A ameaça das algas no Lago Erie pode ser mais ampla do que o monitoramento de rotina capta

Uma nova pesquisa descrita pelo Gizmodo sugere que florações de algas nocivas no oeste do Lago Erie produzem uma mistura mutável de toxinas cianobacterianas ao longo da estação quente, incluindo compostos que o monitoramento convencional talvez não detecte por completo. As descobertas foram relatadas em dois artigos publicados em

Environmental Toxicology e no

ISME Journal.

A conclusão central é que o problema anual de florações no Lago Erie não é definido por uma única toxina dominante. Em vez disso, os pesquisadores dizem que as florações geram uma “sopa” rotativa de compostos que muda ao longo de três fases sazonais. Isso tem implicações diretas para a vigilância em saúde pública e para a avaliação de risco ecológico, especialmente à medida que as florações nocivas se expandem com as mudanças climáticas.

Mais do que as toxinas mais conhecidas

Autoridades e cientistas há muito monitoram florações cianobacterianas porque a exposição pode causar problemas de saúde que vão de irritação na pele a doenças graves. Grandes florações também podem prejudicar a acidez e o oxigênio em sistemas de água doce, colocando os ecossistemas sob estresse adicional.

Mas o novo trabalho argumenta que o conjunto monitorado de toxinas captura apenas uma pequena fração do quadro químico mais amplo. Segundo o Gizmodo, com base no artigo de Environmental Toxicology, as quatro cianotoxinas e compostos relacionados comumente monitorados pelas autoridades representam apenas cerca de 10% dos mais de 3.000 metabólitos cianobacterianos identificados até agora.

Essa lacuna importa porque significa que os sistemas de gestão podem estar focando nos perigos mais conhecidos enquanto deixam passar uma paisagem tóxica maior e menos compreendida. O artigo descreve essa ameaça mais ampla como uma “incógnita toxicológica ainda maior, em grande parte não avaliada”, ressaltando o quanto o monitoramento de rotina pode ser incompleto.

Um padrão sazonal em três fases

Para o estudo do ISME Journal, os pesquisadores coletaram amostras de algas mensalmente de maio a outubro entre 2016 e 2022. Eles analisaram tanto o DNA microbiano quanto os compostos produzidos pelos microrganismos, o que permitiu mapear como a produção de toxinas muda ao longo do tempo.

O resultado foi um padrão de ciclo de vida em três fases. Na fase inicial, a microcistina, a toxina mais conhecida em muitos alertas públicos, domina. Mais tarde na estação, a comunidade de florações se desloca para vários cianopeptídeos, incluindo anabaenopeptinas, aeruginosinas e aeruciclamidas. Isso significa que a percepção pública do risco como um único evento tóxico recorrente pode ser estreita demais.

Em vez disso, o risco parece dinâmico, com diferentes compostos ganhando importância conforme as condições mudam ao longo da temporada. Um regime de monitoramento baseado principalmente em expectativas da fase inicial pode, portanto, deixar passar parte do problema.

Pressão climática e de saúde pública

Gregory Dick, da University of Michigan, autor sênior de ambos os artigos, disse ao Gizmodo que as florações nocivas de algas estão se expandindo com as mudanças climáticas. Esse contexto aumenta a importância das descobertas no Lago Erie. Se as temporadas de floração se tornarem mais frequentes, intensas ou persistentes, uma mistura maior e mais variada de toxinas poderá se tornar um desafio mais comum para comunidades, reguladores e gestores de água.

A questão não é apenas acadêmica. O Lago Erie é um recurso de água doce amplamente utilizado, e a confiança nos sistemas de monitoramento é importante para água potável, lazer, pesca e planejamento regional. Se alguns compostos relacionados às florações escaparem da detecção padrão, as autoridades talvez precisem repensar o que testam e como comunicam o risco.

Um quadro de risco mais complexo

A nova pesquisa não sugere que o monitoramento atual de toxinas seja inútil. Ela sugere que ele pode ser incompleto diante da complexidade total da química cianobacteriana no Lago Erie. Essa é uma distinção importante. Os sistemas públicos ainda detectam perigos conhecidos, mas os estudos argumentam que talvez ainda não estejam medindo o perfil completo da ameaça.

Para leitores interessados em ciência emergente e risco ambiental, este é o verdadeiro significado do trabalho. Ele reformula as florações nocivas de algas de um incômodo sazonal conhecido para um perigo mais adaptável e quimicamente diverso. Isso deve influenciar tanto as prioridades de pesquisa quanto as expectativas regulatórias.

Se as florações tóxicas do Lago Erie forem de fato uma mistura sazonal rotativa, e não um único evento recorrente, a próxima fase da resposta precisará ser mais ampla, mais flexível e mais informada quimicamente do que o status quo.

Este artigo é baseado em reportagem do Gizmodo. Leia o artigo original.

Originally published on gizmodo.com