A rede elétrica dos EUA está sendo solicitada a planejar mais à frente

A Ordem 1920 da Comissão Reguladora Federal de Energia está surgindo como uma mudança de política relevante na forma como o sistema de transmissão dos EUA planeja crescimento, confiabilidade e incerteza. A regra exige que os operadores de transmissão realizem um planejamento regional de longo prazo com horizonte de pelo menos 20 anos, atualizem esses planos a cada cinco anos e testem múltiplos cenários plausíveis usando os melhores dados disponíveis. Na prática, isso empurra o planejamento da rede para longe de exercícios de curto prazo e voltados para dentro, em direção a um processo mais transparente, concebido para um sistema sob forte pressão.

O momento não é acidental. A demanda por eletricidade está aumentando, o clima extremo está se tornando um fator de planejamento mais importante e a composição da geração está mudando. Congestionamento da rede, atrasos e aumento de custos são todos sintomas de uma rede de transmissão que teve dificuldade para se expandir no ritmo necessário. A Ordem 1920 é uma tentativa de forçar um pensamento de mais longo prazo antes que essas pressões se tornem ainda mais difíceis de administrar.

A regra foi finalizada em 2024, após três anos de desenvolvimento e feedback de partes interessadas, segundo o texto-fonte. Esse longo período de maturação reflete o quanto o planejamento de transmissão pode ser contestado. Novas linhas são caras, politicamente complexas e muitas vezes lentas para construir. Mas a ausência de planejamento prospectivo pode ser igualmente custosa quando a demanda supera a infraestrutura ou a confiabilidade enfraquece sob estresse.

O que a ordem exige

O texto-fonte destaca vários requisitos centrais. Os operadores de transmissão devem planejar em um horizonte mínimo de 20 anos. Devem atualizar esses planos pelo menos a cada cinco anos. Devem usar pelo menos três cenários plausíveis e diversos com base nos melhores dados disponíveis. E devem considerar tecnologias de aprimoramento da rede, bem como a opção de dimensionar adequadamente a infraestrutura envelhecida em vez de simplesmente substituí-la na mesma medida.

Cada um desses requisitos aborda uma fragilidade real dos hábitos antigos de planejamento. Horizontes longos importam porque grandes investimentos em transmissão levam anos para obter licenças, financiamento e construção. A análise de cenários importa porque nenhuma previsão única consegue capturar toda a gama de pressões que hoje afetam a rede, do crescimento de data centers ao aumento da penetração de renováveis. E a exigência de considerar tecnologias de aprimoramento da rede reconhece que a capacidade às vezes pode ser melhorada com um uso mais inteligente da infraestrutura existente, em vez de depender apenas de novas construções.

Portanto, a regra não pede apenas mais planejamento. Ela exige uma disciplina de planejamento mais explícita, que reconheça a incerteza em vez de escondê-la dentro de uma única previsão preferida.

A defensabilidade está se tornando parte do trabalho

Uma das ideias mais significativas do material de origem é que a Ordem 1920 cria um padrão externo de responsabilização. O planejamento já não pode funcionar apenas como um exercício técnico interno. As premissas precisam ser rastreáveis, os métodos precisam ser explicáveis e as recomendações precisam ser defensáveis quando reguladores, estados e outras partes interessadas perguntarem por que se chegou a uma conclusão.

Isso representa uma mudança importante de ênfase. O planejamento de transmissão sempre envolveu modelagem técnica, mas a regra reconhece que os modelos agora operam em um ambiente mais contestado. Os estados podem ter objetivos de política diferentes. Reguladores podem questionar se um projeto é economicamente justificado. Comunidades podem querer entender por que uma opção foi escolhida em vez de outra. Um plano que não possa ser claramente explicado tem menos chance de sobreviver a esse escrutínio.

Nesse sentido, “defensabilidade” não é apenas uma palavra processual. Ela sinaliza que o planejamento de transmissão agora precisa ser construído tanto para o desafio público quanto para o rigor da engenharia. A resposta técnica por si só já não basta; os planejadores também precisam de uma cadeia transparente que vá das premissas às recomendações.

Por que isso importa para a transição energética

A transmissão é o tecido conectivo do sistema elétrico. Se ela ficar atrás do crescimento da carga, das mudanças na geração ou do risco climático, o restante do sistema se torna mais difícil e mais caro de operar. É por isso que a Ordem 1920 importa além dos departamentos de planejamento. Ela está na interseção entre confiabilidade, acessibilidade e descarbonização.

Uma rede que se espera que absorva mais geração renovável, apoie novas cargas industriais e atenda regiões sob estresse climático crescente não pode depender de uma lógica de planejamento estática. Ela precisa de uma forma estruturada de comparar futuros e justificar investimentos antes que os gargalos se tornem agudos. A Ordem 1920 é um esforço para criar essa estrutura.

A ênfase em cenários diversos é especialmente relevante. Um futuro moldado por data centers pode parecer diferente de outro moldado principalmente pela eletrificação ou por eventos climáticos extremos. Planejar com base em uma única narrativa corre o risco de travar os investimentos errados. Exigir pelo menos três cenários não elimina a incerteza, mas reduz a chance de os planejadores confundirem uma previsão com destino.

O desafio de implementação

A parte difícil será a execução. Regras de planejamento de longo prazo podem definir expectativas, mas não produzem automaticamente consenso, melhores dados ou uma entrega mais rápida de projetos. O desenvolvimento da transmissão ainda enfrenta obstáculos conhecidos, incluindo disputas sobre alocação de custos, atrasos em licenciamento e divergências sobre quem se beneficia de quais projetos.

Por isso, a transparência pode se mostrar tão importante quanto a sofisticação técnica. Se as partes interessadas puderem ver como as premissas foram escolhidas, como as alternativas foram avaliadas e como as conclusões foram alcançadas, as disputas podem se tornar mais focadas e mais administráveis. Se não puderem, a Ordem 1920 corre o risco de se tornar mais uma exigência formal adicionada a um processo que continua politicamente travado.

Mesmo assim, a regra marca uma mudança notável nas expectativas federais. Ela diz aos operadores de transmissão que planejar não é mais apenas manter o sistema atual. Trata-se de preparar um sistema futuro em condições de incerteza e fazê-lo de uma maneira que possa resistir ao escrutínio público e regulatório. Em um cenário elétrico definido por mudanças rápidas, essa pode ser a mais importante reforma de planejamento de todas.

Este artigo é baseado em reportagem da Utility Dive. Leia o artigo original.

Originally published on utilitydive.com