De Chamadas para Cognição

Quando o engenheiro da Motorola Martin Cooper fez a primeira chamada de telefone celular pública em abril de 1973, a tecnologia que estava demonstrando era apenas uma ferramenta de comunicação, nada mais. Cinquenta anos de evolução sem fio depois, a rede que carrega chamadas, textos e dados se transformou em algo muito mais complexo: uma plataforma de sensoriamento distribuída capaz de detectar movimento, mapear ambientes, monitorar saúde e rastrear ativos físicos em todo o mundo.

A retrospectiva de IEEE Spectrum sobre quatro décadas de padronização sem fio rastreia essa transformação das primeiras redes analógicas dos anos 1980 até o atual rollout de infraestrutura 5G e as especificações emergentes para 6G, mapeando como cada geração sucessiva adicionou não apenas mais largura de banda, mas capacidades fundamentalmente novas que redefiniam o que é uma rede sem fio e o que ela pode fazer.

O Arco Geracional

As redes analógicas de primeira geração (1G) eram apenas voz, sem criptografia digital e sem capacidade de dados. As redes digitais de segunda geração (2G) adicionaram mensagens SMS e dados rudimentares. As redes de terceira geração (3G), sendo implantadas a partir de 2001, permitiram acesso à internet móvel em velocidades que tornaram a navegação e os primeiros aplicativos de smartphone práticos. A quarta geração (4G) LTE foi o avanço que tornou possível a economia moderna de smartphones — streaming de vídeo, aplicativos de compartilhamento de caronas, plataformas de entrega de alimentos e pagamentos móveis dependem de todas as características de largura de banda e latência que 4G permite.

As redes de quinta geração (5G), em rollout global ativo desde 2019, representam um salto tecnológico mais complexo. Além das melhorias de largura de banda bruta, 5G apresenta comunicações ultra-confiáveis de baixa latência para aplicações industriais e críticas de segurança, comunicações massivas de tipo máquina para implantações de IoT conectando milhões de dispositivos por quilômetro quadrado, e slicing de rede que permite uma única infraestrutura física suportar múltiplas redes virtuais com características de desempenho diferentes simultaneamente.