O presidente Donald Trump deve voar para a Irlanda na próxima semana a bordo do Boeing 747 doado pelo Catar que serve como Air Force One, segundo reportagem do Washington Post. Será a primeira viagem internacional da aeronave desde que o presidente deixou abruptamente a cúpula da OTAN na Turquia em julho e retornou em outro avião, em meio a preocupações de segurança ligadas ao conflito em escalada com o Irã.

A visita, marcada para os dias 12 e 13 de setembro, levará Trump ao seu resort de golfe em Doonbeg para o Irish Open e deve incluir reuniões com a presidente da Irlanda, Catherine Connolly, e o primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin, segundo a BBC. A viagem também recoloca o jato presidencial modificado sob os holofotes, enquanto continuam as dúvidas sobre suas medidas de segurança e o cronograma de atualizações.

Preocupações de segurança levaram a uma troca secreta

A saída de Trump da cúpula da OTAN na Turquia esteve longe de ser rotineira. Ele mudou inesperadamente para uma aeronave militar menor, usando um caminhão de catering como isca para ocultar a manobra. A decisão veio depois que uma ameaça potencial foi identificada enquanto aumentavam as tensões dos EUA com o Irã, levantando imediatamente questionamentos sobre a postura de segurança do avião doado pelo Catar.

Esse episódio de julho não foi a primeira vez que a aeronave causou apreensão. O jato já vinha sendo alvo de escrutínio por sua aquisição incomum por meio de um arranjo com o Catar e pelas modificações para uso presidencial. A troca repentina na Turquia intensificou essas preocupações e provocou novos pedidos de clareza sobre se o avião poderia ser adequadamente protegido durante viagens de alto risco.

Silêncio oficial sobre as melhorias

Logo após deixar a Turquia, Trump disse que o jato logo seria enviado para ser “maxed out” em melhorias de segurança. Na época, ele indicou que as mudanças começariam em cerca de um mês. Desde então, nenhuma declaração oficial apresentou um cronograma concreto para o trabalho, e o governo se recusou a discutir detalhes.

Essa postura cautelosa foi reforçada em comentários ao Military Times. “Não comentamos melhorias ou modificações específicas no Air Force One”, disse um alto funcionário do governo. “Mantemos uma postura consistente que assegura uma capacidade segura, protegida e confiável para o presidente dos Estados Unidos e evoluímos rotineiramente essa capacidade conforme necessário para manter essa postura”.

As palavras do funcionário ressaltam o quão pouca visibilidade o público tem sobre o reforço de segurança da frota presidencial. Mesmo enquanto Trump se prepara para embarcar novamente no jato doado pelo Catar para um voo transatlântico, nenhuma confirmação independente surgiu sobre se o trabalho prometido de “maxed out” começou ou foi concluído.

A visita à Irlanda testará o jato

A próxima viagem dá à aeronave um palco diplomático incomum. Trump deve ir à Irlanda para uma visita de dois dias que inclui participar do Irish Open em seu campo de golfe em Doonbeg. A visita também contará com reuniões formais com líderes irlandeses, o que a torna mais do que uma parada de lazer.

  • Participar do Irish Open no Trump International Golf Links, Doonbeg
  • Reunir-se com a presidente da Irlanda, Catherine Connolly
  • Reunir-se com o primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin

A Irlanda não é um local típico para testar uma aeronave presidencial, mas é um destino importante para Trump pessoalmente. Doonbeg há muito é uma propriedade favorita em seu portfólio de golfe, e a combinação de um grande torneio com reuniões oficiais dá à viagem peso cerimonial e político.

Ela também oferece uma chance de ver se o Boeing 747 doado pelo Catar consegue operar sem problemas depois da turbulência do verão. A troca de julho para um avião militar menor foi vista como um reconhecimento direto de que o jato presidencial não era confiável para aquele ambiente específico de segurança. Agora, com as tensões com o Irã ainda elevadas, a confiabilidade da aeronave voltará a ser observada durante o voo para a Irlanda.

Uma agenda política exigente

A viagem à Irlanda acontece em meio a um período movimentado para Trump. Antes das eleições de meio de mandato, ele está programado para liderar a convenção republicana de meio de mandato no Texas na próxima semana e prometeu fazer campanha para candidatos republicanos em dezenas de estados decisivos. A agenda de viagens destaca as pressões logísticas enfrentadas pelo presidente e pela aeronave que o transporta.

Usar o jato doado pelo Catar para viagens internacionais é operacionalmente necessário, mas traz implicações políticas e de segurança. Cada voo é uma demonstração de que o avião está apto para o serviço, e toda questão relacionada à segurança pode virar manchete. A recusa do governo em comentar as modificações deixa o público avaliando a aeronave com base em ações, e não em declarações oficiais.

Por ora, a ação mais concreta é o voo planejado para a Irlanda. Se tudo correr bem, a viagem pode ajudar a restaurar a confiança no jato. Caso contrário, as dúvidas que acompanharam o Air Force One doado pelo Catar desde julho dificilmente desaparecerão.

De qualquer forma, a visita de Trump a Doonbeg será acompanhada de perto, tanto pelas reuniões diplomáticas quanto pelo desempenho da aeronave que o levará até lá. O presidente deve usar a viagem para combinar interesses pessoais com deveres oficiais, um padrão que definiu grande parte de suas viagens internacionais. A presença do Irish Open, e a atenção que ele traz ao seu campo de golfe, acrescenta outra camada de exposição à visita.

A viagem também ocorre enquanto os EUA continuam a lidar com um cenário de segurança volátil no exterior, tornando as viagens presidenciais inerentemente mais complicadas. A decisão de usar novamente o avião doado pelo Catar sugere que os funcionários acreditam que a ameaça anterior foi isolada ou que as medidas de segurança aprimoradas avançaram mais do que foi reconhecido publicamente. Sem comentários oficiais, observadores externos só podem inferir.

O que está claro é que o presidente não vai ficar em casa. Entre a convenção no Texas e a viagem à Irlanda, a agenda de Trump deixa pouco espaço para descanso. A visita de 12 e 13 de setembro à Irlanda é curta, mas intensa, combinando um grande evento de golfe com reuniões formais com a presidente e o primeiro-ministro irlandeses. Para um país conhecido por sua própria neutralidade complexa, receber um presidente dos EUA a bordo de uma aeronave financiada pelo Catar acrescenta um subtexto diplomático discreto, mas revelador.

Quando o Air Force One taxiar para a pista na Irlanda na próxima semana, o foco estará tanto no avião quanto no presidente. A primeira viagem internacional da aeronave desde o susto de segurança de julho será uma oportunidade de mostrar que o jato doado pelo Catar ainda pode levar o comandante-em-chefe a qualquer lugar do mundo com confiança.

Este artigo é baseado na cobertura da Defense News. Leia o artigo original.

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