A imagem PET do cérebro está assumindo um papel mais prático no atendimento de pessoas consideradas para receber medicamentos mais novos contra o Alzheimer. No congresso de 2026 da European Association of Nuclear Medicine, em Viena, especialistas discutirão as primeiras experiências do uso rotineiro de exames PET de amiloide e tau, que podem revelar alterações biológicas associadas à doença e ajudar médicos a adaptar as decisões de tratamento.

A mudança é importante porque os anticorpos monoclonais antiamiloide são destinados à doença de Alzheimer, não a todas as formas de demência. A demência afeta cerca de 57 milhões de pessoas no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde, e o Alzheimer responde por aproximadamente 60% a 70% dos casos. Estabelecer a patologia subjacente é, portanto, essencial para decidir se uma pessoa é uma candidata plausível a uma terapia direcionada.

Confirmar a patologia amiloide antes do tratamento

Os exames PET de amiloide usam traçadores direcionados para visualizar depósitos de amiloide no cérebro. Matthias Brendel, vice-diretor do Departamento de Medicina Nuclear da LMU Munich, disse que os exames podem ajudar a determinar se uma pessoa com demência tem doença de Alzheimer ou outra forma de demência.

Essa distinção ganhou importância com a chegada de anticorpos direcionados à beta-amiloide, incluindo lecanemab e donanemab. O material de origem informa que a FDA e a European Commission aprovaram esses medicamentos nos últimos anos e que eles só podem ser eficazes quando a doença de Alzheimer está presente.

Os médicos também podem usar biomarcadores sanguíneos e testes do líquido cefalorraquidiano para apoiar o diagnóstico. Mas Brendel afirmou que esses testes podem deixar incertezas em alguns casos e recomenda a imagem PET de amiloide para confirmar a patologia antes do início do tratamento. Nesse enquadramento, o exame não é simplesmente uma imagem adicional: é uma forma de combinar um diagnóstico biológico com uma terapia desenvolvida em torno dessa biologia.

Imagem para a medicina de precisão

A PET faz parte de uma abordagem mais ampla da medicina nuclear, na qual traçadores direcionados tornam visíveis funções e alvos biológicos. Brendel descreveu a imagem molecular como importante para a medicina de precisão porque permite aos médicos caracterizar a doença e adaptar o cuidado a cada paciente.

Na doença de Alzheimer, essa abordagem separa duas perguntas relacionadas, mas distintas. Uma é se a patologia amiloide está presente e se um medicamento antiamiloide é apropriado. A outra é até que ponto a doença pode ter avançado e o que isso pode significar para o prognóstico. A imagem PET de tau pode acrescentar informações sobre progressão e prognóstico, complementando a imagem de amiloide em vez de substituí-la.

Essa distinção é significativa porque os sintomas de demência, sozinhos, não estabelecem o processo biológico preciso que ocorre no cérebro. A imagem pode oferecer aos médicos uma visão direta de um alvo associado à doença, ajudando a fundamentar as decisões terapêuticas em evidências mais específicas do que os sintomas isolados.

Monitoramento passa a fazer parte da discussão

A reunião da EANM também examinará o monitoramento terapêutico. A PET de amiloide pode ajudar a mostrar como o tratamento está funcionando, enquanto a PET de tau fornece contexto adicional sobre a progressão da doença. O material não apresenta a PET como uma resposta independente para todos os pacientes ou todas as questões clínicas. Em vez disso, descreve um papel crescente ao lado de outras ferramentas diagnósticas e do julgamento clínico.

Essa integração prática provavelmente será a questão central à medida que os medicamentos antiamiloide avancem na assistência clínica. Um percurso terapêutico precisa identificar pessoas cuja biologia da doença corresponda ao medicamento, avaliar cada caso antes da terapia e acompanhar a condição ao longo do tempo. A imagem PET está sendo considerada cada vez mais em todas essas etapas.

O que as discussões de Viena indicam

O congresso, realizado de 17 a 21 de outubro, é apresentado como um fórum para especialistas compartilharem as primeiras experiências com PET de amiloide e tau no uso clínico rotineiro. A ênfase reflete uma transição: da discussão da imagem molecular principalmente como capacidade de pesquisa para a avaliação de como ela se encaixa em decisões reais de tratamento.

A mensagem imediata é ponderada: a imagem PET pode ajudar a confirmar a patologia amiloide, apoiar decisões sobre medicamentos antiamiloide e fornecer informações sobre progressão e prognóstico. Seu uso crescente reflete a natureza cada vez mais específica do tratamento do Alzheimer, no qual determinar a biologia por trás da demência de uma pessoa é um passo essencial antes de selecionar um medicamento direcionado.

Este artigo é baseado em uma reportagem da Medical Xpress. Leia o artigo original.

Originally published on medicalxpress.com