O Typhoon está sendo posicionado como controlador de futuros ala-drones não tripulados
A BAE Systems está explorando como o Eurofighter Typhoon poderia dirigir aeronaves de combate colaborativas, ou CCA, como parte de um caminho mais amplo de modernização do caça e de uma ponte de longo prazo rumo ao programa Tempest, liderado pelo Reino Unido. O conceito, discutido por executivos da empresa no Farnborough Air Show, usaria o Typhoon como um nó de comando tripulado trabalhando ao lado de drones armados para aumentar o que autoridades descrevem como massa de combate em futuros espaços de batalha.
O momento é notável. O briefing ocorreu apenas uma semana depois de a Royal Air Force lançar sua nova iniciativa de CCA, chamada Storm Fighter, que pretende produzir drones capazes de operar com o Typhoon, o F-35 e, eventualmente, o Tempest. A BAE diz que seu trabalho de integração Typhoon-CCA acelerou nos últimos 12 meses, sugerindo que a integração entre tripulados e não tripulados está saindo de uma ambição ampla e entrando em uma trilha de capacidade mais concreta.
Para o Reino Unido, isso importa porque o Typhoon ainda deve permanecer central no planejamento do poder aéreo mesmo com o avanço do Tempest. Se a aeronave puder ser adaptada para controlar drones no estilo loyal wingman antes da chegada de plataformas de sexta geração, a Grã-Bretanha poderia colocar partes desse modelo de combate futuro em campo mais cedo e distribuí-las por várias frotas.
A lógica operacional é mais mísseis, mais persistência, mais alcance
A BAE Systems enquadrou a ideia em torno de um problema familiar no combate aéreo moderno: caças tripulados são caros, limitados em número e cada vez mais desafiados por ambientes de ameaça maiores e mais distribuídos. Adicionar drones colaborativos é uma forma de ampliar o alcance sem exigir que todo efeito de missão venha da cabine de um jato tripulado de alto valor.
Chris Moon, diretor de Capacidade Futura do Typhoon na BAE Systems, disse que o alcance do radar, a velocidade, a agilidade e o processamento a bordo do caça poderiam permitir que ele trabalhasse ao lado de CCAs e aumentasse a massa de combate disponível para as forças aéreas. Em termos práticos, isso significa que um Typhoon poderia ajudar a colocar mais armas em um combate, operar a distâncias maiores e sustentar presença por mais tempo do que conseguiria sozinho.
O texto de origem aponta especificamente para conceitos envolvendo CCAs armados com mísseis Meteor. Esse detalhe importa porque o Meteor é uma das principais armas ar-ar de longo alcance além do alcance visual da Europa. Associar drones a essa classe de míssil implicaria muito mais do que papéis de isca ou reconhecimento. Isso sugere uma futura estrutura de força na qual aeronaves não tripuladas podem contribuir diretamente para o inventário de mísseis ar-ar levado para o espaço aéreo contestado.
Mesmo na fase de conceito, isso muda a forma da discussão. Aeronaves colaborativas costumam ser apresentadas em termos abstratos de autonomia, capacidade de ser sacrificável ou extensão de sensores. Ligá-las a uma carga útil de mísseis de alto nível desloca o foco para a utilidade de combate imediata e para a profundidade do carregamento.

As atualizações do Typhoon são a camada habilitadora
A BAE diz que a capacidade de integração com drones deve se encaixar em um pacote mais amplo de melhorias do Typhoon dentro do programa Long-Term Evolution, ou LTE. Esse programa não trata apenas de adicionar um novo parceiro não tripulado. Ele também envolve dar ao Typhoon as ferramentas de sensoriamento, exibição e processamento necessárias para gerenciá-lo.
O texto de origem nomeia três elementos principais dessa evolução mais ampla: a cabine com grande área de display, o European Common Radar System Mk 2 e outras melhorias de sistema de missão de próxima geração. Em conjunto, essas atualizações apontam para o desafio central da integração entre tripulados e não tripulados. Um piloto de caça não consegue controlar outras aeronaves em combate de forma eficaz sem melhor desenho de interface, mais fusão de sensores e capacidade de processamento suficiente a bordo para analisar e apresentar a informação certa com rapidez.
