O Problema dos Jardins 'Fotografados e Esquecidos'
Você provavelmente já viu isso antes: um jardim nativo começa exuberante e intencional, e então lentamente se desfaz. Um prado é tomado por ervas daninhas. Gramíneas nativas são cortadas até virar pequenos tocos tristes. Um jardim de polinizadores de alguma forma perde seus polinizadores no segundo ano. A visão estava lá. O acompanhamento não.
Haven Kiers, professora associada de arquitetura paisagística e design ambiental na UC Davis, tem um nome para esse fenômeno: 'fotografado e esquecido'. No último ano, ela se aprofundou em um dos cantos menos glamorosos de sua área: o que acontece com paisagens biodiversas depois que o designer faz as malas e vai embora. A resposta, ela descobriu, muitas vezes não é boa.
'Fazemos nossos projetos, a manutenção fica por talvez um ano, tiramos nossas fotos e então desaparece', disse Kiers. 'Sem essa manutenção de longo prazo, você não obtém o desempenho de longo prazo para o qual estamos projetando.'
Do Arboreto à Pesquisa: A Gênese de uma Ideia
A obsessão de Kiers pela manutenção começou no Arboreto e Jardim Público da UC Davis, onde trabalhar em estreita colaboração com as equipes de manutenção abriu seus olhos para um lado do design paisagístico que ela nunca tinha ouvido falar—as pessoas que tentam mantê-lo vivo. Essa experiência prática revelou a lacuna crítica entre as intenções do design e as realidades da manutenção.
Kiers agora ensina um curso de design no qual convida membros da equipe de manutenção para dar palestras sobre os erros que os designers cometem. Essa abordagem inovadora traz a perspectiva muitas vezes negligenciada da manutenção para a sala de aula, preparando futuros designers para considerar o ciclo de vida completo de seus projetos.
Resultados da Pesquisa: Design e Manutenção em Silos
Suas descobertas do último ano resultaram em um relatório produzido com a arquiteta paisagista Brenna Castro, de Sacramento, da Atlas Lab, e financiado pela Landscape Architecture Foundation. O trabalho se baseou em entrevistas e pesquisas com arquitetos paisagistas e profissionais de manutenção que trabalham em terras públicas biodiversas em todo o país.

Uma descoberta é ao mesmo tempo óbvia e universalmente ignorada: Design e manutenção existem em silos, e esses silos estão preparando os projetos para o fracasso. Essa desconexão significa que mesmo projetos bem-intencionados muitas vezes não têm o suporte necessário para prosperar ao longo do tempo.
Por que Paisagens Nativas e Biodiversas Falham
O problema se manifesta mais agudamente em grandes espaços públicos, como campi universitários ou parques urbanos, onde os orçamentos são escassos. As equipes de manutenção aprenderam seu ofício em paisagens convencionais—gramados bem cuidados, sebes aparadas e anuais sazonais—e muitas vezes não estão preparadas para cuidar de plantios nativos que exigem técnicas diferentes.
Por exemplo, gramíneas nativas devem ser cortadas apenas em certas épocas do ano para apoiar a vida selvagem, mas as equipes podem cortá-las na época errada, destruindo o habitat de insetos que passam o inverno. Da mesma forma, o que parece 'ervas daninhas' para um olho destreinado pode ser um componente essencial de um ecossistema de prado saudável.
A falta de comunicação entre designers e equipes de manutenção agrava o problema. Designers raramente fornecem planos detalhados de manutenção, e as equipes de manutenção raramente são consultadas durante a fase de design. Isso leva a mal-entendidos e cuidados inadequados que podem condenar um projeto.
A Importância da Manutenção de Longo Prazo
Kiers enfatiza que sem manutenção de longo prazo, os benefícios ecológicos das paisagens biodiversas—como apoiar polinizadores, melhorar a saúde do solo e reduzir o uso de água—são perdidos. 'Estamos projetando para desempenho, mas o desempenho requer cuidados contínuos', diz ela.
Sua pesquisa destaca que muitos projetos falham não por causa de um design ruim, mas por causa de manutenção inadequada. Ao abordar essa lacuna, podemos garantir que as paisagens biodiversas cumpram sua promessa e contribuam para os esforços de conservação.

Unindo a Lacuna: Educação e Colaboração
O trabalho de Kiers sugere várias soluções. Primeiro, os currículos de arquitetura paisagística devem incluir treinamento em manutenção, para que os designers entendam as implicações práticas de suas escolhas. Segundo, as equipes de manutenção devem ser envolvidas cedo no processo de design, fornecendo informações sobre viabilidade e cuidados de longo prazo.
Terceiro, os orçamentos para projetos públicos devem incluir provisões para manutenção de longo prazo, não apenas para a instalação inicial. Isso requer uma mudança na forma como os projetos são financiados e gerenciados, com maior ênfase na administração em vez da criação única.
Estudos de Caso e Exemplos do Mundo Real
O relatório inclui estudos de caso de todo o país, ilustrando tanto sucessos quanto fracassos. Em alguns casos, jardins nativos bem mantidos se tornaram habitats prósperos, atraindo uma diversidade de vida selvagem e servindo como modelos para paisagismo sustentável. Em outros, a negligência levou a paisagens degradadas que reforçam percepções negativas da jardinagem nativa.
Kiers espera que, ao compartilhar esses exemplos, ela possa inspirar uma nova abordagem ao design paisagístico que priorize a longevidade e a saúde ecológica.
Conclusão: Um Chamado à Ação
'Precisamos mudar a forma como pensamos sobre design paisagístico', diz Kiers. 'Não se trata apenas de criar uma imagem bonita; trata-se de promover ecossistemas que possam perdurar.' Sua pesquisa é um chamado à ação para designers, profissionais de manutenção e formuladores de políticas trabalharem juntos para salvar paisagens biodiversas—um jardim malcuidado de cada vez.
Ao reconhecer o problema e implementar soluções, podemos garantir que os jardins nativos que criamos hoje continuem a prosperar por gerações futuras.
Este artigo é baseado em reportagem da Phys.org. Leia o artigo original.
Originally published on phys.org







