Startup francesa passa dos testes iniciais aos demonstradores orbitais

A Univity, uma empresa espacial francesa de quatro anos, levantou cerca de US$ 32 milhões em financiamento Série A para avançar seu plano de 5G baseado no espaço para uma fase mais profunda de hardware. A SpaceNews informa que a empresa usará o financiamento para implantar dois satélites demonstradores em órbita terrestre muito baixa no próximo ano, uma etapa destinada a validar como redes móveis terrestres poderiam se integrar à infraestrutura orbital.

A rodada também incluiu apoio adicional de um fundo administrado pela Bpifrance em nome do governo francês. Em comentários públicos citados pela SpaceNews, a Bpifrance enquadrou o investimento não apenas como uma aposta comercial, mas como parte de um impulso mais amplo em torno da soberania na conectividade e da posição competitiva da Europa à medida que redes terrestres e espaciais se tornam mais estreitamente ligadas.

Esse enquadramento reflete uma visão crescente do setor: as comunicações por satélite já não dizem respeito apenas à banda larga remota ou à radiodifusão tradicional. Cada vez mais, elas são tratadas como extensões das redes de telecomunicações convencionais, incluindo serviços diretos ao dispositivo e serviços de rede híbrida.

Por que a órbita terrestre muito baixa importa

A abordagem da Univity se concentra na órbita terrestre muito baixa, ou VLEO, uma região mais próxima da Terra do que as constelações padrão em órbita baixa. Operar tão baixo pode oferecer benefícios potenciais como menor latência e melhor desempenho de enlace, mas também introduz desafios de engenharia porque o arrasto atmosférico é mais significativo. As naves espaciais precisam ser projetadas para suportar e compensar esse arrasto ao longo do tempo.

Segundo o relatório, a Univity planeja usar um design aerodinâmico de satélite destinado a minimizar o arrasto e permitir uma vida operacional de sete anos antes que o combustível se esgote. Isso é uma afirmação técnica relevante porque sistemas VLEO de longa duração historicamente foram difíceis de sustentar economicamente. Se a arquitetura funcionar como planejado, ela poderá ajudar a tornar uma constelação de telecomunicações em menor altitude mais viável.

Os dois demonstradores previstos, chamados protótipos UniShape, devem pesar cerca de 350 quilos cada. O fundador e CEO Charles Delfieux disse à SpaceNews que eles levarão uma carga útil regenerativa híbrida para banda larga e serviços diretos ao dispositivo. A dupla é necessária não apenas para testar o sinal, mas também para avaliar enlaces ópticos entre satélites e algoritmos de roteamento.