A defesa a laser está deixando de ser apenas uma arma contra drones e virando um problema de drones

Durante anos, os planejadores militares trataram os lasers de alta energia principalmente como uma forma de derrubar drones. O apelo básico é evidente: um feixe capaz de entregar energia destrutiva à velocidade da luz, com estoques limitados mais por potência e gestão térmica do que por munição convencional. Os Estados Unidos investiram pesadamente nesse lado ofensivo da equação.

O que foi dedicado muito menos tempo a considerar, segundo o material de origem, é o problema inverso: o que acontece quando adversários podem usar lasers contra drones dos EUA. Essa lacuna está se tornando mais difícil de ignorar à medida que outros países colocam em campo ou ampliam arsenais de energia dirigida. O texto de origem aponta especificamente para o crescente inventário chinês de armas a laser, supostamente capaz de destruir drones a distâncias de até 25 quilômetros, para o sistema Peresvet da Rússia e para uma proliferação mais ampla por meio de desenvolvimento doméstico e mercados de exportação.

A resposta emergente dentro do ecossistema de defesa dos EUA tem um nome: armas contra energia dirigida, ou CDEW. O campo ainda está em fase inicial. O texto de origem diz que não há conhecimento público de qualquer sistema CDEW dedicado em operação, e grande parte do trabalho ainda é conceitual. Ainda assim, um estudo de 2023 no Journal of Directed Energy, feito por pesquisadores da Naval Postgraduate School dos EUA, oferece uma das visões públicas mais claras sobre o que pode estar envolvido na defesa de um drone contra um ataque a laser.

Por que os drones estão especialmente expostos

A equipe da Naval Postgraduate School se concentrou em veículos aéreos não tripulados navais, o que faz sentido tanto por razões operacionais quanto de engenharia. Os drones são construídos para operar perto do perigo, e muitos estão cada vez mais sendo projetados para serem consumíveis em vez de fortemente protegidos. Essa combinação cria uma vulnerabilidade óbvia a uma arma otimizada para entrega sustentada de energia.

Diferentemente de um navio de guerra ou de um veículo blindado terrestre, a maioria dos drones não carrega blindagem significativa. Seu apelo vem da persistência, do alcance, da flexibilidade e, muitas vezes, do menor custo por unidade. Essas mesmas características os deixam expostos quando um sistema hostil pode manter o feixe sobre componentes críticos por אפילו um curto período. O material de origem observa que a mesma lógica de ameaça a laser se aplica mais amplamente a aeronaves tripuladas, navios, mísseis, satélites e veículos terrestres, mas os drones estão na ponta mais vulnerável do espectro de risco.

Para examinar essa vulnerabilidade, os pesquisadores avaliaram quatro sistemas representativos: o MQ-4C Triton como um grande drone de vigilância marítima de ampla área, o demonstrador X-47B como um grande drone de combate, o MQ-8C Fire Scout como uma plataforma de rotor de Grupo 4 e um pequeno drone tático ISR de Grupo 2 associado a operações do tipo ScanEagle. A conclusão foi dura. Contra um laser de 100 quilowatts e sem contramedidas, três dos quatro drones foram considerados destruídos após apenas alguns segundos de irradiação.

Apenas a grande plataforma de vigilância de alta altitude sobreviveu no cenário modelado, e isso em grande parte por causa da distância. Operar em altitude extrema e a distâncias muito longas da ameaça reduziu a energia entregue ao alvo o suficiente para preservar a aeronave. Esse resultado destaca um fato básico do combate por energia dirigida: geometria e alcance são tão importantes quanto a potência nominal da arma.

As contramedidas provavelmente serão em camadas, não únicas

O material de origem sugere que defender drones contra lasers não dependerá de um único revestimento milagroso ou de um ajuste simples de design. Como os lasers perdem eficácia com a distância e são influenciados pelas condições operacionais, a sobrevivência passa a ser um problema de sistemas. Os projetistas talvez precisem pensar em termos de defesas em camadas que combinem design da plataforma, táticas e planejamento de missão.

Mesmo dentro do quadro público limitado, a implicação é clara. Drones maiores, com altitude, distância de separação ou perfis de missão que os mantenham mais longe de uma fonte laser, podem ter vantagem significativa. Drones menores, especialmente os que precisam operar perto da ameaça, enfrentam margens de sobrevivência muito mais estreitas. Isso é um problema sério porque muitos conceitos militares atuais dependem exatamente desses sistemas menores e de menor custo para fornecer reconhecimento, sensoriamento ou massa em ambientes contestados.

A importância de CDEW, então, não é apenas técnica. Ela alcança a estrutura de forças e a aquisição. Se os drones se tornarem centrais para operações navais e conjuntas, e se adversários puderem queimá-los em segundos, as premissas de sobrevivência terão de mudar. Comandantes talvez precisem tratar a exposição à energia dirigida como uma ameaça de base, da mesma forma que radar, interferência eletrônica ou defesa antimísseis moldaram gerações anteriores de projetos de plataformas.

Um novo problema de planejamento para a guerra centrada em drones

O artigo de origem apresenta isso como uma questão negligenciada, mas cada vez mais urgente. Esse enquadramento importa porque a guerra com drones costuma ser discutida em termos de autonomia, enxames, guerra eletrônica e defesa aérea cinética. A vulnerabilidade a laser adiciona outra camada, menos visível do que uma interceptação por míssil, mas potencialmente tão consequente quanto. Uma arma capaz de engajar rapidamente e repetidamente sem gasto tradicional de munição poderia exercer pressão contínua sobre frotas de drones, especialmente em operações marítimas em que as linhas de visada podem ser favoráveis.

O desafio do Exército dos EUA é que a defesa contra laser ainda não parece madura em público. Se não houver um sistema dedicado em operação pública, então a tarefa de curto prazo provavelmente será uma mistura de análise, prototipagem e adaptação doutrinária. O estudo da Naval Postgraduate School oferece um quadro para esse trabalho ao ancorar o problema em classes representativas de drones e em um modelo de ameaça específico, em vez de discutir guerra a laser apenas em termos abstratos.

Isso, por si só, já é significativo. A inovação em defesa muitas vezes trava quando uma ameaça continua conceitual demais para moldar escolhas de aquisição. Ao mostrar com que rapidez vários drones representativos poderiam ser perdidos para um laser de 100 quilowatts sem contramedidas, o estudo dá aos planejadores algo concreto para responder. Ele transforma uma preocupação futurista em uma exigência de engenharia e operação.

A implicação mais ampla é que a era dos drones está amadurecendo para uma disputa de contramedidas. Estruturas aéreas baratas, autonomia e massa continuam importantes, mas a resiliência contra formas cada vez mais diversas de ataque também. Quanto mais as armas a laser se espalharem, menos viável se torna supor que drones possam sobreviver apenas por serem pequenos, numerosos ou descartáveis.

Para o Pentágono, isso significa que a competição a laser já não diz respeito apenas a colocar em campo seus próprios feixes. Trata-se também de proteger os drones dos quais as operações militares modernas dependem cada vez mais. As evidências públicas ainda são preliminares, e grande parte do trabalho continua conceitual. Mas a direção estratégica é inequívoca: em um campo de batalha moldado pela proliferação de armas de energia dirigida, a sobrevivência dos drones está se tornando um problema central de projeto, e não uma reflexão tardia.

Este artigo é baseado em reportagem da Fast Company. Leia o artigo original.

Originally published on fastcompany.com