A microrrede central de Lincoln está prestes a receber uma atualização de armazenamento sem lítio
Uma importante microrrede municipal em Nebraska está se preparando para adicionar um sistema de bateria à base de zinco para dar suporte a alguns dos edifícios e serviços mais importantes da capital do estado, marcando um passo notável no movimento mais amplo de diversificação do armazenamento de energia em escala de rede além da química de íon-lítio.
A Lincoln Electric System, concessionária pública que atende a capital de Nebraska, disse que uma bateria de 3 megawatts e 12 megawatts-hora está na fase final de comissionamento e deve começar a operar comercialmente nas próximas semanas. Depois de entrar em operação, o sistema aumentará em cerca de 10% a capacidade da microrrede de 30 megawatts de Lincoln, segundo a concessionária.
O projeto é significativo por dois motivos. Primeiro, ele amplia uma microrrede focada em resiliência que atende escritórios governamentais, instalações de segurança pública e outras infraestruturas críticas no centro de Lincoln. Segundo, ele usa uma bateria à base de zinco fornecida pela Eos Energy Enterprises, colocando-o entre um pequeno, mas crescente grupo de projetos de concessionárias nos EUA que testam alternativas ao lítio à medida que a demanda por armazenamento aumenta.
O que a bateria vai suportar
A microrrede do centro de Lincoln já combina vários ativos de energia. Funcionários da concessionária disseram que o sistema inclui uma turbina de combustão bicombustível que opera principalmente a gás natural, 300 quilowatts de energia solar de propriedade do cliente e 500 quilowatts de armazenamento térmico de propriedade do cliente. A nova bateria se tornará mais um recurso flexível nesse conjunto.
Sua missão é prática, não experimental. A Lincoln Electric System diz que a bateria será carregada durante períodos de menor demanda e descarregada quando a carga de eletricidade e os preços subirem. Isso a torna útil para reduzir picos, melhorar a flexibilidade operacional e ajudar a concessionária a extrair mais valor da geração renovável, algo especialmente relevante porque a energia eólica responde por mais da metade do portfólio de geração da empresa.
Igualmente importante, a bateria fica dentro de uma microrrede projetada em torno da continuidade do serviço. Como parte desse sistema, ela ajudará a dar suporte ao complexo do Capitólio do estado de Nebraska, a um prédio federal, a escritórios municipais e a duas instalações de segurança pública. Em outras palavras, a instalação não diz respeito apenas a economia ou emissões. Também trata de manter o serviço para instituições que precisam continuar funcionando durante interrupções.
A localização física reflete esse papel. A bateria está sendo instalada em parte de uma subestação existente no centro de Lincoln, integrando o armazenamento a uma infraestrutura que já ancora a estratégia de resiliência da cidade.
Por que uma bateria de zinco importa
A maioria das manchetes sobre armazenamento de energia ainda gira em torno de sistemas de íon-lítio, que dominam a implantação graças à queda de custos, a uma grande base de manufatura e a cadeias de suprimento consolidadas. Mas concessionárias e grandes consumidores de energia vêm explorando outras químicas em busca de alternativas que possam se adaptar melhor a certos perfis operacionais, estruturas de custo, preferências de segurança ou considerações de fornecimento doméstico.
O projeto de Lincoln faz parte dessa mudança. A Utility Dive descreveu o interesse crescente por zinco e outras químicas de baterias sem lítio em meio à demanda por armazenamento em rápida expansão. A instalação de Lincoln, por si só, não transforma o mercado, mas mostra que uma concessionária pública está disposta a colocar uma tecnologia sem lítio em uma aplicação real de infraestrutura crítica, em vez de limitá-la a um piloto com pouco impacto operacional.
Essa distinção importa. Operadores de rede não adotam hardware novo de forma casual, especialmente quando segurança pública e continuidade governamental estão envolvidas. Uma bateria escolhida para uma microrrede que atende um distrito do Capitólio estadual precisa fazer mais do que parecer promissora em uma apresentação. Ela precisa se encaixar no planejamento de despacho, na realidade da interconexão e nas expectativas de confiabilidade.

