Um novo programa de mísseis está saindo do conceito para a escala

A Força Aérea dos EUA se prepara para uma grande expansão de um programa de míssil de cruzeiro de baixo custo que pode remodelar sua forma de pensar sobre massa, acessibilidade e capacidade de ataque. De acordo com documentos orçamentários recém-divulgados do ano fiscal de 2027, o serviço pode comprar quase 27.000 unidades de sua Family of Affordable Mass Missile, ou FAMM, nos próximos anos, enquanto gasta mais de 12 bilhões de dólares para ampliar o estoque.

Essa escala chama atenção mesmo em um ambiente do Pentágono já focado na produção de munições. Os documentos sugerem que a Força Aérea vê a FAMM não como um experimento de nicho, mas como uma arma de alto volume destinada a complementar ou compensar a dependência de sistemas mais caros.

Os planos de aquisição mostram uma aceleração agressiva

O perfil orçamentário descrito pela Breaking Defense é incomumente explícito. Após o início da aquisição no ano fiscal de 2026, a Força Aérea busca 300 milhões de dólares em financiamento de reconciliação no ano fiscal de 2027 para comprar 1.000 mísseis. Depois, a curva de crescimento se acentua fortemente: 5.300 são projetados para o ano fiscal de 2028, com quantidades anuais continuando a subir até que a produção atinja 7.990 no ano fiscal de 2031, o último ano mostrado na previsão de cinco anos.

Esses números tornam a FAMM notável não apenas por seu objetivo de acessibilidade, mas pela escala industrial por trás dela. Na aquisição moderna de armas nos EUA, a quantidade muitas vezes é limitada pelo custo, pela complexidade da produção ou por ambos. A FAMM parece ter sido projetada para quebrar esse padrão.

Como se compara com outras compras de mísseis

O contraste com outras munições da Força Aérea é revelador. O Joint Air-to-Surface Standoff Missile, uma arma de ataque de longo alcance muito mais sofisticada, está projetado em uma taxa anual de aquisição de 860 unidades nos anos seguintes. O Advanced Medium Range Air-to-Air Missile aparece estabilizando em 720 por ano a partir do ano fiscal de 2028.

Os números projetados da FAMM superam amplamente essas taxas. Isso não significa que ela substitui essas armas. Mas sugere um papel operacional diferente: um baseado em volume acessível, estoque ampliado e capacidade de sustentar grandes salvas ao longo do tempo.

O que se sabe sobre o programa

As autoridades da Força Aérea mantiveram muitos detalhes da FAMM em sigilo, mas alguns elementos agora são públicos. Documentos orçamentários identificam Anduril, CoAspire e Zone 5 como fornecedores ativos, especialmente para uma versão “lugged” da arma que pode ser transportada por caças e bombardeiros. Os documentos não detalham valores contratados ou participações de produção por empresa.

O programa também parece ter evoluído de um esforço anterior conhecido como Enterprise Test Vehicle. Segundo um representante da Anduril citado anteriormente pela Breaking Defense, a Força Aérea estabeleceu a FAMM como um programa de registro com base no trabalho feito sob aquela iniciativa anterior. O que originalmente era concebido como uma munição paletizada também deve ser adaptado para uma configuração lugged.

A Força Aérea divulgou publicamente um teste da FAMM lugged em 13 de abril, embora o artigo indique que o serviço não forneceu todos os detalhes no trecho fornecido aqui.

Por que os números importam

A importância da FAMM está no que ela diz sobre as prioridades de desenho de força dos EUA. Um míssil comprado às dezenas de milhares aponta para demanda por poder de fogo descartável e escalável, e não apenas por pequenos estoques de armas premium. Isso tem implicações para o planejamento de campanhas aéreas, logística e prontidão industrial.

Também reflete uma preocupação estratégica mais ampla, agora visível em todo o Pentágono: se os Estados Unidos conseguem gerar munições suficientes a custo aceitável em um conflito prolongado de alto nível. Buscar autoridade de aquisição plurianual para a FAMM sugere que a Força Aérea quer previsibilidade e volume de produção, ambos centrais para construir estoques rapidamente.

Uma teoria diferente de inventário de poder aéreo

Durante anos, os debates sobre armamentos avançados frequentemente se concentraram em alcance, sobrevivência e sofisticação. A FAMM acrescenta outro eixo a essa conversa: quantidade. Um míssil de cruzeiro de menor custo comprado em escala pode permitir à Força Aérea distribuir o risco de forma diferente, preservar armas de alta ponta e escassas para alvos seletos e criar pressão pelo simples volume.

Se a base industrial conseguirá sustentar as taxas de produção projetadas é uma questão à parte. O impulso mais amplo do Pentágono para a compra de mísseis já levantou preocupações sobre capacidade de fabricação e resiliência da cadeia de suprimentos. Mas a intenção da Força Aérea agora está visível em forma de orçamento, e é difícil errar isso.

A FAMM já não é apenas um conceito emergente ligado a algumas divulgações de testes e a poucos comentários oficiais. Ela está se tornando uma grande linha de aquisição e, potencialmente, um dos sinais mais claros até agora de que o serviço está tentando comprar não apenas capacidade de elite, mas massa acessível.

Este artigo é baseado na cobertura da Breaking Defense. Leia o artigo original.

Originally published on breakingdefense.com