O sono mais longo esteve associado a maior risco renal

Adultos com diabetes tipo 2 que relataram dormir mais tiveram maior probabilidade de apresentar início ou progressão da nefropatia diabética em uma coorte prospectiva japonesa. O achado não prova que dormir mais cause doença renal.

Publicado online em 8 de outubro no Journal of the Endocrine Society, o estudo acompanhou 678 pacientes japoneses ambulatoriais com diabetes tipo 2. Os pesquisadores avaliaram hábitos de vida no início e novamente após dois e ou cinco anos.

Durante o acompanhamento médio de 6,0 anos, 215 participantes atingiram um desfecho combinado de incidência ou progressão da nefropatia diabética. A duração média do sono foi o único fator de estilo de vida associado ao desfecho.

Associação gradual conforme a duração do sono

Em comparação com pessoas que dormiam menos de seis horas, as razões de risco foram 1,08 para seis a menos de sete horas, 1,56 para sete a menos de oito horas e 1,92 para oito horas ou mais após ajuste multivariado.

A associação foi mais forte entre os que relataram pelo menos oito horas de sono e permaneceu estatisticamente significativa após ajustes por fatores de estilo de vida e diabetes.

O padrão foi mais evidente entre participantes mais velhos e pessoas com microalbuminúria ou função renal reduzida. A microalbuminúria pode indicar dano renal inicial.

Resultado observacional, não recomendação para dormir menos

O estudo foi observacional: acompanhou a associação entre duração do sono relatada e resultados renais posteriores, sem atribuir diferentes horários de sono aos participantes. Portanto, não pode estabelecer causalidade nem excluir a influência de alterações precoces de saúde ou outros fatores.

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Crédito: CC0 Public Domain

Tomoya Mita, coautor, afirmou que os resultados podem ajudar a identificar pessoas que precisam de atenção renal mais próxima, mas alertou contra interpretá-los como conselho para reduzir o sono.

A duração do sono é influenciada por idade, doenças, trabalho, medicamentos e qualidade do sono. O estudo também não define uma quantidade ideal para pessoas com diabetes.

Por que a nefropatia diabética importa

A nefropatia diabética é uma lesão renal associada ao diabetes. Identificar pessoas com maior risco de deterioração é importante para o cuidado contínuo. O desfecho incluiu casos novos e progressão.

O resultado também mostra que o estilo de vida não pode ser tratado como uma lista simples. A duração média do sono esteve associada ao desfecho, mas os demais fatores avaliados não apresentaram a mesma relação.

O que o estudo muda — e o que não muda

Os pesquisadores ainda precisam saber por que a associação apareceu e se ela se repete em outras populações. Também será necessário examinar vias biológicas, qualidade do sono, doenças subjacentes e a possibilidade de que dormir mais seja um marcador de vulnerabilidade preexistente.

Para pacientes e médicos, o estudo recomenda interpretação cuidadosa. Ele não indica que pessoas com diabetes tipo 2 devam reduzir o sono, embora um período de sono incomumente longo possa ser discutido ao avaliar o risco renal.

Vários autores declararam vínculos com as indústrias biofarmacêutica e de tecnologia médica. Uma coorte prospectiva identifica padrões ao longo do tempo, mas não prova causalidade por si só.

Este artigo é baseado em reportagem da Medical Xpress. Leia o artigo original.

Originally published on medicalxpress.com