O fato de a Lincoln Electric System esperar que a operação comercial comece em breve sugere que a tecnologia avançou da avaliação conceitual para um teste operacional em um caso de uso significativo.
Como o projeto se desenvolveu
Segundo Scott Benson, diretor de estratégia e inovação da Lincoln Electric System, a concessionária começou a avaliar o armazenamento de energia no fim da década de 2010. Naquele momento, os responsáveis não viam uma necessidade urgente de bateria em um sistema descrito como altamente confiável.
Isso mudou depois que a microrrede do centro de Lincoln entrou em operação em 2020. Com a microrrede em funcionamento, o armazenamento passou a ser um encaixe mais lógico. A concessionária viu o que Benson descreveu como um possível “casamento” entre a missão de resiliência da microrrede e as capacidades do armazenamento em baterias.
A Lincoln Electric System lançou um pedido de propostas no fim de 2021 e acabou selecionando a Eos Energy Enterprises como fornecedora da bateria. A linha do tempo ilustra um padrão comum em infraestrutura de concessionárias: o interesse começa anos antes da implantação, e o caminho do conceito ao comissionamento envolve aquisição, revisão técnica, definição de local e integração com ativos existentes.
Também mostra como as microrredes podem criar nova demanda por tecnologias que antes não tinham um caso de negócio claro. Uma bateria pode ser mais difícil de justificar em uma rede tradicionalmente confiável se seus benefícios forem difusos. Dentro de uma microrrede que atende instalações prioritárias, porém, a mesma bateria pode desempenhar um papel mais claro em resiliência, flexibilidade de despacho e integração de renováveis.
O que isso diz sobre o mercado de armazenamento
O projeto de Lincoln chega enquanto as concessionárias dos EUA enfrentam duas pressões paralelas: aumento da demanda por recursos flexíveis de energia e maior escrutínio sobre como os sistemas de armazenamento são adquiridos, construídos e implantados. Nesse ambiente, baterias sem lítio chamam atenção não porque tenham substituído o lítio, mas porque as concessionárias querem mais de um caminho à frente.
Esse investimento em Nebraska sugere algumas conclusões:
- Concessionárias municipais estão dispostas a testar armazenamento sem lítio em ambientes operacionais.
- A resiliência de infraestrutura crítica está se tornando um caso de uso forte para investimento em armazenamento.
- Microrredes podem tornar mais fácil justificar químicas de bateria alternativas.
- As concessionárias buscam sistemas de armazenamento que façam mais do que apenas arbitrar preços de energia.
Ainda existem limites para o que se pode concluir de um único projeto. O artigo não apresenta dados de desempenho de longo prazo, economia de ciclo de vida ou resultados comparativos com sistemas de íon-lítio. Também não afirma que baterias de zinco estejam prontas para dominar as compras das concessionárias.
Mas o projeto indica que a conversa sobre armazenamento está se ampliando. Durante anos, a questão era se as concessionárias adicionariam baterias. Cada vez mais, a questão é qual química de bateria se encaixa em qual tarefa.
Em Lincoln, a resposta para esta tarefa é zinco. Se o sistema tiver o desempenho esperado após o início das operações comerciais, ele será um exemplo inicial de uma concessionária pública usando armazenamento sem lítio para reforçar uma microrrede que protege operações governamentais, de emergência e cívicas. Essa é uma afirmação mais estreita do que uma revolução de mercado, mas também mais útil. Ela mostra onde baterias alternativas podem começar a importar: não em debates abstratos sobre tecnologia, mas na infraestrutura cotidiana da qual as cidades dependem quando a resiliência deixa de ser opcional.
Este artigo é baseado na cobertura da Utility Dive. Leia o artigo original.
Originally published on utilitydive.com


