Causa raiz revelada

Mais de dois meses após uma explosão devastadora destruir um foguete New Glenn durante um teste de fogo estático, a Blue Origin finalmente identificou o culpado. Em uma postagem nas redes sociais em 5 de agosto, o CEO Dave Limp revelou que a anomalia se originou na válvula principal de oxigênio de um dos motores BE-4 que alimentam o primeiro estágio do foguete. A revelação vem após uma extensa investigação envolvendo recuperação de hardware e testes em nível de componente.

O incidente ocorreu em 28 de maio no Complexo de Lançamento 36 (LC-36) na Estação da Força Espacial de Cabo Canaveral, enquanto o foguete estava sendo preparado para seu quarto voo orbital. O teste de fogo estático, destinado a validar sistemas antes de um lançamento planejado para 4 de junho, terminou em uma explosão catastrófica que não apenas destruiu o veículo, mas também danificou o único local de lançamento orbital da empresa.

O motor BE-4: um componente crítico

O primeiro estágio do foguete New Glenn é alimentado por sete motores BE-4, cada um capaz de gerar 640.000 libras de empuxo na decolagem. Esses motores queimam uma combinação de metano líquido e oxigênio líquido, uma mistura de propelente escolhida por seu desempenho e reutilização. O BE-4 também é usado pela United Launch Alliance (ULA) para seu foguete Vulcan, embora com diferenças notáveis: a versão do New Glenn inclui recursos para reignição, pouso e reutilização, tornando-o uma variante mais complexa.

De acordo com Limp, a falha foi rastreada até a válvula principal de oxigênio, um componente crítico que regula o fluxo de oxigênio líquido para a câmara de combustão do motor. "A anomalia se originou na válvula principal de oxigênio de um dos motores BE-4, o que foi posteriormente confirmado pela recuperação de hardware e inspeções", escreveu Limp. Ele acrescentou que extensos testes em nível de componente e testes de fogo quente do motor foram conduzidos para entender melhor o modo de falha e informar mitigações.

Uma pluma anômala é visível em um dos motores de foguete sólido do Vulcan durante o lançamento da missão USSF-87 em 12 de fevereiro de 2026. Imagem: Adam Bernstein/Spaceflight Now.
Uma pluma anômala é visível em um dos motores de foguete sólido do Vulcan durante o lançamento da missão USSF-87 em 12 de fevereiro de 2026. Imagem: Adam Bernstein/Spaceflight Now.

Impacto imediato e resposta

A explosão ocorreu enquanto o foguete estava empilhado com uma carga útil de 48 satélites Amazon Leo, uma missão comercial significativa. A perda do veículo e da carga útil, juntamente com os danos ao LC-36, representou um grande revés para o ritmo de lançamentos da Blue Origin. A empresa havia realizado com sucesso três missões New Glenn antes do incidente, e a quarta era esperada para marcar um marco em seu ritmo operacional.

Nas semanas seguintes à explosão, a Blue Origin se concentrou em reparar o complexo de lançamento, compartilhando atualizações sobre a instalação de novas portas na instalação de integração. A postagem de Limp em 30 de julho mostrou progresso, com seis painéis de porta no lado norte, cada um com 88 pés de altura e pesando aproximadamente 40.000 libras, sendo instalados. A extremidade sul era a próxima, sinalizando um esforço determinado para restaurar o local à condição operacional.

Caminho a seguir: modificações e testes

Limp expressou confiança na compreensão da anomalia pela empresa, afirmando que "o caminho a seguir é claro". A solução envolve pequenas modificações na válvula que podem ser rapidamente adaptadas aos motores existentes. "Estamos fabricando o hardware atualizado, que estará pronto até o final deste mês", disse ele. "Em paralelo, estamos trabalhando na análise restante da árvore de falhas."

Essa abordagem sugere que a Blue Origin pretende retornar ao voo antes do final do ano, uma meta que está alinhada com declarações anteriores. As modificações são projetadas para serem minimamente invasivas, permitindo implementação rápida em todo o inventário de motores. A empresa também está conduzindo uma análise completa da árvore de falhas para garantir que nenhum outro modo de falha potencial seja negligenciado.

Implicações para a United Launch Alliance

O motor BE-4 não é exclusivo da Blue Origin; a ULA depende dele para seu foguete Vulcan, que usa dois motores BE-4 em seu primeiro estágio. Embora os motores não sejam idênticos devido aos recursos adicionais para a reutilização do New Glenn, o design compartilhado significa que qualquer problema sistêmico pode ter implicações para a ULA também.

Uma representação artística do lander lunar Blue Moon Mark 1 da Blue Origin na superfície da Lua. Gráfico: Blue Origin
Uma representação artística do lander lunar Blue Moon Mark 1 da Blue Origin na superfície da Lua. Gráfico: Blue Origin

Em uma declaração ao Spaceflight Now, um porta-voz da ULA disse que a Blue Origin realizará as modificações necessárias, embora os detalhes de como isso afeta o cronograma de lançamentos da ULA permaneçam incertos. A ULA tem gradualmente feito a transição para o foguete Vulcan, e qualquer atraso na disponibilidade do motor pode impactar seu manifesto. No entanto, as modificações são descritas como pequenas e rapidamente adaptáveis, o que pode minimizar a interrupção.

Olhando para o futuro

A investigação e a resposta da Blue Origin demonstram uma abordagem metódica para lidar com a falha. Ao identificar a causa raiz e implementar correções direcionadas, a empresa visa restaurar a confiança no veículo New Glenn e em seus motores BE-4. As próximas semanas serão críticas à medida que o hardware atualizado é fabricado e instalado, e à medida que a análise da árvore de falhas é concluída.

O incidente serve como um lembrete dos riscos inerentes ao voo espacial, particularmente durante testes em solo. Testes de fogo estático são projetados para descobrir tais problemas antes do lançamento, e embora a explosão tenha sido um revés caro, pode ter evitado uma falha mais catastrófica em voo. Enquanto a Blue Origin trabalha para retornar ao voo, a indústria espacial observará de perto como a empresa aplica essas lições às futuras missões.

Com os reparos no LC-36 progredindo e as modificações do motor no caminho certo, a Blue Origin está se posicionando para um forte retorno. O compromisso da empresa com a transparência, como evidenciado pelas atualizações detalhadas de Limp, é um bom presságio para sua reputação e sua capacidade de superar esse desafio.

Este artigo é baseado em reportagens da Spaceflight Now. Leia o artigo original.

Originally published on spaceflightnow.com