Promotores federais do Distrito Norte do Texas acusaram seis residentes permanentes legais e um imigrante indocumentado de depositar cédulas em eleições federais nos últimos oito anos, um caso que o Departamento de Justiça apresentou como um avanço significativo em sua repressão à votação por não cidadãos.

As acusações foram anunciadas na terça-feira por Ryan Raybould, procurador dos Estados Unidos para o Distrito Norte do Texas. Mais cedo naquele dia, o procurador-geral Todd Blanche havia alertado repórteres na Casa Branca para aguardarem o que descreveu como "um grande desdobramento" no esforço federal de processar a votação por não cidadãos.

Quando o anúncio finalmente chegou, os números por trás dele eram consideravelmente menores do que a expectativa sugeria. Seis das sete pessoas acusadas votaram na eleição geral de 2024, e duas dessas cédulas eram provisórias e nunca foram contadas.

Qual foi o peso real dos votos alegados?

Para dar escala, outros 11.388.670 texanos votaram naquela eleição. Donald Trump, cuja alegação infundada de que a votação por não cidadãos é generalizada ajudou a inspirar a investigação, venceu o estado por uma margem de 1.558.347 votos sobre sua rival mais próxima, Kamala Harris.

Das quatro cédulas que aparentemente foram contadas por erro, três foram depositadas por portadores de green card da Nigéria, da Índia e do México que podem ter acreditado equivocadamente que eram elegíveis para votar. A quarta veio de um imigrante indocumentado do México. Dois dos sete acusados de votar entregaram cédulas provisórias que as autoridades eleitorais acabaram não contando, deixando o efeito prático das cédulas restantes sobre qualquer disputa federal extremamente pequeno.

Os promotores não apresentaram evidências de que as cédulas tenham alterado o resultado de qualquer corrida eleitoral. As acusações, em vez disso, baseiam-se no próprio ato de votar por pessoas que não têm permissão para participar de eleições federais.

Detalhes principais em resumo

  • Sete pessoas foram acusadas: seis residentes permanentes legais e um imigrante indocumentado.
  • As alegações abrangem votação em eleições federais ao longo de aproximadamente oito anos.
  • Seis dos acusados votaram na eleição geral de 2024, e duas dessas cédulas eram provisórias e não foram contadas.
  • Quatro cédulas aparentemente foram contadas por erro, incluindo uma de um imigrante indocumentado do México.
  • Mais de 11,3 milhões de outros texanos votaram na eleição de 2024, que Trump venceu por uma margem superior a 1,5 milhão de votos.

Quem pode votar e quem não pode

Residentes permanentes legais estão impedidos de votar em eleições federais. Eles, no entanto, têm permissão para depositar cédulas em eleições locais no Distrito de Columbia e em certas jurisdições dentro de três estados: Califórnia, Maryland e Vermont. Esse mosaico de regras locais pode deixar alguns portadores de green card incertos sobre onde fica o limite, ainda que a proibição federal seja inequívoca.

As pessoas acusadas no Texas incluem portadores de green card que, segundo o relato apresentado pelos promotores, haviam obtido status de residente permanente legal antes de depositar cédulas que não tinham o direito de depositar. Um deles votou dois anos após receber o green card, de acordo com as alegações.

A screenshot from a Fox News report on the arrest of green-card holder in Texas accused of illegally voting in 2018.
A screenshot from a Fox News report on Tuesday, showing the arrest of green-card holder in Texas accused of illegally voting in 2018. Photograph: Fox News

Uma prisão filmada para a televisão

Embora o impacto dos votos tenha sido descrito como quase imensuravelmente pequeno, o governo enquadrou as acusações criminais contra esse punhado de eleitores inelegíveis como uma grande ação de fiscalização. Autoridades convidaram uma equipe da Fox News para registrar a prisão de um dos portadores de green card: um homem de 27 anos da Nigéria que teria votado em 2018, dois anos após se tornar residente permanente legal.

As imagens resultantes foram exibidas várias vezes na terça-feira na emissora. Após uma reportagem sobre a prisão, o apresentador da Fox Will Cain comentou com sarcasmo que lhe haviam dito "de forma confiável que isso nunca acontece", acrescentando: "Agora sabemos que pelo menos aconteceu sete vezes."

A decisão de envolver uma equipe de televisão ressaltou como o anúncio foi empacotado tanto para o consumo público quanto para o tribunal, com o teaser antecipado do procurador-geral criando expectativas para um desdobramento que, em números brutos, tocou uma fatia minúscula do eleitorado do Texas.

A alegação que impulsionou a investigação

A apuração remonta à afirmação de Trump de que a votação por não cidadãos é generalizada, uma alegação repetidamente contestada, mas que ainda assim moldou as prioridades da aplicação da lei federal. Esse enquadramento ajuda a explicar por que um anúncio envolvendo um punhado de cédulas foi pré-anunciado em termos geralmente reservados a casos de grande alcance.

Defensores dos processos argumentam que qualquer número de votos ilegais é demais e que a fiscalização dissuade violações futuras. Críticos rebatem que a disparidade entre a retórica em torno das acusações e seu peso eleitoral real corre o risco de inflar um problema que permanece raro, enquanto alimenta dúvidas sobre a integridade das eleições de forma mais ampla.

Outros fios de um dia movimentado de notícias

O anúncio do Texas ocorreu em meio a um dia de cobertura contínua sobre legislação e políticas eleitorais. Kash Patel, diretor do FBI, prestava depoimento a legisladores na comissão judiciária do Senado, parte de uma série mais ampla de desdobramentos em Washington envolvendo regras de votação, as próximas eleições de meio de mandato e a interseção entre política e inteligência artificial.

O que observar a seguir

Os sete réus agora seguem pelo sistema judiciário federal no Distrito Norte do Texas, onde as acusações serão testadas com base nas evidências, e não no enquadramento de um evento de imprensa. A agressividade com que o Departamento de Justiça perseguirá casos semelhantes — e como os promotores em outros distritos seguirão o exemplo — determinará se o anúncio de terça-feira se provará uma rodada isolada de acusações ou a abertura de uma campanha de fiscalização sustentada.

Por ora, o registro contém tanto as acusações quanto a aritmética: sete pessoas acusadas ao longo de oito anos, seis cédulas depositadas em 2024, duas delas nunca contadas, e quatro aparentemente contadas por erro dentro de um eleitorado de mais de 11 milhões de votantes.

Este artigo é baseado em reportagem do The Guardian. Leia o artigo original.

Originally published on theguardian.com