O display de grande área é particularmente importante nesse contexto porque a integração com drones pode impor uma pesada carga cognitiva. Se o Typhoon vai atuar como uma aeronave coordenadora, como Moon sugeriu, a cabine precisa apoiar decisões de comando sem sobrecarregar o piloto. A atualização do radar é igualmente central. Um caça tripulado que consegue detectar, rastrear, classificar e distribuir informações de apontamento a maior alcance torna-se muito mais útil como controlador de ativos remotos.
Em outras palavras, o conceito de drone é inseparável do restante do pacote de modernização. O Typhoon não precisa apenas de um datalink para falar com CCAs. Ele precisa evoluir para um nó de gestão de batalha e de sensores que possa usar drones para ampliar seu próprio efeito de combate.
Um degrau para o Tempest, não um caminho separado
Uma das mensagens mais claras do briefing é que o trabalho Typhoon-CCA não está sendo perseguido como um conceito isolado. A BAE vinculou explicitamente isso ao Tempest, o futuro avião de combate projetado desde o início para operar de perto com drones. A experiência obtida na integração do Typhoon deve ser transferida para a plataforma posterior.
Isso faz sentido estrategicamente. O Tempest ainda é um programa de longo prazo, e as forças aéreas não podem se dar ao luxo de esperar sua chegada para aprender como comandar, confiar e empregar taticamente aeronaves colaborativas. Usar o Typhoon como plataforma inicial de experimentação e entrada em serviço oferece uma forma de construir doutrina, arquiteturas de software e interfaces homem-máquina agora, e não depois.

Isso também reduz o risco para o programa futuro. Conceitos que se mostrem inviáveis, excessivamente complexos ou operacionalmente frágeis podem ser identificados mais cedo. Conceitos que funcionem podem ser refinados antes de serem incorporados em um caça de próxima geração em escala maior e com custo mais alto.
O Storm Fighter mostra que a RAF quer uma abordagem para a frota inteira
O novo programa Storm Fighter da RAF reforça que esta não é apenas uma história do Typhoon. Segundo o texto de origem, a CCA resultante deverá ser capaz de entrar em combate com o Typhoon, o F-35 e o Tempest. Isso sugere que o Reino Unido quer um ecossistema de drones colaborativos que possa apoiar várias plataformas tripuladas, e não um complemento sob medida ligado a um único tipo de aeronave.
Essa abordagem tem vantagens práticas. Famílias compartilhadas de drones, sistemas de missão e conceitos de integração podem reduzir custos de integração e simplificar futuras atualizações. Também pode permitir que a RAF mova ativos não tripulados entre diferentes pacotes de força conforme a missão, seja defesa aérea, escolta, supressão ou apoio de ataque.
Ao mesmo tempo, um conceito multiplataforma eleva a exigência técnica. Interfaces, lógica de controle e fluxos de dados da missão terão de funcionar em aeronaves com sensores, cockpits e funções operacionais diferentes. O que parece eficiente no nível da frota pode se tornar difícil em termos de engenharia de sistemas.
O conceito avança, mas ainda é um conceito
A ressalva mais importante é que o trabalho da BAE continua na fase de concepção. A empresa diz que está investindo em aeronaves de combate colaborativas e, de forma mais ampla, na integração entre tripulados e não tripulados, e que o trabalho relacionado ao Typhoon acelerou. Mas não há indicação no texto de origem fornecido de que já exista um projeto operacional finalizado, uma decisão de produção ou uma capacidade em serviço.
Isso não torna o desenvolvimento trivial. Pelo contrário, o trabalho conceitual nesta fase ajuda a definir o que a aviação de combate futura realmente exigirá das aeronaves já em serviço. O papel possível do Typhoon como controlador de drones armados aponta para um futuro em que a superioridade aérea não depende apenas do desempenho de um único jato, mas de quão efetivamente uma aeronave tripulada consegue orquestrar uma rede mais ampla de sensores e atiradores.
Se esse modelo prevalecer, a importância do esforço britânico vai além de um caça ou de um programa de drone. Ele sugere que a transição para o combate aéreo colaborativo não está mais sendo reservada apenas às aeronaves de próxima geração. Ela está entrando na estrutura de força de hoje, na qual as forças aéreas tentam esticar alcance, inventário de mísseis e sobrevivência sem esperar pela chegada de frotas inteiramente novas.
Este artigo é baseado em reportagem de twz.com. Leia o artigo original.
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