O Corpo de Fuzileiros Navais está repensando uma dependência em que já não confia
O Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA está estudando se precisa de sua própria capacidade de defesa antimísseis balísticos de teatro, uma mudança notável impulsionada por dúvidas de que o Exército tenha capacidade suficiente para cobrir as forças dos Fuzileiros Navais em futuros conflitos. De acordo com declarações citadas no material-fonte fornecido, o tenente-coronel Robert Barclay, dos Fuzileiros Navais, disse que o serviço está explorando a exigência por meio de estudos e simulações e sugeriu que a proteção contra mísseis balísticos de curto e médio alcance é provavelmente algo que o Corpo precisa levar a sério.
A importância dessa declaração é difícil de exagerar. Não se trata apenas de uma questão técnica sobre interceptadores e sensores. É uma admissão estratégica de que a divisão de trabalho existente dentro da força conjunta dos EUA pode ser insuficiente para as guerras que os Fuzileiros Navais esperam travar, particularmente no Pacífico.
Por que isso importa agora
Os comentários de Barclay ocorreram contra o pano de fundo de ameaças recentes de mísseis balísticos e da pressão que essas ameaças exercem até mesmo sobre sistemas avançados e integrados de defesa aérea e antimísseis. O relatório fornecido diz que o conflito mais recente com o Irã ressaltou o perigo representado por mísseis balísticos e sugere que essas pressões seriam ainda maiores em um conflito contra um adversário de nível semelhante, como a China.
Esse contexto importa porque os Fuzileiros Navais passaram anos se remodelando para operações distribuídas, bases expedicionárias e funções de apoio marítimo. Esses conceitos frequentemente colocam unidades menores dos Fuzileiros Navais em posições expostas por vastas áreas. Se essas formações não puderem contar com cobertura próxima de defesa antimísseis balísticos do Exército, então seus pressupostos de sobrevivência mudam imediatamente.
Barclay expressou a preocupação de forma direta no material-fonte: ele não acredita que o Exército terá capacidade suficiente onde os Fuzileiros Navais estão operando para enfrentar a ameaça de mísseis balísticos. Isso é tanto um problema de planejamento de forças quanto de alocação de recursos. Os sistemas Patriot e outros ativos de defesa antimísseis de ponta são limitados, caros e já são muito demandados em vários teatros.
A lacuna é tanto doutrinária quanto material
O Corpo de Fuzileiros Navais já opera sistemas de defesa aérea baseados em terra, mas a defesa antimísseis balísticos é uma exigência de outro nível. Missões de defesa aérea de curto alcance e de combate a drones não se traduzem automaticamente na capacidade de detectar, rastrear e interceptar ameaças balísticas em aproximação. Construir essa capacidade exigiria não apenas equipamentos, mas também doutrina, treinamento, integração e sustentação.
A fonte sugere que os Fuzileiros Navais ainda estão na fase de determinar se isso deve se tornar uma exigência formal do serviço. Essa etapa é importante. Uma vez que uma ameaça é reconhecida como requisito, ela compete por orçamento, molda aquisições e influencia o desenho da força. Se o Corpo concluir que não pode depender da capacidade do Exército, talvez precise buscar sensores, melhorias de comando e controle ou capacidades de interceptação adaptadas ao seu próprio modelo expedicionário.
Isso levanta questões difíceis. Os Fuzileiros Navais deveriam buscar um sistema orgânico de defesa antimísseis balísticos ou uma capacidade parcial mais leve, otimizada para unidades distribuídas? Quanto de duplicação com sistemas do Exército é aceitável em troca de independência operacional? E como tal capacidade se encaixaria nas prioridades contínuas de modernização do Corpo?
O Pacífico é o verdadeiro ponto de pressão
Embora a fonte discuta a dinâmica dos conflitos recentes de forma mais ampla, o Pacífico é o motor mais óbvio dessa revisão. Unidades dos Fuzileiros Navais operando dentro de alcances contestados estariam expostas a grandes inventários de mísseis balísticos. Se as defesas do Exército forem escassas demais, fixas demais ou concentradas em outros locais, então os conceitos dos Fuzileiros Navais baseados em mobilidade e presença avançada serão mais difíceis de executar sob fogo.
Isso não significa que os Fuzileiros Navais estejam prestes a lançar uma solução completa semelhante ao Patriot por conta própria. A fonte não sustenta essa conclusão. Mas sustenta a ideia de que o Corpo vê uma lacuna real de planejamento e pretende estudá-la ao longo do próximo ano.
Até mesmo essa etapa tem significado estratégico. Ela mostra que os Fuzileiros Navais estão testando premissas que antes talvez passassem sem contestação: que outro serviço forneceria o escudo antimisseis de alto nível necessário, e que o acesso a esse escudo estaria disponível quando e onde as forças expedicionárias precisassem.
Um alerta sobre a capacidade futura da força conjunta
A lição mais profunda não se limita aos Fuzileiros Navais. Se um serviço questiona abertamente se outro pode fornecer cobertura suficiente de defesa antimísseis, isso sinaliza um estresse mais amplo na postura de forças dos EUA. Os ativos de defesa antimísseis balísticos continuam escassos em relação à demanda, e o conflito moderno só aumenta a pressão sobre eles.
A revisão dos Fuzileiros Navais é, portanto, um indicador de alerta. Ela aponta para um futuro em que as fronteiras entre serviços importam menos do que as carências de capacidade. Se o ambiente de ameaça continuar se expandindo mais rápido do que o inventário de defesas confiáveis, mais partes das forças armadas dos EUA poderão concluir que precisam de respostas orgânicas para riscos antes tratados em outro lugar.
Este artigo é baseado na cobertura do twz.com. Leia o artigo original.
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