O crescimento solar desacelerou após um período de boom
O mercado fotovoltaico da Suíça perdeu ritmo em 2025, com a capacidade recém-instalada caindo 15 por cento em relação ao ano anterior, para 1,526 megawatts, segundo dados apresentados pela associação do setor Swissolar. A queda ocorre após um período forte para o mercado e reflete uma normalização depois do forte aumento da demanda desencadeado pelo choque de preços de energia na أوروبا em 2022.
O resultado marca uma queda clara em relação aos anos recentes. O relatório de origem informa que a Suíça adicionou 1,798 megawatts em 2024 e 1,640 megawatts em 2023, tornando 2025 o mais fraco dos três. Os números oficiais só devem sair em julho, mas a Swissolar divulgou os dados preliminares durante o Congresso Suíço de Fotovoltaica em Berna, realizado em 31 de março e 1 de abril, com mais de 1,100 participantes.
À primeira vista, uma queda de 15 por cento pode parecer uma história simples de esfriamento. Na realidade, a mudança parece mais nuanceada. A Suíça ainda está adicionando energia solar em grande escala, apenas não no ritmo excepcional visto quando os altos preços da eletricidade levaram as famílias a agir rapidamente. Essa distinção importa porque sugere um mercado em transição de um comportamento de crise de curto prazo para uma fase mais estrutural de adoção.
O incentivo após 2022 desapareceu
A explicação mais clara vem da economia descrita no texto de origem. Wieland Hintz, chefe de mercado e política da Swissolar e recentemente nomeado vice-diretor, disse que a forte alta dos preços da eletricidade em 2022 incentivou fortemente as famílias a instalar painéis solares. Quando as tarifas caíram depois, essa urgência diminuiu e, com ela, o ritmo das instalações.
Esse padrão é familiar nos mercados de energia europeus. Durante a crise energética, a solar em telhados não era apenas uma escolha ambiental, mas também uma proteção contra contas de luz voláteis. Quando as condições de atacado e varejo da eletricidade deixaram de ser tão extremas, parte dessa demanda de emergência recuou. Mercados que cresceram rapidamente sob incentivos de crise agora estão sendo testados por seus fundamentos.
Os dados mais recentes da Suíça sugerem que esses fundamentos continuam relevantes, mesmo que não estejam produzindo o mesmo crescimento anual explosivo. Um mercado que adiciona mais de 1.5 gigawatt em um ano ainda é grande. A questão não é colapso, mas o fim de um período de estímulo excepcionalmente forte.
Armazenamento e eletrificação estão remodelando a demanda
A parte mais interessante da história suíça talvez seja o que acontece ao redor da solar, e não apenas com a solar isoladamente. O relatório de origem aponta crescimento em armazenamento residencial, eletrificação de edifícios e integração de veículos elétricos como sinais de uma recuperação gradual do mercado. Essa combinação implica que a transição energética do país está se tornando mais interconectada.
Baterias residenciais podem tornar a solar em telhados mais valiosa ao aumentar o autoconsumo e reduzir a dependência da economia de exportação. A eletrificação de edifícios, incluindo tecnologias como bombas de calor, eleva a demanda doméstica por eletricidade e pode melhorar o caso da geração no local. Veículos elétricos adicionam outra camada, criando uma demanda flexível que pode se encaixar naturalmente na produção solar diurna ou em sistemas de baterias domésticas.
Juntas, essas tendências sugerem que a demanda suíça por energia solar pode estar mudando de uma lógica simples de “instalar painéis para cortar contas” para um modelo mais amplo de gestão energética residencial. Nesse modelo, a solar é apenas um componente de um ecossistema doméstico eletrificado que inclui armazenamento, aquecimento e mobilidade. Mercados organizados em torno desse tipo de proposta de valor integrada podem ser mais resilientes do que mercados impulsionados principalmente por choques temporários de preços.
Por que a desaceleração ainda importa
Mesmo com esses aspectos positivos de longo prazo, a queda merece atenção. As tendências anuais de instalação influenciam cadeias de suprimentos, economia dos instaladores, condições de financiamento e debates de política pública. Se um mercado que vinha se expandindo fortemente começa a esfriar, governos e grupos do setor frequentemente enfrentam pressão para avaliar se incentivos, sistemas de licenciamento ou regras de integração à rede precisam de ajustes.
Os números suíços também importam simbolicamente. A Suíça faz parte do esforço europeu mais amplo para acelerar a geração renovável doméstica, e a energia solar se tornou uma das tecnologias mais fáceis de implantar para esse fim. Uma desaceleração não reverte essa direção estratégica, mas pode forçar uma conversa mais realista sobre como é o crescimento em regime estável depois de um boom impulsionado por emergências.
Ela também pode destacar com mais clareza quais segmentos estão crescendo e quais estão enfraquecendo. O texto de origem não fornece um detalhamento completo do mercado, então seria prematuro exagerar o equilíbrio entre instalações residenciais, comerciais e em escala de rede. Mas as referências a armazenamento residencial e integração de veículos elétricos sugerem que as famílias continuam sendo parte importante da história da transição, mesmo com a moderação no ritmo de instalação dos painéis.
Da aceleração à consolidação
Há um padrão comum nos mercados de energia limpa: os anos mais rápidos costumam criar expectativas difíceis de sustentar. Depois, uma correção parece decepcionante até ser vista no contexto. Os números solares da Suíça em 2025 se encaixam nesse padrão. O país não parou de construir capacidade solar. Ele passou de uma aceleração extraordinária para uma fase que talvez seja melhor descrita como consolidação.
Essa fase ainda pode ser produtiva. A consolidação é quando os mercados passam a depender menos da urgência movida pelo medo e mais de economia duradoura, tecnologias complementares e estabilidade regulatória. Se baterias, edifícios eletrificados e recarga de veículos elétricos estiverem ganhando espaço ao lado da solar, a Suíça pode estar lançando as bases de um sistema elétrico mais integrado e flexível, mesmo em um ano de instalações mais lento.
O próximo marco importante serão os números oficiais esperados em julho, junto com qualquer detalhe adicional sobre a composição do mercado. Por enquanto, os dados preliminares contam uma história clara: o choque de preços de 2022 já não tem a mesma força, mas a tendência mais ampla de eletrificação não desapareceu. O mercado solar suíço esfriou em 2025, mas a transição energética ao redor dele continuou se ampliando.
Este artigo é baseado na cobertura da PV Magazine. Leia o artigo original.




