Vacinas contra o câncer entram em uma nova era de promessa
A mesma tecnologia mRNA que permitiu que as vacinas COVID-19 fossem desenvolvidas e implantadas com velocidade sem precedentes agora está sendo aplicada a um dos alvos mais desafiadores da medicina: o câncer. Cientistas de múltiplas instituições de pesquisa e empresas farmacêuticas estão fazendo progresso rápido em direção a vacinas mRNA personalizadas contra o câncer que poderiam fundamentalmente mudar como certos tumores são tratados e potencialmente prevenidos.
Ao contrário das vacinas tradicionais que protegem contra doenças infecciosas, as vacinas contra o câncer funcionam treinando o sistema imunológico para reconhecer e atacar assinaturas moleculares específicas encontradas nas células cancerosas. A abordagem mRNA permite um grau notável de personalização: sequenciando o tumor de um paciente e identificando as mutações específicas que distinguem as células cancerosas do tecido saudável, os pesquisadores podem projetar uma vacina mRNA personalizada que estimule o sistema imunológico a atacar o perfil específico de câncer daquele indivíduo.
Como funcionam as vacinas mRNA personalizadas contra o câncer
O processo começa com o sequenciamento de próxima geração de uma biópsia de tumor. Algoritmos de bioinformática analisam os dados de sequenciamento para identificar neoantigens — fragmentos de proteína produzidos por mutações específicas do tumor que não estão presentes em células normais. Uma sequência mRNA codificando esses neoantigens é então sintetizada, encapsulada em nanopartículas lipídicas e administrada ao paciente. As células do paciente absorvem o mRNA e produzem proteínas neoantigen, que as T cells e B cells do sistema imunológico aprendem a reconhecer e atacar.
Onde se encontra a evidência
Os resultados clínicos mais avançados vêm do programa mRNA-4157/V940 da Moderna e Merck, que visa o melanoma em combinação com Keytruda (pembrolizumab), um medicamento immunotherapy estabelecido. Os resultados da Phase 2b mostraram uma redução de 44% no risco de recorrência ou morte em pacientes com melanoma de alto risco, comparado ao Keytruda sozinho. Ensayos de Phase 3 agora estão em andamento em múltiplos tipos de câncer.
BioNTech está executando programas paralelos direcionados ao câncer colorretal, câncer de pâncreas e vários outros tumores sólidos. Os primeiros resultados em câncer de pâncreas — historicamente um dos cânceres mais letais e mais resistentes ao tratamento — têm sido particularmente encorajadores, com alguns pacientes mostrando respostas imunológicas sustentadas anos após a vacinação.
O obstáculo da desinformação
O progresso no laboratório está ocorrendo contra um pano de fundo de intenso ceticismo público em relação à tecnologia mRNA que foi plantado durante a pandemia COVID-19 e persiste desde então. A desinformação afirmando que as vacinas mRNA alteram DNA, contêm microchips ou produzem mudanças fisiológicas permanentes foi amplificada em plataformas de mídia social e reduziu visivelmente a confiança pública em intervenções baseadas em mRNA.
Para as vacinas contra o câncer especificamente, a dinâmica de desinformação é particularmente prejudicial: pacientes que poderiam se beneficiar de tratamentos potencialmente salvadores de vidas estão recusando participação em ensayos clínicos ou adiando decisões de tratamento com base em informações falsas sobre como a tecnologia mRNA funciona. Oncologistas relatam encontrar resistência significativa, até mesmo entre pacientes com doença avançada que têm opções de tratamento limitadas.
Comunicadores científicos e organizações de defesa de pacientes iniciaram iniciativas para preencher essa lacuna, enfatizando que as vacinas mRNA contra o câncer funcionam pelos mesmos mecanismos que todas as vacinas — treinando o sistema imunológico para reconhecer um alvo — sem interação com DNA celular.
Este artigo é baseado em reportagem de Medical Xpress. Leia o artigo original.


