Virgínia está prestes a transformar a utilização da rede em uma ferramenta formal de política pública

A Virgínia está a caminho de exigir que suas duas grandes concessionárias verticalmente integradas forneçam aos reguladores dados detalhados sobre a utilização da rede de distribuição e proponham maneiras de extrair mais da infraestrutura já existente. A medida, aprovada pela legislatura estadual, se aplicaria à Dominion Energy e à Appalachian Power e, segundo a Utility Dive, deve virar lei se a governadora Abigail Spanberger não agir até 13 de abril de 2026.

O projeto é notável porque desloca parte da conversa sobre política energética da construção de mais ativos para a medição de quão intensamente os sistemas existentes estão sendo usados. Pela legislação, as concessionárias teriam de fornecer vários indicadores específicos à Virginia State Corporation Commission ainda este ano, criando um retrato mais padronizado de quanto espaço livre resta no sistema de distribuição e onde os gargalos estão se formando.

O que as concessionárias teriam de reportar

Os dados exigidos vão muito além de um único número de destaque. A Utility Dive informou que a lei exigiria informações incluindo a relação entre a carga de pico do sistema e a capacidade, a relação entre a carga entregue e a carga potencial total entregável, o percentual de perdas na distribuição, a análise de circuitos com restrição e a avaliação do desempenho do sistema durante períodos de pico.

Essas exigências importam porque forçariam uma apuração mais cuidadosa sobre se a rede está sendo expandida porque realmente está cheia ou porque o sistema não está sendo operado da forma mais eficiente possível. Na prática, essas métricas poderiam dar aos reguladores e ao público uma base mais sólida para perguntar se alternativas de planejamento ou de tecnologia poderiam adiar parte dos gastos tradicionais de capital.

Da divulgação à ação

A proposta não trata apenas de relatórios. Segundo a Utility Dive, a State Corporation Commission também teria a tarefa de divulgar regularmente suas próprias conclusões e examinar como alternativas sem fio poderiam aumentar a utilização. Entre os exemplos citados estão armazenamento de energia, geração distribuída, condensadores síncronos, transmissão flexível e monitores de qualidade de energia.

Essa combinação de divulgação e análise subsequente é a característica mais consequente do projeto. Uma exigência de relatório, por si só, pode expor problemas sem mudar o comportamento da concessionária. Mas dar à comissão autoridade para estudar alternativas e incorporar métricas de utilização às decisões sobre recuperação de custos para investimentos de capital cria a possibilidade de que a utilização da rede passe a fazer parte da estrutura regulatória do estado, e não apenas de um apêndice informativo.

De acordo com a reportagem, a lei também permitiria que a comissão definisse prazos para a Dominion e a Appalachian Power aumentarem a utilização. Isso significa que o estado pode eventualmente sair da descrição de capacidade subutilizada para a expectativa de que as concessionárias resolvam o problema.

Por que isso está acontecendo agora

O impulso reflete um debate mais amplo sobre como lidar com a demanda de eletricidade em rápido crescimento sem presumir que toda restrição exige uma nova construção convencional. A Utility Dive citou um corpo crescente de pesquisas sugerindo que o aumento da utilização da rede traz amplos benefícios para concessionárias e clientes, ao mesmo tempo em que observou que tecnologia avançada de medição é necessária para liberar todo o potencial desses ganhos.

Esse enquadramento é importante. Uma melhor utilização é frequentemente apresentada como uma forma relativamente barata de melhorar o desempenho do sistema, mas ela depende de visibilidade e controle operacional. Se concessionárias e reguladores não tiverem informações granulares sobre quando os circuitos estão sob estresse, onde as perdas se concentram e como a demanda se comporta nos picos, o caso de uso mais eficiente da infraestrutura existente fica mais difícil de operacionalizar.

Uma coalizão mais ampla já está se formando

O tema está ganhando apoio além dos círculos tradicionais de política pública. A Utility Dive identificou a utilização da rede como prioridade máxima para a Uitilize, uma coalizão entre cujos membros fundadores estão Google, Carrier, Tesla, Renew Home e Sparkfund, além de fornecedores de energia distribuída e empresas de tecnologia de rede. O grupo diz que pretende trabalhar com os estados para transformar pesquisa em ação e fazer da melhor utilização da rede um princípio central do planejamento.

Isso mostra que a política da eficiência da rede está mudando. Grandes consumidores de eletricidade, empresas de tecnologia e interesses de energia distribuída têm razões para apoiar políticas que revelem capacidade ociosa e reduzam a necessidade de acréscimos de infraestrutura mais lentos e caros. Para os reguladores, o apelo é semelhante: maior utilização pode melhorar ao mesmo tempo o planejamento de confiabilidade e a disciplina de custos.

Possíveis efeitos nas decisões de investimento das concessionárias

Se for sancionada e usada de forma agressiva, a estrutura da Virgínia poderá afetar como as concessionárias justificam gastos futuros. A Utility Dive informou que métricas de utilização podem se tornar parte da análise da comissão sobre pedidos de recuperação de custos de investimentos de capital. Isso não significa que a nova infraestrutura vai parar; significa que as concessionárias podem enfrentar mais pressão para mostrar que os ativos existentes estão sendo usados de forma eficaz antes de os clientes serem chamados a financiar novos ativos.

Essa possibilidade explica por que o projeto se destaca. A regulação tarifária costuma girar em torno de prudência, necessidade e alocação de custos. Ao acrescentar métricas de utilização ao processo, a Virgínia pode estar criando um teste mais explícito sobre se a expansão é a resposta certa ou apenas a mais familiar.

Virgínia como sinal de política pública

Por si só, uma lei estadual não encerrará o debate nacional sobre crescimento de carga, recursos distribuídos ou o papel das alternativas sem fio. Mas a abordagem da Virgínia é significativa porque transforma um tema emergente de pesquisa e defesa em uma obrigação concreta de reporte e regulação. Ela trata a utilização da rede não como um conceito abstrato de eficiência, mas como algo que as concessionárias devem medir, explicar e melhorar.

Isso torna o projeto relevante fora da Virgínia. Estados que enfrentam crescimento da demanda e pressão sobre a infraestrutura buscam formas de melhorar o desempenho do sistema sem depender exclusivamente de grandes programas de capital. Uma estrutura que começa com medição, exige propostas das concessionárias e dá aos reguladores autoridade para ponderar alternativas oferece um modelo prático. Se a lei entrar em vigor após 13 de abril, a Virgínia se tornará um teste inicial de se melhores dados podem levar a um uso melhor da rede já instalada.

Este artigo é baseado na reportagem da Utility Dive. Leia o artigo original.