Além do Genoma

Cientistas estão lançando um esforço global sem precedentes para mapear o "exposoma humano" -- a totalidade de exposições ambientais e químicas que uma pessoa experimenta desde a concepção até a morte. Enquanto o Human Genome Project revolucionou a medicina ao catalogar nosso código genético, pesquisadores argumentam que o exposoma pode eventualmente se mostrar ainda mais importante para entender por que as pessoas ficam doentes. A genética representa apenas um estimado de 10 a 20 por cento do risco de doença, sendo fatores ambientais responsáveis pelo resto.

O Que o Exposoma Inclui

O exposoma humano abrange tudo que é externo e influencia a saúde: poluição do ar, resíduos de pesticidas, microplásticos, compostos dietéticos, hormônios do estresse, medicamentos, produtos químicos industriais, exposição à radiação, e milhares de outros fatores. Diferentemente do genoma, que é amplamente fixo ao nascer, o exposoma é dinâmico, mudando constantemente conforme uma pessoa se move através de diferentes ambientes, envelhece e muda comportamentos.

Mapear essa complexidade requer novas tecnologias capazes de detectar e quantificar milhares de compostos químicos simultaneamente a partir de amostras biológicas como sangue e urina. Os avanços recentes em mass spectrometry e biologia computacional tornaram esse tipo de análise ambiental abrangente viável pela primeira vez.

Uma Mudança de Paradigma na Medicina

A iniciativa do exposoma pode fundamentalmente mudar como as doenças são estudadas e prevenidas. Atualmente, a maioria da pesquisa de saúde ambiental examina um único produto químico ou exposição por vez, perdendo as interações complexas entre múltiplas exposições simultâneas que caracterizam as condições do mundo real. Uma abordagem exposômica captura a imagem completa, revelando como combinações de exposições interagem para aumentar ou diminuir o risco de doença.

Estudos preliminares do exposoma já produziram descobertas surpreendentes, vinculando combinações químicas anteriormente insuspeitas a condições incluindo doenças cardiovasculares, distúrbios neurodegenerativos, e certos cânceres. Pesquisadores acreditam que dados exposômicos abrangentes poderiam permitir estratégias de prevenção verdadeiramente personalizadas adaptadas ao perfil de risco ambiental específico de um indivíduo.

Desafios e Próximas Etapas

O projeto enfrenta desafios técnicos e logísticos enormes. O exposoma é várias ordens de magnitude mais complexo que o genoma, com milhões de interações químicas potenciais para catalogar. Coordenação internacional, protocolos de medição padronizados, e infraestrutura de dados em larga escala são todos necessários. Apesar desses obstáculos, cientistas envolvidos no esforço o descrevem como a próxima fronteira essencial na compreensão da saúde humana e da doença.

Este artigo é baseado em reportagem da ScienceDaily. Leia o artigo original.