O Exército dá a entender um reset mais amplo

O Exército dos Estados Unidos está sinalizando que seu recente pedido por soluções rápidas para veículos de combate terrestres pode ser o início de uma reavaliação mais ampla, e não uma pesquisa de mercado pontual. Falando na conferência AUSA Global Force, John Jolokai, diretor executivo e oficial sênior de contratação do Army Contracting Command no Detroit Arsenal, disse que o serviço não deveria esperar anos entre uma reavaliação e outra do cenário industrial quando o mercado de defesa está mudando tão rapidamente.

Essa declaração importa porque vai além de uma única aquisição. Ela sugere que o Exército está reconsiderando se os ciclos tradicionais de aquisição são rápidos o suficiente para um setor moldado por mudanças aceleradas de tecnologia, novos entrantes e nova pressão para entregar capacidade útil mais cedo. Na formulação de Jolokai, esperar por um ciclo de revisão de cinco anos corre o risco de perder o que a indústria realmente pode oferecer em um ambiente em rápida evolução.

A questão do XM30 continua central

O contexto imediato é a solicitação de informações feita pelo Exército em fevereiro, em busca de “soluções inovadoras para o projeto, a produção e a entrega rápidas de veículos de combate terrestres”. O aviso pedia veículos de esteira com peso entre 40 e 80 toneladas, descrevia um possível plano para adquirir 10 protótipos ainda este ano e mencionava a perspectiva de produção contínua chegando a até 2.500 veículos por ano.

A solicitação não citou o programa XM30 Mechanized Infantry Combat Vehicle, o esforço de longa duração do Exército para substituir o Bradley, mas analistas e fontes ouvidos pela Breaking Defense disseram que isso pode indicar disposição para reexaminar o programa ou, ao menos, compará-lo com alternativas. Essa interpretação ganhou força porque a RFI enfatizava prazos rápidos e ampla participação do mercado, em vez de uma continuação mais estreita do caminho existente.

O Exército não declarou o XM30 morto nem cancelado. Na verdade, o porta-voz, major Pete Nguyen, disse à Breaking Defense em 27 de fevereiro que o serviço está avaliando ativamente vários projetos concorrentes de XM30 para promover um ambiente verdadeiramente competitivo. Ele acrescentou que o Exército continua buscando parceiros capazes de entregar soluções de ponta agora, e não daqui a décadas. A mensagem é menos sobre abandono do que sobre alavancagem: o Exército quer preservar opções e sinalizar urgência.

Os incumbentes dizem que ainda têm vantagem

Essa postura naturalmente levantou dúvidas entre os concorrentes atuais. A American Rheinmetall, uma das empresas que trabalha no XM30 ao lado da General Dynamics Land Systems, transmite confiança em vez de alarme. Jim Schirmer, vice-presidente sênior de vendas e marketing da empresa, disse à Breaking Defense que não estava especialmente preocupado com a nova RFI e afirmou que a Rheinmetall continua no caminho certo para entregar dois veículos protótipo ao Exército neste verão.

Na visão de Schirmer, as equipes atuais estão simplesmente mais à frente do que qualquer agente externo que provavelmente surja em resposta ao chamado de mercado mais amplo do Exército. Em sua leitura, anos de trabalho de projeto ainda fazem diferença, e nenhum recém-chegado está obviamente posicionado para igualar, em pouco tempo, a maturidade dos protótipos existentes. Esse argumento pode se provar correto, mas não elimina a importância da mensagem mais recente do Exército. Mesmo que os incumbentes mantenham a dianteira, o serviço está deixando claro que nenhum programa está protegido de um novo escrutínio.

Por que o Exército pode estar mudando de postura

A lógica por trás dessa abordagem mais fluida aparece nos comentários de Jolokai. O Exército parece estar se perguntando se programas de aquisição desenhados em torno de prazos longos ainda fazem sentido em um mercado em que atualização tecnológica, métodos de fabricação, autonomia, sensores e conceitos de sobrevivência podem mudar rapidamente. Uma carteira baseada em revisões periódicas pode ter dificuldade para aproveitar o impulso comercial ou reagir às lições do campo de batalha a tempo.

A nova postura do Exército também pode ser lida como uma tentativa de ampliar a base de fornecedores. Ao convidar a indústria a mostrar o que pode ser projetado, construído e entregue rapidamente, o serviço pode estar testando se empresas mais novas ou menos estabelecidas conseguem contribuir com ideias que os canais tradicionais de aquisição de defesa deixam passar. Mesmo quando essas empresas não substituem os incumbentes, elas podem moldar requisitos, prazos e expectativas de custo.

Os riscos da reavaliação constante

Há, no entanto, uma tensão real nessa estratégia. Em geral, a indústria quer requisitos estáveis e um caminho crível até a produção antes de investir pesadamente em desenvolvimento e capacidade de fabricação. Se o Exército reabrir com frequência questões que os contratados pensavam já estarem delimitadas, as empresas podem ficar mais cautelosas. Um sistema de compras excessivamente rígido pode gerar resultados ultrapassados, mas um sistema excessivamente fluido pode elevar o risco do programa, atrasar decisões e desestimular investimento contínuo.

Isso torna os próximos meses importantes. Se o Exército usar testes de mercado mais amplos para intensificar a competição sem desviar programas já em andamento, poderá obter preços melhores, ideias mais novas e mais urgência dos fornecedores. Se a reavaliação se tornar ambígua, o serviço pode acabar prolongando a incerteza em torno dos veículos de que diz precisar mais cedo ou mais tarde.

Uma história de modernização ainda em aberto

Por enquanto, a conclusão mais clara é que o Exército está reconsiderando abertamente a forma como lida com a modernização de veículos terrestres. A RFI de fevereiro, os comentários públicos de Jolokai e a própria descrição do Exército sobre a necessidade de parceiros capazes de entregar sistemas avançados rapidamente apontam na mesma direção. O serviço quer acesso mais rápido à capacidade relevante e parece menos disposto a deixar que o processo legado dite o ritmo.

Se isso levar a um caminho reformulado para o XM30, a novas sondagens de mercado em outros programas de veículos ou simplesmente a uma posição de negociação mais dura com os contratados atuais, o sinal é inequívoco. O Exército está dizendo à indústria que a carteira de veículos terrestres está sendo vista sob a ótica de velocidade, competição e adaptabilidade. Para as empresas do setor, isso significa que a longevidade como incumbente pode importar menos do que a capacidade de demonstrar entrega confiável no curto prazo em um ambiente de defesa em rápida evolução.

Este artigo é baseado na cobertura da Breaking Defense. Leia o artigo original.