Oposição Comunitária Cresce Contra o Gasoduto Desert Southwest

Na sexta-feira, o Capítulo Grand Canyon do Sierra Club entregou aproximadamente 2.000 comentários públicos ao escritório da Governadora do Arizona, Katie Hobbs, todos contrários ao proposto Gasoduto Desert Southwest. Esses comentários foram originalmente submetidos à Comissão Federal de Regulamentação de Energia (FERC) durante seu período inicial de comentários, refletindo a preocupação generalizada de residentes do Arizona, Texas e Novo México. O gasoduto, projetado para transportar gás metano da Bacia do Permiano para abastecer data centers de alta intensidade energética no Sudoeste, tem gerado oposição apaixonada devido ao seu potencial de prejudicar os recursos hídricos, agravar as mudanças climáticas e perpetuar a dependência de combustíveis fósseis por décadas.

A entrega ocorre poucos meses depois que a Governadora Hobbs anunciou seu apoio ao gasoduto em maio, uma decisão que contradiz as conclusões de seu próprio Relatório da Força-Tarefa de Energia. O relatório reconheceu preocupações significativas com a expansão do gás, mas a posição pública da Governadora priorizou os interesses das concessionárias em detrimento do bem-estar da comunidade. Com o avanço do projeto, o Sierra Club e as comunidades locais pedem que a Governadora Hobbs reconsidere sua posição e fique ao lado dos arizonenses.

Impactos Ambientais e Climáticos

O Gasoduto Desert Southwest transportaria gás metano de uma das regiões mais produtivas de petróleo e gás do país para abastecer data centers—instalações que consomem enormes quantidades de eletricidade. De acordo com o Rastreador de Gás Planejado do Sierra Club, o Arizona está entre os principais estados em novas usinas a gás planejadas, uma tendência que o gasoduto aceleraria. Essa expansão conflita diretamente com a necessidade urgente de reduzir as emissões de gases de efeito estufa e fazer a transição para energia limpa.

No sul do Novo México, o gasoduto viabilizaria o data center Projeto Jupiter, uma operação projetada para emitir tanto gás de efeito estufa quanto as três maiores cidades do estado combinadas. Ele consumiria energia equivalente a toda a rede da maior concessionária do Novo México e, sozinho, eliminaria a redução de 29% nas emissões de gases de efeito estufa do estado desde 2005. Esses números impressionantes ressaltam as graves consequências climáticas do projeto, que perpetuaria o uso de combustíveis fósseis por décadas, minando as metas climáticas estaduais e nacionais.

Preocupações com Água e Saúde Comunitária

Além do clima, o gasoduto representa sérios riscos aos recursos hídricos no árido Sudoeste. A extração e o transporte de gás metano exigem uso significativo de água, e qualquer vazamento ou acidente poderia contaminar os lençóis freáticos. As comunidades ao longo da rota, muitas já lutando contra a escassez de água, estão profundamente preocupadas com os impactos potenciais em sua água potável e agricultura.

Os impactos à saúde também são uma grande preocupação. Gasodutos podem vazar metano e outros compostos orgânicos voláteis, contribuindo para a poluição do ar e problemas respiratórios. Os residentes nas áreas afetadas, particularmente as comunidades da linha de frente, sofreriam o impacto desses riscos à saúde. A Diretora do Capítulo do Sierra Club, Sandy Bahr, enfatizou que as comunidades não querem ver os frágeis desertos e águas do Arizona destruídos por um projeto que coloca em risco seu dinheiro, saúde e clima. Ela pediu que a Governadora Hobbs defenda os arizonenses em vez de ceder às demandas das grandes concessionárias.

Contradições Econômicas e de Política Energética

A pressão pelo Gasoduto Desert Southwest ocorre em um momento em que os custos das energias renováveis estão despencando e as medidas de eficiência energética estão se mostrando mais econômicas do que a nova infraestrutura de gás. Investir em gasodutos de metano não apenas perpetua décadas de uso de combustíveis fósseis, mas também desvia recursos de alternativas mais limpas. O Relatório da Força-Tarefa de Energia, encomendado pela Governadora Hobbs, reconheceu essas preocupações, mas seu anúncio de maio apoiando o gasoduto não as mencionou.

Essa contradição não passou despercebida pelos constituintes. Muitos dos comentários entregues ao escritório da Governadora destacam a insensatez econômica de investir em gás metano caro e poluente quando a energia solar e eólica oferecem opções mais baratas, saudáveis e sustentáveis. Ao apoiar o gasoduto, a Governadora corre o risco de alienar eleitores que esperam liderança em ação climática e justiça ambiental.

Pedido para a Governadora Hobbs Reconsiderar

O Sierra Club e membros da comunidade estão pedindo que a Governadora Hobbs reverta seu apoio ao Gasoduto Desert Southwest. Eles argumentam que o projeto prejudicaria o meio ambiente, a economia e a saúde pública do Arizona, beneficiando apenas algumas grandes concessionárias e empresas de tecnologia. A entrega de 2.000 comentários é um sinal claro de que a oposição não é marginal, mas generalizada e profundamente sentida.

A Governadora Hobbs tem a oportunidade de demonstrar verdadeira liderança ouvindo seus constituintes e alinhando suas ações com seu compromisso declarado de apoiar as famílias do Arizona. Rejeitar o gasoduto seria um passo ousado em direção a um futuro energético mais limpo e equitativo. À medida que o processo de revisão da FERC continua, as vozes de milhares de arizonenses, texanos e novos-mexicanos devem ser ouvidas. A decisão sobre o Gasoduto Desert Southwest estabelecerá um precedente sobre como o estado equilibra o desenvolvimento econômico com a gestão ambiental e a responsabilidade climática.

O momento de agir é agora. A Governadora Hobbs deve escolher entre os interesses de curto prazo das concessionárias poderosas e o bem-estar de longo prazo das pessoas e lugares que ela serve. Os comentários entregues na sexta-feira representam não apenas oposição a um gasoduto, mas uma demanda por um futuro que priorize ar limpo, água limpa e um clima estável para as próximas gerações.

Este artigo é baseado em reportagem da CleanTechnica. Leia o artigo original.

Originally published on cleantechnica.com