Sony abre uma frente maior na batalha de direitos autorais da música com IA

A Sony Music Entertainment entrou com uma nova ação contra a empresa de música por IA Udio, acusando a plataforma de infringir os direitos autorais de mais de 30 mil músicas. A petição amplia dramaticamente a escala das alegações da Sony e eleva as apostas em uma das mais importantes disputas jurídicas sobre como sistemas de IA generativa são treinados e comercializados.

Segundo a reportagem, a Sony afirma que as obras identificadas no novo caso vão de gravações clássicas como Hound Dog, de Elvis Presley, a hits contemporâneos associados a Beyonce e Harry Styles. A empresa argumenta que a lista representa apenas parte do material que acredita ter sido copiado e ingerido pelos modelos generativos da Udio.

A nova ação segue uma rodada anterior de litígios iniciada em 2024, quando a Sony se juntou à Universal Music Group e à Warner Records para processar a Udio e a também empresa de música por IA Suno. Aquele caso anterior tinha um escopo formal bem menor. Um juiz rejeitou a tentativa da Sony de acrescentar a lista muito maior de músicas à ação original, mantendo o processo centrado em 333 obras. Agora, a Sony transformou o conjunto mais amplo de reivindicações em uma ação separada.

Por que a nova ação importa

A escala por si só já torna a ação significativa. Sair de centenas de obras para mais de 30 mil muda a pressão jurídica e econômica sobre a ré. A Sony estaria buscando uma liminar para interromper a infração e indenizações estatutárias de até US$ 150 mil por obra. Mesmo considerando a diferença usual entre o máximo pleiteado e qualquer valor final, os números mostram como litígios de copyright podem se tornar existenciais para empresas de IA cujos produtos dependem de conjuntos de treinamento massivos.

Igualmente importante é o sinal processual. A Sony diz ter identificado as gravações adicionais depois de obter acesso aos dados de treinamento da Udio na fase de discovery e aplicar uma técnica de impressão digital de áudio. Isso sugere que o caso não é apenas uma disputa de política sobre fair use ou incentivos à inovação. Ele também está se tornando uma disputa técnica sobre rastreabilidade, procedência dos dados e as ferramentas probatórias que os detentores de direitos podem usar para ligar o treinamento do modelo a gravações específicas protegidas por copyright.

Para a indústria de IA mais ampla, isso é um desenvolvimento crucial. Muitos sistemas generativos foram construídos em um período em que a coleta em larga escala avançava mais rápido do que a clareza jurídica. Se os tribunais aceitarem métodos cada vez mais granulares para vincular entradas do modelo a obras-fonte protegidas, as empresas podem enfrentar mais pressão para documentar licenças, métodos de filtragem e práticas de tratamento de dados em muito mais detalhe do que esperavam.

O caso contra a Udio

A ação da Sony, como descrita no material de origem, argumenta que a Udio copiou e ingeriu gravações sonoras protegidas em seus modelos de IA. A empresa também aponta para uma declaração anterior atribuída à Udio, segundo a qual seus sistemas generativos teriam sido construídos mostrando ao programa uma enorme quantidade de gravações sonoras, incluindo material do YouTube.

Essa alegação vai ao centro da disputa. Geradores de música por IA não armazenam apenas músicas em uma biblioteca voltada ao consumidor; eles aprendem padrões estatísticos a partir de grandes coleções de gravações e depois geram saídas em resposta a prompts. A legislação de copyright ainda não resolveu totalmente como esse processo deve ser tratado quando as obras subjacentes não foram licenciadas. Titulares de direitos argumentam que copiar para treinar já é infração e que os sistemas resultantes podem ameaçar o mercado das obras originais. Desenvolvedores de IA costumam enfatizar transformação, progresso tecnológico e a distinção entre entradas de treinamento e saídas geradas.

A nova ação da Sony não encerra esse debate, mas o torna mais agudo. Ao anexar um vasto catálogo de músicas específicas à denúncia, a Sony torna o conflito mais concreto. Já não se trata apenas de um argumento abstrato sobre se modelos de música por IA aprenderam com gravações protegidas por copyright. É uma disputa sobre quais gravações, quantas e sob quais condições entraram no sistema.

Uma divisão no setor começa a aparecer

Um dos detalhes mais reveladores da reportagem é que a Universal Music Group e a Warner Music Group já fizeram acordo com a Udio e agora estão colaborando com a empresa. Isso marca uma divergência notável dentro da indústria musical. Em vez de manter uma frente única de litígio, grandes gravadoras parecem estar adotando posições diferentes sobre se empresas de música por IA devem ser combatidas, licenciadas, parceiras ou alguma combinação das três.

Essa divisão reflete a tensão mais ampla da indústria em torno da IA generativa. Empresas de entretenimento veem ao mesmo tempo ameaça e oportunidade. De um lado, há o risco de que sistemas de IA sejam construídos com material sem licença e inundem os mercados com obras imitativas. Do outro, existe a possibilidade de novas fontes de receita, novas ferramentas de produção e novas estruturas de licenciamento se as empresas de IA puderem ser integradas a um ambiente comercial controlado.

A nova ação da Sony mostra que a via de enforcement ainda está muito viva, mesmo enquanto alguns pares seguem em direção a acordos comerciais. Essa divergência pode moldar a próxima fase das negociações entre detentores de conteúdo e empresas de IA. Se algumas empresas fizerem acordos enquanto outras escalam o conflito, o mercado pode acabar com um modelo fragmentado, em que o acesso a catálogos depende de uma mistura de pressão judicial, alavancagem de licenciamento e estratégia específica de cada empresa.

Um teste decisivo para mídia generativa

A ação também é um caso de teste para uma questão mais ampla que vai muito além da música: até que ponto a economia da IA generativa depende de práticas de treinamento que os tribunais acabarão rejeitando ou restringindo. A música é um campo especialmente forte porque as gravações têm valor comercial, são tecnicamente identificáveis e estão ligadas a um sistema de licenciamento de longa data. Isso torna mais fácil formular a reclamação e mais difícil descartar a disputa como puramente teórica.

Se a Sony conseguir ampliar a exposição jurídica em torno dos dados de treinamento, as implicações podem se estender ao cinema, à publicação, à mídia visual e a outras áreas em que obras protegidas por copyright foram usadas para criar produtos de IA. Se a Udio vencer ou chegar a termos que normalizem o licenciamento em larga escala, isso pode acelerar a transição para um mercado negociado de direitos de treinamento.

Por enquanto, a conclusão prática é clara: a disputa legal sobre música gerada por IA não está encolhendo. Está se ampliando, ficando mais específica e cada vez mais ligada a provas extraídas dos próprios sistemas. A decisão da Sony de abrir uma ação separada sobre mais de 30 mil músicas sinaliza que a batalha de copyright em torno da mídia gerada por IA está entrando em uma fase mais decisiva.

Este artigo é baseado na cobertura do The Verge. Leia o artigo original.

Originally published on theverge.com