A Bélgica avança rapidamente na defesa antidrone

A Bélgica abriu uma licitação de 1,1 bilhão de euros, cerca de US$ 1,3 bilhão, para sistemas antidrone, criando uma das competições de curto prazo mais relevantes da Europa em um segmento de defesa que se tornou urgente em todo o continente. A licitação, formalmente divulgada em 21 de abril, foi estruturada para cobrir 10 anos com opção de mais dois anos.

A contratação ocorre após voos de drones não identificados perto de bases militares belgas no fim do ano passado, uma sequência de incidentes que parece ter acelerado o apoio político para uma arquitetura nacional antidrone maior e mais duradoura.

Um amplo grupo de fornecedores interessados

Segundo o Ministério da Defesa da Bélgica, o ministro da Defesa Theo Francken se reuniu com a BAE Systems e a Shield AI durante uma visita aos EUA nesta semana. O ministério também informou que Anduril, CACI, Sentry View Systems, Saab e Hensoldt demonstraram interesse em apresentar propostas.

Essa lista mostra o quanto a competição se tornou atraente. A demanda antidrone agora abrange radar, sensores, comando e controle e tecnologias ativas de neutralização, e os governos estão cada vez mais buscando pacotes que possam evoluir com ameaças de drones em rápida mudança, em vez de comprar soluções pontuais isoladas.

O que a Bélgica diz que quer

Um porta-voz do ministério disse que a licitação combinará medidas ativas e passivas, incluindo sensores de detecção e um sistema de comando e controle. Francken também enfatizou que a Bélgica não quer comprar sistemas que se tornem inutilizáveis após um período curto, porque a tecnologia de drones está evoluindo rápido demais.

Esse ponto é crucial. O país não está apenas adquirindo hardware para o perfil de ameaça de hoje. Está tentando comprar um caminho de atualização, ou pelo menos uma estrutura mais duradoura, para um ambiente no qual sistemas aéreos de baixo custo e contramedidas evoluem rapidamente.

O contexto político por trás da compra

A Bélgica já havia anunciado, em dezembro, uma iniciativa menor de 50 milhões de euros envolvendo radares de vigilância da Saab e armas antidrone australianas, depois que atividade ilegal de drones foi registrada sobre Klein Brogel, uma base que, segundo relatos, abriga armas nucleares táticas dos EUA. O novo pacote é muito maior e indica que a medida de dezembro foi tratada como resposta imediata, e não como uma solução abrangente.

Francken descreveu o novo esforço como parte de um projeto inovador e o vinculou diretamente a uma necessidade crescente de capacidades tanto de drones quanto de antidrone. Seus comentários públicos sugerem que a Bélgica vê o tema não como uma compra nichada de defesa aérea, mas como uma exigência mais ampla de prontidão.

Por que isso importa agora na Europa

Os sistemas antidrone deixaram de ser ferramentas especializadas e passaram a ser prioridades centrais de defesa, à medida que os militares enfrentam tudo, desde voos de reconhecimento até possíveis ataques contra infraestrutura e bases. Na Europa, a pressão é ampliada pela guerra na Ucrânia, pela rápida adaptação tática em sistemas não tripulados e pelo reconhecimento de que muitos conceitos existentes de proteção de forças foram criados para ameaças aéreas mais antigas.

Assim, a licitação da Bélgica tem importância além do seu tamanho. Ela mostra como até estados europeus de médio porte estão reestruturando suas compras em torno de drones como um problema operacional persistente, e não como uma interrupção ocasional.

A competição provavelmente vai se concentrar tanto em integração quanto em hardware

Como a Bélgica quer medidas ativas e passivas, o caminho vencedor pode depender menos de um único sensor ou interceptor e mais de quão bem os fornecedores integram detecção, rastreamento, identificação e fluxos de comando. Um sistema fragmentado pode criar atrasos ou pontos cegos; um sistema coordenado pode transformar ferramentas dispersas em uma camada de defesa operacional.

O ministério não divulgou publicamente um cronograma para o contrato de produção, mas disse que pretende avançar com urgência. Essa urgência pode favorecer empresas capazes de mostrar arquiteturas maduras e um caminho claro de sustentação, em vez de apenas prometer demonstrações tecnológicas.

Um marcador para prioridades futuras de gasto

Essa licitação também é um sinal de onde os orçamentos de defesa europeus provavelmente continuarão crescendo. A capacidade antidrone agora está na interseção entre defesa aérea, segurança de bases, guerra eletrônica e sistemas de comando. Programas grandes nessa área tendem a se tornar mais comuns, não menos, especialmente à medida que os governos tentam proteger instalações militares e infraestrutura crítica de ameaças aéreas baratas e adaptáveis.

A competição belga traduz essa mudança em termos de dólares. Um pacote de US$ 1,3 bilhão dedicado a sistemas antidrone não é uma compra secundária. É uma declaração de que ameaças não tripuladas se tornaram um problema central de planejamento e de que comprar defesas contra elas é agora uma prioridade estratégica de longo prazo.

Este artigo é baseado em reportagem da Breaking Defense. Leia o artigo original.

Originally published on breakingdefense.com