drone com cargas modulares que possa ser produzido em massa e empregado como massa distribuída, e não como um pequeno número de plataformas sofisticadas.
Capacidades exigidas
- Missões de ataque, inteligência, vigilância e reconhecimento, guerra eletrônica e retransmissão de comunicações no nível do Reaper;
- pelo menos 2.800 libras de carga útil;
- alcance de translado de 8.000 milhas náuticas em trecho único;
- e níveis de custo baixos o suficiente para permitir que os comandantes absorvam perdas sem perder a missão.
Os números de alcance e carga útil sugerem que a Força Aérea ainda quer que o MMA atravesse teatros operacionais e leve armas ou equipamentos de coleta de inteligência a ambientes contestados. A diferença principal deve ser o custo, não a colocação da capacidade.
Calculando a troca de custos
Niemi começou a comparar o MMA com o Collaborative Combat Aircraft, uma família separada de drones projetada para voar ao lado de caças. Os preços dos veículos aéreos diferem fortemente por categoria. Os veículos aéreos CCA são estimados em cerca de US$ 20 milhões, enquanto um veículo aéreo MMA custaria cerca de metade disso.
Um porta-voz da Força Aérea fez questão de dizer que esses números se aplicam apenas à célula vazia, e não ao pacote completo de missão. Sensores, datalinks, armas e outros equipamentos de missão aumentarão o total, mas a Força Aérea estaria planejando pelo menos 180 drones MMA.
O plano mostra que o serviço trata o substituto do Reaper como um problema de escala, não de otimização. Ao definir uma meta maior de entrada em serviço e precificar o sistema contra uma aeronave descartável, os responsáveis sinalizam que querem uma futura frota dimensionada para o risco operacional, e não apenas para a disponibilidade em tempo de paz.
Perguntas em aberto
Várias lacunas permanecem no quadro público. A Força Aérea não divulgou um inventário atualizado do Reaper desde o testemunho de Tabor em maio, e as diferentes cifras de perdas não foram conciliadas. Niemi também não explicou se a conversa sobre o MQ-9B está totalmente fora de cogitação ou apenas indisponível em quantidade suficiente.
A data exata de entrada em serviço ainda é um número móvel. Relatos da coletiva de 3 de setembro dizem que uma capacidade inicial no ano fiscal de 2031 poderia ser antecipada em cerca de dois anos, mas nenhuma data oficial única foi anunciada. Definir uma aeronave MMA pronta para missão será difícil até que a competição da Defense Innovation Unit produza um vencedor e o serviço conclua uma estimativa de custos mais detalhada.
Por enquanto, o sinal mais claro do Pentágono é uma mudança de intenção: a Força Aérea considera o Reaper caro demais para continuar perdendo e caro demais para substituir no ritmo ou no preço que fazia sentido antes do início do conflito atual.
Este artigo é baseado em reportagem da Defense News. Leia o artigo original.
Originally published on defensenews.com








