Uma descoberta incomum na Aberdeen medieval

Arqueólogos e pesquisadores que estudam restos humanos de Aberdeen identificaram o que é descrito como a ponte dentária mais antiga do tipo conhecida na Escócia. O achado, uma mandíbula inferior de um homem de meia-idade que viveu há cerca de 500 anos, preserva um arame de ouro de 20 quilates enrolado em torno de dois dentes para vencer a lacuna deixada por um incisivo perdido.

A descoberta oferece um raro vislumbre do cuidado bucal no fim da Idade Média e das medidas que algumas pessoas talvez tenham tomado para lidar com dentes ausentes. Segundo o relato, a mandíbula foi recuperada em escavações em St. Nicholas East Kirk, em Aberdeen, um sítio de igreja que continha mais de 900 sepultamentos e milhares de ossos humanos. Embora a mandíbula não tenha sido encontrada dentro de um sepultamento completo, os pesquisadores puderam inferir pela forma do osso e pelo desgaste dos dentes que ela provavelmente pertencia a um homem de meia-idade.

O que a mandíbula revela

A mandíbula inferior preservava nove dentes e evidências de que o incisivo central inferior direito havia sido perdido durante a vida do homem. Os pesquisadores também encontraram sinais generalizados de saúde bucal precária, incluindo placa endurecida em todos os dentes, cáries em três dentes e doença periodontal associada à retração gengival. Nesse contexto, o arame de ouro se destacou como uma intervenção notável.

O arame, conhecido como ligadura, havia sido instalado ao redor de dois dentes adjacentes à lacuna. Os pesquisadores acreditam que ele provavelmente segurava um dente substituto, efetivamente criando uma ponte dentária inicial. Mesmo que o dente protético não tenha sobrevivido, a ligadura de ouro remanescente fornece evidência física direta de trabalho odontológico deliberado, e não de uma disposição acidental pós-morte.

Isso torna o achado significativo além de sua raridade. Ele sugere não apenas consciência da aparência ou da função dentária, mas também acesso a materiais e técnicas que exigiriam habilidade para serem aplicados. O ouro era valioso, maleável e resistente à corrosão, propriedades que ajudam a explicar seu uso em aplicações dentárias ao longo de diferentes períodos da história.