Estudo relaciona crises de dor lombar crônica à rede de modo padrão do cérebro

Crises de dor lombar crônica desencadeadas pelo movimento podem envolver uma rede cerebral mais associada à autorreflexão e à divagação mental, segundo um estudo divulgado no British Journal of Anaesthesia.

O estudo examinou 114 adultos com dor lombar crônica usando ressonância magnética funcional, ou fMRI. Os pesquisadores descobriram que aumentos da dor induzidos pelo movimento estavam associados a uma maior atividade na rede de modo padrão do cérebro.

A descoberta é relevante porque a rede de modo padrão normalmente se torna menos ativa durante a dor aguda, como a dor temporária causada por tocar uma superfície quente ou bater o joelho. O resultado sugere que crises de dor crônica podem envolver processos além dos sistemas que detectam sensações dolorosas.

Um padrão diferente da dor aguda

A dor lombar crônica geralmente é definida como dor que dura pelo menos três meses e é uma das principais causas de incapacidade no mundo. Cientistas já associaram a dor crônica a mudanças na atividade cerebral, mas se sabe menos sobre o que ocorre quando movimentos cotidianos provocam uma piora súbita da dor persistente.

A rede de modo padrão é um conjunto de regiões cerebrais conectadas que permanece ativo durante o pensamento interno, incluindo a autorreflexão e a divagação mental. Na nova pesquisa, sua relação com a dor induzida pelo movimento foi inesperada, porque a dor aguda costuma estar associada à redução da atividade da rede.

A fMRI não mede diretamente a atividade neural. Em vez disso, acompanha mudanças no fluxo sanguíneo que os pesquisadores usam como indicador indireto da atividade cerebral. Essa distinção é importante na interpretação do trabalho: o estudo identifica uma associação entre as crises de dor e a atividade da rede, mas não demonstra que a rede cause a dor.

O que os resultados podem significar

A observação dos pesquisadores apoia a ideia de que a dor crônica pode ser processada de forma diferente da dor aguda e breve. Crises provocadas por ações comuns, como se abaixar ou levantar uma sacola de compras, podem envolver processos cerebrais ligados ao sentido interno de si da pessoa, além dos sistemas envolvidos na sensação de dor.

O estudo não estabelece um novo tratamento nem mostra que a rede de modo padrão seja a única explicação para a dor lombar crônica. Sua contribuição é delimitar a pergunta para pesquisas futuras ao identificar um padrão de rede cerebral ligado a episódios em que o movimento piora a dor persistente.

Limitações importantes

Estudos de imagens cerebrais podem revelar relações entre sintomas e padrões de atividade, mas não conseguem, sozinhos, determinar por que esses padrões ocorrem. Os resultados não devem ser interpretados como significando que a dor crônica nas costas é imaginária ou exclusivamente psicológica. As mudanças cerebrais relatadas fazem parte do processamento biológico observado durante as crises de dor.

Serão necessárias mais pesquisas para verificar se o achado aparece em outros grupos de pessoas com dor crônica, se muda ao longo do tempo e se pode orientar abordagens mais direcionadas para controlar crises provocadas pelo movimento.

  • A pesquisa incluiu 114 adultos com dor lombar crônica.
  • Os participantes passaram por fMRI durante a investigação da dor induzida pelo movimento.
  • O aumento da atividade da rede de modo padrão foi associado a crises de dor.
  • O estudo relata uma associação, não uma prova de causalidade.

Este artigo é baseado em reportagem da Live Science. Leia o artigo original.

Originally published on livescience.com