O Rádio de Transmissão Continua Preso ao Carro
O colapso do rádio dentro do carro, há muito esperado, ainda não aconteceu. Segundo os dados Share of Ear do 1º trimestre de 2026 da Edison Research, o rádio AM/FM responde por 55% do tempo de áudio no carro dos americanos entre ouvintes com 13 anos ou mais. Em comparação, os serviços de streaming representam 16% da escuta durante a direção.
Essa divisão importa porque o carro costuma ser tratado como um dos últimos grandes campos de batalha do áudio. O consumo de música e conteúdo falado se fragmentou entre aplicativos, assinaturas e dispositivos conectados, mas os dados citados pelo Jalopnik mostram que o rádio tradicional ainda detém a maior fatia de atenção quando as pessoas assumem o volante.
A manchete não é que o streaming fracassou. É que a substituição do rádio de transmissão está acontecendo muito mais lentamente do que muitas previsões sugeriam. Mesmo depois de anos de crescimento de plataformas como Spotify e Tidal, AM e FM continuam sendo a escolha padrão para a maior parte do tempo de escuta dentro do carro.
Motoristas Mais Jovens Estão Reduzindo a Diferença
O cenário muda quando a faixa etária se estreita. Os dados da Edison mostram que, entre os americanos de 13 a 34 anos, o rádio AM/FM ainda lidera com 46% do tempo de escuta no carro, enquanto o streaming sobe para 30%.
Isso é uma mudança significativa. Sugere que ouvintes mais jovens estão levando mais hábitos sob demanda para o veículo, mesmo que o rádio de transmissão continue liderando no total. A diferença entre o total de todos os ouvintes e o segmento de 13 a 34 anos aponta para uma transição geracional, e não para uma derrubada repentina da plataforma.
Na prática, o rádio ainda vence o mercado mais amplo porque continua fácil, familiar e integrado à experiência do carro. O streaming está ganhando força, mas seu melhor desempenho ocorre entre ouvintes que cresceram com mídia digital e reprodução personalizada. O resultado é um painel dividido entre hábito e controle: a conveniência de um toque do rádio versus a escolha individualizada do streaming.
Os dados não sustentam uma história simples de tudo ou nada. Em vez disso, mostram coexistência. O rádio de transmissão continua entregando escala, enquanto o streaming parece aumentar de forma constante sua participação entre motoristas mais jovens. Para montadoras, anunciantes e empresas de áudio, isso significa que o carro ainda não é um ambiente em que o vencedor leva tudo.
Os Podcasts Reescreveram o Áudio de Conteúdo Falado
Se o rádio ainda é dominante no áudio total dentro do carro, o segmento de conteúdo falado conta uma história mais competitiva. O Jalopnik informa que os podcasts respondem por 40% do tempo de escuta de conteúdo falado dos americanos, ligeiramente à frente do rádio AM/FM, com 39%, entre ouvintes com 13 anos ou mais.
Esse empate quase total representa uma grande mudança em relação a 2015, quando o rádio de conteúdo falado tinha uma vantagem de 75%. Os números atuais sugerem que os podcasts passaram de formato de nicho a categoria central de escuta. A disponibilidade sob demanda faz parte dessa ascensão, mas a variedade também. O podcasting se expandiu para um meio em que os ouvintes podem encontrar programas altamente específicos ao lado de conteúdos de grande alcance.
O significado mais amplo é que as vantagens históricas mais fortes do rádio de transmissão já não estão garantidas em todos os formatos de áudio. A escuta de música ainda favorece o AM/FM no carro no geral, mas a escuta de conteúdo falado se tornou uma disputa muito mais apertada. Isso importa porque o público de conteúdo falado costuma ser especialmente valioso para editores, anunciantes e plataformas que tentam criar hábitos recorrentes de escuta.
O contraste entre música e fala também mostra como a mudança de plataforma pode chegar de forma desigual. O rádio pode permanecer estruturalmente forte em uma parte do mercado enquanto perde participação rapidamente em outra.
A Luta Pelo Hardware de Rádio AM Não Vai Sumir
Os dados chegam em meio a uma disputa de política pública e produto sobre se o rádio AM deve permanecer nos veículos novos. O Jalopnik observa que Tesla, Rivian e Ford passaram a eliminar ao menos o rádio AM de alguns modelos novos, com a questão especialmente proeminente em veículos elétricos. O texto de origem diz que motores elétricos podem gerar interferência na recepção AM, e que eliminar essa interferência seria caro para os fabricantes.
Esse debate sobre hardware gerou reação de clientes e políticos. A Ford, segundo o relatório, voltou atrás após críticas por retirar o rádio AM. O tema também chegou a Washington na forma do AM Radio for Every Vehicle Act, uma proposta que exigiria que todo carro novo de passeio incluísse um rádio AM.
O argumento político fica mais fácil de entender à luz dos números da Edison. Se AM/FM ainda responde por 55% de todo o tempo de áudio no carro, remover o rádio do painel não é uma decisão de design de nicho. Isso afeta uma parte central de como os americanos ainda usam seus veículos.
Para as montadoras, a tensão é clara. Algumas estão projetando para um futuro de carro conectado e definido por software. Mas os ouvintes, pelo menos por enquanto, ainda se comportam como usuários de rádio. Esse desencontro ajuda a explicar por que a questão do AM se tornou maior do que uma disputa de recurso.
O Que os Números Realmente Dizem Sobre o Futuro do Áudio
O snapshot mais recente não mostra o rádio vencendo para sempre, nem mostra o streaming assumindo o controle imediatamente. Ele mostra um mercado em transição, com formatos legados e digitais compartilhando o mesmo espaço físico e dividindo os ouvintes por idade, hábito e tipo de conteúdo.
O rádio de transmissão ainda tem escala, especialmente no carro. O streaming tem impulso, especialmente entre ouvintes mais jovens. Os podcasts já transformaram a escuta de conteúdo falado em uma disputa muito mais apertada do que era há uma década. Em conjunto, essas mudanças sugerem que o painel está se tornando mais misto, e não menos importante.
O takeaway mais importante talvez seja o mais simples: o comportamento de escuta no carro mudou, mas não da forma limpa e total que muitos esperavam. O rádio ainda está profundamente embutido na experiência de dirigir, e as evidências agora sugerem que qualquer tentativa de eliminá-lo do projeto do carro continuará esbarrando tanto no comportamento do consumidor quanto na resistência política.
Este artigo é baseado na cobertura do Jalopnik. Leia o artigo original.
Originally published on jalopnik.com



