Ouvindo a ameaça
Soldados dos EUA estão sendo treinados para reconhecer drones pelo som durante exercícios de campo, um sinal de quão rapidamente as ameaças aéreas no campo de batalha estão remodelando hábitos básicos da infantaria. No recente exercício Project FlyTrap 5.0, liderado pelos EUA na Lituânia, as tropas praticaram detectar, rastrear e derrotar sistemas aéreos não tripulados de baixo custo, enquanto também aprendiam a distinguir os ruídos que diferentes drones produzem sobre suas cabeças.
O exercício ocorreu nas duas primeiras semanas de maio e refletiu lições tiradas da Ucrânia, onde a saturação de drones mudou o que os soldados precisam perceber e com que rapidez precisam reagir. Nesse ambiente, vasculhar o horizonte já não basta. As tropas estão sendo ensinadas a observar o céu e a interpretar o que ouvem antes mesmo de uma identificação visual ser possível.
Conhecimento de campo à frente da doutrina formal
O sargento de primeira classe Tyler Harrington, sargento de pelotão do 2nd Cavalry Regiment que liderou as táticas antidrone durante o exercício, descreveu a mudança em termos práticos durante uma mesa-redonda com a imprensa em 14 de maio. Segundo ele, os soldados agora precisam olhar para cima além de olhar para fora, e devem aprender se um som sugere um drone de reconhecimento ou um sistema de ataque de via única em sua direção.
Harrington disse que o Exército ainda não incorporou formalmente o treinamento auditivo sobre drones ao seu currículo padrão. Ainda assim, o Project FlyTrap parece estar funcionando como um campo de provas inicial para o conceito. Isso importa porque o som pode oferecer alerta quando a visibilidade é limitada, quando os drones são ocultados pelo terreno ou quando aeronaves pequenas são difíceis de ver até já estarem muito próximas.
Segundo Harrington, alguns drones de ataque de via única produzem um zumbido mais agudo e rápido, enquanto sistemas de reconhecimento podem soar mais planos e parecer estar mais altos no céu. Não é um método completo de detecção, mas é uma pista prática que pode ajudar as tropas a tomar decisões mais rápidas sob pressão.
A influência da Ucrânia no treinamento da OTAN
A abordagem espelha a experiência de combate na Ucrânia. A Breaking Defense citou reportagens anteriores segundo as quais forças ucranianas conseguiram identificar drones Shahed russos e iscas pelo som. Também citou conclusões do CBA Initiatives Center, um think tank sediado na Ucrânia, que argumentou que os recrutas agora precisam de memória muscular para o som de drones que se aproximam e devem reagir imediatamente quando alertados.
Essa é uma mudança notável na forma como as habilidades de combate modernas são definidas. Durante anos, as conversas sobre combate a drones se concentraram em radares, guerra eletrônica e interceptadores cinéticos. O que o FlyTrap destaca é o retorno de uma camada mais simples, mas essencial: os sentidos do soldado individual. Em um ambiente eletromagnético saturado, o primeiro alerta pode vir de um ouvido humano, e não de uma rede de sensores.
Por que isso importa agora
A ênfase em drones de baixo custo é especialmente significativa. Aeronaves não tripuladas baratas estão forçando as forças armadas a se preparar para contatos aéreos mais frequentes, em níveis mais baixos e em distâncias menores. Isso aumenta o valor de qualquer método que melhore a velocidade de reconhecimento, mesmo que seja informal ou aproximado.
O Project FlyTrap 5.0 também sugere que a prontidão antidrone está se ampliando de equipes especializadas para unidades regulares. Se se espera que soldados em patrulha detectem e classifiquem ameaças em tempo real, então habilidades de reconhecimento pela visão e pelo som passam a fazer parte da sobrevivência cotidiana, e não de uma especialidade de nicho.
O resultado é uma pequena, mas reveladora, mudança no treinamento militar. À medida que a guerra com drones se espalha, as tropas estão sendo ensinadas que o céu agora tem uma assinatura. Aprender a ouvi-la corretamente pode se tornar tão importante quanto aprender a enxergá-la.
Este artigo é baseado na reportagem da Breaking Defense. Leia o artigo original.
Originally published on breakingdefense.com

