Adicionando um olho maior à caça aos asteroides
A busca por asteroides próximos à Terra — rochas cujas órbitas cruzam o caminho da Terra e poderiam potencialmente representar uma ameaça de impacto — tem uma nova ferramenta. O Daily Minor Planet, um projeto de ciência cidadã da NASA que pede aos voluntários para ajudar a identificar candidatos a asteroides em dados de telescópio noturno, foi expandido para incluir observações do telescópio Bok 2,3 metros do Kitt Peak National Observatory no Arizona.
O telescópio Bok é uma atualização significativa em relação à fonte de dados original do projeto, o telescópio Mt. Lemmon da Catalina Sky Survey. Onde Mt. Lemmon sonda o céu com uma certa sensibilidade, o Bok pode detectar objetos aproximadamente duas a três vezes mais fracos — o que significa que pode encontrar asteroides que são menores, mais distantes ou mais escuros do que aqueles visíveis ao Mt. Lemmon. No contexto da busca de asteroides, observações mais sensíveis se traduzem diretamente em detecção anterior de ameaças potenciais.
Por que ciência cidadã para detecção de asteroides?
A tarefa de identificar novos asteroides em dados de telescópio parece que deveria ser tratada inteiramente por computadores. E gran parte é: pipelines automatizados processam dados brutos de telescópio e sinalizam potenciais objetos em movimento para exame adicional. Mas os sistemas automatizados têm dificuldade na extremidade fraca e ambígua do envelope de detecção — exatamente onde o imageamento mais profundo do telescópio Bok funciona.
O reconhecimento de padrão visual humano é notavelmente bom em identificar objetos fracos e de movimento lento contra um fundo de estrelas e artefatos de imagem. Voluntários no projeto Daily Minor Planet observam conjuntos de imagens tiradas na mesma noite e identificam se alguma fonte parece ter se movido entre as exposições — o sinal revelador de um corpo do sistema solar próximo. Ao agregar observações de milhares de voluntários, o projeto gera a confirmação redundante que distingue detecções reais de artefatos de imagem. Este não é trabalho voluntário simbólico — os dados vão diretamente para bancos de dados científicos reais e contribuem para a descoberta e recuperação de asteroides reais.
As apostas da defesa planetária
A motivação para construir um catálogo abrangente de asteroides próximos à Terra é a defesa planetária. A grande maioria dos asteroides próximos à Terra grandes o suficiente para causar danos regionais ou globais já foram identificados e rastreados. A preocupação restante se concentra em objetos menores na faixa de 100 metros a 1 quilômetro que poderiam causar danos locais significativos e que os levantamentos abrangentes ainda não catalogaram completamente.
A missão DART da NASA desviou com sucesso o asteroide Dimorphos ao impactá-lo em 2022, demonstrando que a humanidade tem uma ferramenta para alterar a trajetória de um asteroide — dado tempo de aviso suficiente. Encontrar asteroides décadas antes de um impacto potencial é muito preferível a encontrá-los anos ou meses antes. Os dados do telescópio Bok, com seu foco na eclíptica onde asteroides e cometas viajam preferencialmente, aumentarão substancialmente o número de objetos próximos à Terra encontrados e confirmados, fortalecendo o catálogo de defesa planetária da humanidade.
Este artigo é baseado em reportagens de science.nasa.gov. Leia o artigo original.


