O Problema do Bin Picking
No cenário dos desafios da automação industrial, o deep bin picking ocupa um lugar especial: é difícil, economicamente relevante e teimosamente resistente aos tipos de soluções programáticas que tornaram a automação robótica bem-sucedida em aplicações mais estruturadas. A tarefa parece simples: retirar peças orientadas aleatoriamente de um contentor e posicioná-las corretamente para a próxima etapa de um processo de manufatura. Mas ela combina vários desafios técnicos distintos que, juntos, tornaram as soluções automatizadas confiáveis difíceis de alcançar por décadas.
As peças em um bin profundo estão orientadas aleatoriamente em três dimensões. Elas podem estar enroscadas, empilhadas ou parcialmente ocultas por outras peças. As paredes do contentor criam restrições geométricas que limitam as abordagens do braço robótico. As superfícies das peças variam em refletividade, translucidez e textura de maneiras que complicam a visão computacional. E o ato físico de pegar e extrair uma peça de uma pilha desordenada exige controle de força adaptativo: aplicar força suficiente para segurar com segurança sem danificar a peça, enquanto navega pelas interações mecânicas com as peças ao redor que se deslocam à medida que os itens são removidos.
Para fabricantes que operam instalações com múltiplos turnos e alto volume de peças, esse desafio representa um gargalo significativo e um custo de mão de obra. Operadores humanos conseguem lidar com o bin picking de forma intuitiva, valendo-se da percepção visual e do feedback tátil que aplicam naturalmente e sem programação explícita. Mas o custo de mão de obra e a variabilidade associados ao bin picking manual - especialmente em ambientes de produção high-mix, nos quais o portfólio de peças é grande e muda constantemente - tornam a automação atraente, se o nível de confiabilidade puder ser alcançado.



