O Japão se prepara para enviar uma espaçonave a Marte em uma missão projetada para trazer material da lua marciana Fobos de volta à Terra. A missão Martian Moons eXploration, da Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial, conhecida como MMX, está programada para ser lançada em um foguete H3 a partir de Tanegashima em 20 de outubro, às 4h41 no horário padrão do Japão.
Se a missão seguir o cronograma atual, a MMX chegará a Marte em agosto de 2027, coletará amostras não antes de dezembro de 2028 e as devolverá à Terra em 2031. A campanha tenta responder a uma pergunta antiga da ciência planetária: de onde vieram as duas pequenas luas de Marte?
Uma missão de retorno de amostras concentrada em Fobos
A MMX estudará Fobos e Deimos, mas seu alvo principal é Fobos, a maior lua. Fobos tem cerca de 22 quilômetros de diâmetro, enquanto Deimos tem cerca de 12 quilômetros. Os dois corpos há muito provocam explicações concorrentes. Uma hipótese afirma que são asteroides capturados pela gravidade de Marte. Outra propõe que sejam detritos deixados por uma colisão entre Marte e outro objeto.
Observações a distância não resolveram a disputa. O material levado a laboratórios na Terra poderia oferecer uma maneira mais direta de testar qual origem combina melhor com a composição e a história das luas. Portanto, o objetivo da missão é maior do que coletar uma amostra extraterrestre incomum: trata-se de investigar condições e acontecimentos do sistema solar primitivo.
Em um briefing da NASA, Lindsay Hays, diretora interina da Divisão de Ciência Planetária, disse que a MMX pretende coletar material de Fobos para devolvê-lo à Terra. A reportagem original informa que o recipiente de amostras da espaçonave deve pousar na Austrália.
Instrumentos da NASA se juntam a um projeto internacional
A NASA contribuirá com dois instrumentos científicos para a MMX. Um é o MEGANE, abreviação de Mars-moon Exploration with GAmma rays and NEutrons, um instrumento de espectroscopia desenvolvido pelo Laboratório de Física Aplicada da Johns Hopkins University. O outro é o P-Sampler, um mecanismo pneumático de coleta da Honeybee Robotics, empresa da Blue Origin.
As contribuições destacam o caráter internacional da missão. Além da JAXA e da NASA, o projeto inclui a CNES da França, a DLR da Alemanha, a Agência Espacial Europeia e o governo australiano. A cooperação distribui o trabalho técnico e a participação científica entre agências com experiência em exploração planetária.
- Veículo e local de lançamento: foguete H3 da JAXA, a partir de Tanegashima, Japão.
- Chegada planejada a Marte: agosto de 2027.
- Coleta de amostras mais cedo prevista: dezembro de 2028.
- Retorno planejado à Terra: 2031.
- Principal alvo científico: Fobos.
A espectroscopia de raios gama e nêutrons do MEGANE faz parte do esforço para caracterizar as luas marcianas, enquanto o P-Sampler foi projetado para a coleta. Juntos, os instrumentos estão diretamente ligados à tarefa científica central da missão: entender o material que compõe Fobos e como ele se relaciona com as teorias concorrentes sobre sua origem.
JAXA amplia seu histórico de retorno de amostras
A MMX será a terceira missão de retorno de amostras da JAXA. A Hayabusa trouxe 1.500 partículas do asteroide Itokawa em 2010. A Hayabusa2 veio depois, com 5,4 gramas de material do asteroide Ryugu em 2020. Essas missões demonstraram a exigente cadeia de operações necessária para recuperar material de um corpo pequeno e entregá-lo com segurança à Terra.
A NASA também tem experiência relevante. Sua missão OSIRIS-REx trouxe 121,6 gramas de material do asteroide Bennu em 2023. Os Estados Unidos também devolveram 382 quilos de rochas lunares pelo programa Apollo, coletaram amostras do vento solar com a Genesis e recuperaram poeira cometária pela Stardust.
Cada alvo é diferente, e os sucessos anteriores não tornam a MMX uma missão rotineira. Mas o histórico dá às agências participantes experiência para projetar sistemas de coleta, proteger amostras, preparar trajetórias de retorno e equipar laboratórios para lidar com material de fora da Terra.
Por que as luas de Marte importam
Fobos e Deimos são muito menores que a Lua da Terra, mas sua origem poderia esclarecer uma parte importante ainda não resolvida da história de Marte. Uma origem como asteroides capturados apontaria para uma sequência de encontros gravitacionais e migração pelo sistema solar. Uma explicação baseada em colisão ligaria as luas mais diretamente à formação e evolução do próprio Marte.
As amostras da MMX não encerrarão automaticamente o debate, mas podem oferecer evidências indisponíveis apenas com sensoriamento remoto. Os cientistas poderão examinar o material devolvido com técnicas laboratoriais que não podem ser enviadas em uma espaçonave. O valor está em relacionar composição e propriedades físicas a modelos de formação das luas.
A missão também chega quando o retorno de amostras se torna um método cada vez mais importante na ciência planetária. Em vez de apenas fotografar ou medir um objeto distante no local, as missões podem trazer material cuidadosamente coletado para análises repetidas conforme as técnicas melhoram. Essa abordagem torna um único voo potencialmente útil para várias gerações de pesquisadores.
Contagem regressiva para Marte
O marco imediato é o lançamento. A MMX deve partir de Tanegashima no início da manhã de terça-feira no Japão, o que corresponde à tarde de segunda-feira na costa leste dos Estados Unidos. A partir daí, a missão enfrentará uma sequência de vários anos de viagem, operações no sistema marciano, coleta de amostras e retorno.
Para a JAXA e seus parceiros, o sucesso acrescentaria um novo capítulo à exploração de retorno de amostras e colocaria material de uma lua marciana em laboratórios na Terra. Para a ciência planetária, poderia aproximar a resposta sobre a origem de Fobos e Deimos.
Este artigo baseia-se em reportagem da spacepolicyonline.com. Leia o artigo original.
Originally published on spacepolicyonline.com






