Um grande novo polo de polissilício fora da China

A fábrica de polissilício da United Solar em Omã já começou a produzir material e mira atingir plena capacidade até o fim de 2026, segundo a pv magazine. A planta, localizada no Porto de Sohar e Zona Franca de Omã, foi projetada para 100.000 toneladas métricas por ano de polissilício de grau solar, o suficiente para sustentar cerca de 40 GW por ano de produção de módulos fotovoltaicos.

Essa escala torna o projeto estrategicamente relevante. A pv magazine relata que ela é atualmente a maior instalação do tipo fora da China. Em um setor solar fortemente moldado pela capacidade de fabricação chinesa, uma planta desse porte no Oriente Médio adiciona diversidade geográfica a um segmento upstream crítico da cadeia de suprimentos.

Por que o polissilício importa

O polissilício é um insumo essencial para a maioria dos módulos solares. Antes de os painéis solares surgirem como produtos finais em telhados, usinas de grande porte ou edifícios comerciais, a cadeia de suprimentos começa com silício refinado, que pode ser processado em wafers, células e módulos. Qualquer gargalo ou concentração na produção de polissilício pode afetar preços, fluxos comerciais e a segurança de abastecimento em todo o mercado solar.

Por isso, a planta da United Solar importa não apenas como instalação industrial, mas como uma possível alavanca na fabricação solar global. Uma meta de capacidade anual de 100.000 toneladas métricas é grande o bastante para ser relevante para fabricantes de módulos, desenvolvedores e formuladores de políticas que buscam fontes de suprimento além dos centros já estabelecidos.

A empresa por trás da planta

A pv magazine informa que a United Solar Holdings, controladora da United Solar Polysilicon, foi fundada em 2023 por Longgen Zhang, ex-CEO da produtora chinesa de polissilício Daqo New Energy. A empresa tem sede no Oriente Médio e avançou rapidamente na fábrica de Omã.

A fonte diz que a planta produziu seu primeiro polissilício no início de 2026 e tem inauguração oficial marcada para abril. Binyam Giorgis, diretor financeiro da United Solar Polysilicon, disse à pv magazine que a empresa acredita ser a maior fábrica solar fora da China e que foi projetada para ser referência em eficiência.

A posição industrial de Omã

A escolha do Porto de Sohar e da Zona Franca faz parte da história. A fabricação solar industrial depende de logística, energia, terra e acesso à exportação. Uma zona franca ligada a um porto pode oferecer vantagens para movimentar insumos e produtos pelos mercados globais. Para o Oriente Médio, o projeto também se alinha a esforços mais amplos para expandir a fabricação ligada à energia limpa, em vez de apenas exportar commodities energéticas.

O texto fornecido não traz números de custo, detalhes sobre a origem da energia, contratos com clientes ou dados de emissões. Esses pontos serão importantes para avaliar quão competitiva e sustentável a planta se tornará no fim das contas. A fabricação de polissilício é intensiva em energia, então a fonte de eletricidade e a eficiência do processo vão moldar tanto a economia quanto o perfil ambiental.

Diversificação da cadeia de suprimentos

A implantação da energia solar tornou-se um componente central do planejamento energético global, mas a concentração da fabricação ainda preocupa muitos governos e empresas. Uma grande planta de polissilício fora da China pode oferecer aos compradores opções adicionais de fornecimento, embora, por si só, não crie uma cadeia de suprimentos solar totalmente diversificada. Wafers, células, módulos, vidro, inversores e outros componentes também importam.

Mesmo assim, a capacidade upstream é uma peça fundamental. Se Omã conseguir sustentar produção de polissilício em grande escala, poderá atrair manufatura relacionada ou acordos de fornecimento de longo prazo. O resultado pode ser um mapa industrial solar mais distribuído, especialmente se outras regiões seguirem com investimentos complementares.

O que observar em 2026

O principal marco é se a United Solar conseguirá atingir plena capacidade até o fim do ano, como a pv magazine informa que ela pretende. Escalar uma grande fábrica de polissilício é tecnicamente e operacionalmente exigente. Qualidade da produção, rendimento, confiabilidade, custo de energia e qualificação de clientes determinarão se a capacidade nominal se transforma em influência de mercado.

A primeira produção da planta é um passo relevante, mas o teste maior é a operação sustentada. Se for bem-sucedida, a unidade da United Solar em Omã poderá se tornar um dos mais importantes nós não chineses da cadeia de fabricação solar. Em um setor definido por escala, custo e confiança no fornecimento, isso representaria uma mudança significativa.

Este artigo se baseia na reportagem da PV Magazine. Leia o artigo original.

Originally published on pv-magazine.com