Solar supera mais um marco global

A energia solar ultrapassou um marco que, não faz muito tempo, pareceria distante: mais de 3 terawatts de capacidade instalada no mundo. O número, citado a partir de dados da BloombergNEF no relatório da CleanTechnica, importa menos como valor arredondado do que como evidência da escala acelerada do setor. O mundo levou cerca de uma década para sair de 100 gigawatts em 2012 para cerca de 1 terawatt por volta de 2022. Depois disso, adicionou o segundo e o terceiro terawatts muito mais rápido, e a passagem de 2 para 3 terawatts levou menos de dois anos.

Essa linha do tempo comprimida captura a história central da solar hoje. A tecnologia já não cresce de forma linear, nem fica confinada a um pequeno grupo de países ricos ou a uma única potência dominante de manufatura. Em vez disso, a implantação está se espalhando por mais mercados ao mesmo tempo em que as adições anuais aumentam. O resultado é uma plataforma tecnológica que está se tornando cada vez mais difícil de descrever apenas como “emergente”, embora sua próxima fase de adoção ainda carregue muitas das características de uma indústria em rápido desenvolvimento.

De nicho a infraestrutura

A capacidade instalada é uma medida imperfeita da produção real da solar, mas continua sendo um dos indicadores mais claros de quão profundamente a tecnologia penetrou nos sistemas energéticos nacionais. Cruzar 3 terawatts significa que a solar atingiu uma escala na qual já não é apenas um complemento às redes elétricas. Em muitos países, ela está se tornando uma peça central do planejamento do suprimento de eletricidade, da estratégia industrial e da segurança energética.

O ritmo descrito no texto de origem destaca o quanto o setor evoluiu rapidamente. Passar de 100 gigawatts para 1 terawatt já representou uma expansão de dez vezes. O que chama atenção agora é que cada terawatt adicional chega mais rápido que o anterior. A BloombergNEF espera que essa aceleração continue, com projeção de 9 terawatts globalmente até 2036. Se essa trajetória se mantiver, a próxima década será definida não pela dúvida sobre a viabilidade da solar, mas por como redes, sistemas de armazenamento, linhas de transmissão e marcos regulatórios se adaptam a volumes muito maiores de energia renovável variável.

A China ainda pesa muito, mas o mapa está se ampliando

A China continua sendo uma força importante nessa história. A CleanTechnica observa que uma grande parte do crescimento recente veio da China, que tem sido central para a escala de fabricação, a implantação de projetos e a redução de custos em todo o setor. Isso não é novidade. O que está mudando é a amplitude do mercado fora da China.

O relatório diz que a adoção da solar, antes concentrada em economias desenvolvidas e depois remodelada pelo domínio chinês, agora está se espalhando rapidamente por países em desenvolvimento. Ele destaca em particular Paquistão, Nigéria, Filipinas e Cuba entre os lugares onde a adoção vem ganhando força. Essa mudança geográfica é significativa porque sugere que a próxima onda de crescimento da solar não depende apenas daquele pequeno grupo de mercados maduros que impulsionou a expansão anterior.

Um dos indicadores mais claros dessa base mais ampla é o aumento no número de países com pelo menos 1 gigawatt de capacidade solar instalada. Em 2020, diz o texto de origem, apenas 42 países haviam alcançado esse nível. Agora o número é 74. É uma ampliação substancial em apenas alguns anos, e aponta para um mercado que está se diversificando em níveis de renda, estruturas de rede e sistemas políticos.

Por que a mudança para mercados emergentes importa

A expansão da solar para mais economias em desenvolvimento muda o significado estratégico da tecnologia. Em mercados mais ricos, a solar costuma ser discutida em termos de descarbonização, economia para o consumidor e competição industrial. Em mercados emergentes, ela também pode funcionar como uma resposta prática à escassez crônica de energia, à dependência de importação de combustíveis e ao acesso desigual à infraestrutura centralizada.

O texto de origem não traz explicações em nível nacional para cada mercado citado, então seria exagero atribuir um único motivo a todos eles. Mas a implicação mais ampla é clara: o apelo da solar está se ampliando porque seus casos de uso também estão se ampliando. Uma tecnologia que começou como uma opção de energia limpa relativamente cara em mercados apoiados por políticas públicas está sendo cada vez mais implantada onde acessibilidade, velocidade e modularidade são vantagens decisivas em si mesmas.

Isso importa para a próxima etapa do desenvolvimento energético global. Se mais países puderem adicionar solar em escala sem esperar grandes novas construções de combustíveis fósseis, o equilíbrio competitivo dentro do setor de energia muda. Isso afeta fluxos de investimento, planejamento da rede, demanda por outras fontes de geração e a velocidade com que a eletrificação pode avançar na indústria, no transporte e nos edifícios.

O próximo gargalo do setor não é demanda

A marca de 3 terawatts também deixa mais claro outro ponto: as principais restrições do setor estão cada vez mais na integração, e não na demanda. O resumo da CleanTechnica foca em marcos de implantação, mas a tendência subjacente implica um conjunto mais difícil de questões no nível do sistema. Adições rápidas de capacidade solar acabam exigindo decisões sobre armazenamento, transmissão, curtailment, velocidade de interconexão e desenho de mercado.

Em outras palavras, o desafio está mudando de provar que a solar pode ser instalada de forma barata e ampla para garantir que os sistemas elétricos consigam absorver parcelas muito maiores de solar com eficiência. Quanto mais rápido o mundo adiciona terawatts, maior a pressão sobre reguladores, concessionárias, desenvolvedores de projetos e operadores de rede para resolver esses problemas secundários. Isso é sinal de maturidade, não de fraqueza, mas ainda é um teste real.

O que a projeção de 9 terawatts sugere

A expectativa da BloombergNEF de 9 terawatts até 2036 é o número mais prospectivo do material de origem. Mesmo sem adicionar suposições além do texto fornecido, isso sugere que os próximos 6 terawatts podem chegar em um prazo muito menor do que os primeiros 3 do setor. A CleanTechnica também observa que mais de um quarto desse total futuro deve estar em países em desenvolvimento, enquanto a participação dos países ricos deve cair para 20 por cento.

Isso não significa que os países ricos vão parar de construir solar. Significa que o centro de gravidade pode se tornar mais distribuído. Para formuladores de políticas e investidores, isso é um lembrete de que o futuro da solar não será moldado apenas por alguns poucos mercados de destaque, mas por um conjunto maior de países que estão modernizando seus sistemas de energia em condições econômicas e institucionais diferentes.

Um marco com consequências

Ultrapassar 3 terawatts é fácil de enquadrar como simbolismo, mas a melhor interpretação é a de impulso. O marco mostra que a solar continua acelerando mesmo depois de atingir uma escala enorme. Ele também mostra que o crescimento está se tornando mais geograficamente diverso, com os mercados em desenvolvimento assumindo um papel maior na próxima fase.

Para o setor de energia, essa combinação importa mais do que o número de manchete por si só. Uma tecnologia que consegue continuar escalando enquanto amplia sua base de mercado fica mais difícil de desacelerar, mais difícil de marginalizar e mais difícil de tratar como um caso excepcional no planejamento nacional. O mais recente patamar da solar, portanto, não é apenas uma medida de capacidade instalada. É uma medida de quão decisivamente o setor entrou no centro da transição energética global.

Este artigo é baseado na cobertura da CleanTechnica. Leia o artigo original.

Originally published on cleantechnica.com