O Problema da Bacia do Suicídio

A cada verão, moradores perto do rio Mendenhall em Juneau, Alasca, observam a água. Quando o nível do rio começa a subir anormalmente rápido, eles sabem o que está acontecendo: a Bacia do Suicídio, um pequeno lago represado por um glacial cerca de cinco quilômetros a montante, rompeu. A água que se acumulou durante semanas atrás de uma barragem glacial agora desce rapidamente em cascata o que os glaciologistas chamam de enchente de ruptura de lago glacial — uma GLOF. Os eventos são imprevisíveis, poderosos, e conforme os glaciares do Alasca recuam sob temperaturas crescentes, eles estão se tornando mais frequentes.

A Bacia do Suicídio tornou-se um estudo de caso sobre o perigo crescente de lagos represados por glaciares, mas está longe de ser o único. Novas pesquisas examinando imagens de satélite nas regiões glaciadas do Alasca descobrem que a área coberta por lagos glaciais aumentou substancialmente nas últimas duas décadas, rastreando de perto a perda de massa dos glaciares. Conforme o gelo recua, deixa para trás um terreno cada vez mais propenso a capturar água de degelo — e liberá-la catastroficamente.

Como Funcionam as Enchentes de Ruptura

Lagos represados por glaciares se formam quando um glacial age como uma barragem natural, aprisionando água de degelo em bacias adjacentes ou subglaciais. A barragem de gelo pode falhar de várias maneiras: água quente pode derreter a base do glacial em um processo chamado drenagem subglacial; o nível de água do lago pode subir ao ponto em que flutua o glacial de seu leito; ou enfraquecimento estrutural pode permitir drenagem súbita.

Quando a barragem falha, a água armazenada pode ser liberada extremamente rapidamente — volumes que levaram semanas para se acumular podem drenar em horas, produzindo ondas de inundação muito maiores do que os rios da bacia de drenagem podem acomodar. As enchentes resultantes transportam sedimento, rochas e detritos com enorme força destrutiva. Em vales populosos, danificam pontes, estradas e edifícios; destroem habitat de peixes; e ameaçam vidas.

As Descobertas da Pesquisa

O novo estudo, utilizando registros de satélite de múltiplas décadas combinados com medições em solo de sites instrumentados, documenta tanto a expansão da área de lagos glaciais quanto as mudanças nas características de enchentes de ruptura. Entre as principais descobertas: a área total de lagos proglaciais e de margem de gelo no Alasca cresceu substancialmente, com os maiores aumentos concentrados onde o recuo dos glaciares foi mais rápido.

Importante notar, o estudo descobre que o tamanho do lago sozinho é insuficiente para prever quais lagos drenaram subitamente. Um pequeno lago em uma margem de gelo estruturalmente fraca pode produzir uma enchente perigosa; um grande lago com uma configuração de barragem mais estável pode drenar gradualmente. Isso torna a avaliação de risco particularmente desafiadora e fortalece o argumento para uma infraestrutura de monitoramento em tempo real: sensores de nível de lago, monitoramento GPS do movimento do glacial, e sistemas de aviso antecipado que podem dar às comunidades a jusante tempo suficiente para evacuar.

Este artigo é baseado em reportagem de Phys.org. Leia o artigo original.