Frota japonesa de Global Hawk cai de três para dois

A frota japonesa de drones de vigilância de alta altitude e longa endurance foi reduzida em um terço esta semana, quando um de seus três RQ-4B Block 30i Global Hawk caiu no Mar do Japão. A Força Aérea de Autodefesa do Japão (JASDF) confirmou a perda no dia seguinte, descrevendo uma aeronave que mergulhou na água após os controladores em terra perderem contato com ela sobre águas internacionais.

Para uma força que opera apenas três dessas aeronaves, a aritmética é dura. O Japão pagou cerca de US$ 163 milhões por célula para os drones fabricados pela Northrop Grumman, encomendados há quase uma década. O modelo confere a Tóquio o maior alcance de qualquer plataforma não tripulada, e com apenas dois restantes, a capacidade do país de sustentar vigilância contínua de alta altitude em várias direções ao mesmo tempo agora é mensuravelmente menor.

Como a perda se desenrolou

Segundo a JASDF, o drone decolou às 10h20 em uma missão não especificada. Cerca de duas horas e meia depois, às 12h55, os controladores perderam contato com a aeronave. Três minutos depois, sua assinatura de radar desapareceu — o indício final de que o Global Hawk havia caído sobre águas internacionais.

O serviço não caracterizou imediatamente o propósito do voo. O general Takehiro Morita, chefe do Estado-Maior da JASDF, disse apenas que a sortida não era um exercício de treinamento, deixando em aberto a questão de saber o que a aeronave tinha por missão observar.

Recuperação e identificação vieram rapidamente para os padrões das operações de busca marítima. Um helicóptero da Guarda Costeira do Japão localizou destroços na água apenas 50 minutos após a perda de contato, e outros meios posteriormente avistaram mais destroços e os fotografaram, permitindo que as autoridades identificassem positivamente a aeronave. Nenhuma causa do acidente foi divulgada.

Baseados no norte do Japão, observando dois vizinhos

Os Global Hawk são operados pelo 502º Esquadrão da JASDF a partir da Base Aérea de Misawa, no norte do Japão, uma localização que os coloca dentro de alcance útil de algumas das atividades mais observadas da região.

  • Coreia do Norte: uma missão permanente da frota japonesa é monitorar preparativos para lançamentos de mísseis.
  • China: os drones também são usados para vigiar movimentos militares chineses.
  • Endurance: o RQ-4B pode permanecer no ar por até 32 horas e subir até 60.000 pés, permitindo-lhe pairar muito acima da maioria das preocupações táticas e meteorológicas.

Essas características tornam a aeronave valiosa para observação persistente de ampla área, em vez de surtos curtos de cobertura tática. Perder uma célula não elimina essa capacidade, mas reduz quantas órbitas o Japão pode manter simultaneamente e com que rapidez pode deslocar a cobertura de um teatro para outro.

Sensores e uma ressalva de longa data

A configuração japonesa Block 30i carrega uma carga útil integrada construída em torno de um sensor eletro-óptico/infravermelho, um radar de abertura sintética e um indicador de alvos móveis terrestres. Juntos, esses sistemas permitem à aeronave imagear em luz do dia ou escuridão, enxergar através do clima e rastrear objetos em movimento no solo.

O Japão recebeu seu primeiro Global Hawk em março de 2022, com os dois restantes chegando mais tarde naquele mesmo ano — um cronograma de entrega que veio anos após a decisão original de compra. O programa foi controverso no Japão por duas razões principais: o custo unitário muito alto e o fato de que os Estados Unidos mantinham controle rígido sobre a tecnologia da aeronave e sobre como os dados que ela coletava eram processados. Esse arranjo deu a Tóquio uma plataforma de sensores capaz, mas menos autonomia sobre sua operação do que o preço poderia sugerir.

Uma mudança em direção aos SeaGuardian

A queda ocorre enquanto o Japão se move para ampliar seu inventário não tripulado e reduzir sua dependência de um punhado de células muito caras e rigidamente controladas. A Força Marítima de Autodefesa do Japão pretende colocar em serviço o primeiro de 23 MQ-9B SeaGuardian em 2027, e o projeto de orçamento de defesa de 2027 do Japão solicitou US$ 1,88 bilhão para as primeiras 17 dessas aeronaves.

Os SeaGuardian oferecem endurance e alcance menores que o Global Hawk, mas Tóquio planeja usá-los para consciência do domínio marítimo — patrulhando e levantando os mares ao redor do Japão. Eles absorverão algumas das missões hoje realizadas por aeronaves de patrulha marítima P-1 e P-3C Orion mais antigas, transferindo parte dessa carga de trabalho de aeronaves tripuladas para sistemas não tripulados. A transição reflete uma prioridade japonesa mais ampla em tecnologias não tripuladas, embora também signifique aceitar uma capacidade com menos alcance do que a plataforma que acabou de ser perdida.

Uma comunidade de Global Hawk que continua encolhendo

O Japão não é o único operador reavaliando o modelo. A Força Aérea dos EUA atualmente estaciona três RQ-4B Global Hawk na Base Aérea de Yokota, em Tóquio, tendo-os transferido de Guam em maio para evitar a temporada de tufões.

Washington havia planejado aposentar seus Global Hawk rapidamente, mas agora continuará operando-os até 2033. Além desse ponto, espera-se que a frota global seja muito pequena: três aeronaves na Coreia do Sul e duas no Japão. Para uma plataforma outrora apresentada como pedra angular da inteligência, vigilância e reconhecimento de alta altitude, os números contam uma história de recuo gradual.

As perguntas que permanecem

Os investigadores não identificaram publicamente o que derrubou o drone. A ausência de uma explicação imediata deixa várias possibilidades sem resposta, incluindo falha mecânica, perda de enlaces de controle ou outros problemas em voo. O que está claro é a consequência imediata: com dois Global Hawk restantes, a capacidade do Japão de manter no ar seus olhos não tripulados de maior alcance foi reduzida em um momento em que as demandas de vigilância regional mostram poucos sinais de arrefecimento.

Este artigo é baseado em reportagem da Defense News. Leia o artigo original.

Originally published on defensenews.com