Um modelo de baterias distribuídas sai do piloto para a escala

A Guadalupe Valley Electric Cooperative, ou GVEC, e a empresa de baterias distribuídas Base Power estão ampliando sua parceria de uma forma que aponta para uma mudança mais ampla na estratégia da rede elétrica. As duas organizações afirmam que o acordo fornecerá 50 megawatts de capacidade em toda a área de atendimento da GVEC no sul do Texas, transformando sistemas de baterias residenciais em um recurso relevante em escala de concessionária.

O anúncio se baseia em um projeto-piloto de 2 MW que, segundo Darren Schauer, gerente-geral e CEO da GVEC, demonstrou o potencial das baterias distribuídas para melhorar a flexibilidade e o desempenho do sistema. Isso importa porque as concessionárias há muito falam da promessa dos recursos energéticos distribuídos agregados, mas os pilotos muitas vezes permanecem pilotos. Neste caso, a parceria está avançando para uma meta de implantação muito maior.

A GVEC pretende ter 20 MW de capacidade de baterias distribuídas em operação até o fim de 2026 e, depois, adicionar mais 15 MW a 20 MW por ano por meio da parceria, disse Schauer ao Utility Dive. Esse ritmo sugere que a cooperativa vê o armazenamento distribuído não como um experimento paralelo, mas como uma classe de recurso que pode andar ao lado da contratação tradicional de energia.

Por que uma cooperativa de distribuição está fazendo esse movimento

A GVEC atende cerca de 100 mil medidores de clientes em um território de 3.500 milhas quadradas a leste de San Antonio, abrangendo comunidades suburbanas, exurbanas e rurais. A escala e o perfil de carga dessa área tornam a flexibilidade valiosa. Schauer disse que a demanda no verão normalmente atinge o pico entre 500 MW e 600 MW, enquanto as ondas de frio no inverno podem elevar a demanda para cerca de 800 MW porque muitos clientes dependem de aquecimento por resistência elétrica como apoio às bombas de calor.

Essas oscilações importam no Texas, especialmente dentro do mercado atacadista do Electric Reliability Council of Texas. A GVEC participa diretamente do ERCOT, algo que o texto de origem descreve como relativamente incomum para cooperativas de distribuição. Essa exposição direta significa que a concessionária enfrenta a volatilidade de preços no atacado de forma mais imediata do que empresas que compram energia por meio de cooperativas de geração e transmissão.

Na prática, isso torna as baterias distribuídas financeiramente atraentes não apenas pela confiabilidade, mas também pelo controle de custos. Em condições apertadas, o mercado de energia do ERCOT pode produzir picos de preços dramáticos. O artigo cita a tempestade de inverno de fevereiro de 2021, quando os preços de liquidação subiram para US$ 1.200 por megawatt-hora antes de a Public Utilities Commission of Texas levá-los ao máximo legal de US$ 9.000 por megawatt-hora em um esforço para colocar mais oferta no sistema.

Para uma concessionária exposta a essas condições, uma capacidade flexível que possa ser despachada em diferentes pontos dos clientes é mais do que um argumento de energia limpa. É uma proteção contra o impacto concentrado dos preços.