Um novo estudo mira a resistência ao desestabilizar o próprio sistema de reparo
Um dos problemas mais difíceis no tratamento do câncer não é a resposta inicial à terapia, mas o que acontece depois. Tumores que são vulneráveis no início muitas vezes se adaptam, restaurando as funções biológicas que um medicamento foi projetado para explorar. Um novo estudo do Instituto de Ciências Básicas e colaboradores propõe outra forma de enfrentar esse problema: em vez de tentar superar tumores resistentes com novas mutações ou novas classes de alvos, destruir a maquinaria que lhes permite reparar o dano ao DNA desde o início.
O trabalho se concentra em uma pequena molécula chamada UNI418. Em experimentos descritos na Nature Communications, os pesquisadores descobriram que a UNI418 causou reduções substanciais em proteínas-chave de reparo do DNA, incluindo RAD51 e CHK1. Sem essas proteínas, as células cancerosas perderam grande parte da capacidade de lidar com o dano ao DNA de forma eficiente.
Por que o reparo do DNA importa na terapia contra o câncer
Muitos tratamentos oncológicos dependem, direta ou indiretamente, do fato de que as células tumorais estão sob constante estresse genômico. Se danos suficientes se acumulam, as células morrem. Mas os tumores sobrevivem ao ativar e restaurar vias de reparo. Uma das mais importantes é a recombinação homóloga, um mecanismo de alta precisão usado para corrigir DNA quebrado.
É por isso que terapias como os inibidores de PARP têm sido eficazes em certos cânceres: elas exploram defeitos no reparo do DNA. O problema é que os tumores podem evoluir em torno dessas vulnerabilidades. Com o tempo, alguns cânceres recuperam a capacidade de reparo e param de responder.
O novo estudo aborda essa resiliência por um ângulo diferente. Em vez de se concentrar principalmente em quais genes estão mutados, os pesquisadores perguntaram se o aparato de reparo poderia ser desestabilizado no nível da proteína.



