The global energy mix kept shifting toward electricity in 2025
A revisão global mais recente da Agência Internacional de Energia argumenta que o mundo está avançando de forma mais decisiva para o que chama de “era da eletricidade”. O caso se apoia em uma série de marcos que teriam sido difíceis de imaginar há apenas alguns anos: a energia solar fotovoltaica se tornou a maior contribuinte para o crescimento da oferta global de energia em 2025, o armazenamento em baterias teve a expansão mais rápida entre as tecnologias do setor elétrico, e a demanda por eletricidade cresceu mais rápido que a demanda total por energia.
Segundo a AIE, a solar fotovoltaica respondeu por mais de um quarto do aumento da oferta global de energia no ano passado. Isso a tornou a maior contribuição individual para o crescimento da oferta, à frente do gás natural. Também foi a primeira vez que uma tecnologia renovável moderna ocupou o primeiro lugar no crescimento da oferta de energia primária. A agência disse que fontes renováveis e energia nuclear, juntas, atenderam a quase 60 por cento de todo o crescimento da demanda de energia em 2025, enquanto a geração de eletricidade dessas fontes superou o crescimento total da demanda por eletricidade.
Essa combinação importa porque sugere uma mudança estrutural, e não uma anomalia estatística isolada. O uso da eletricidade está aumentando nas economias à medida que transporte, edifícios e indústria continuam a se eletrificar. A questão central é se os sistemas elétricos conseguem atender essa nova demanda sem travar emissões mais altas. A resposta da AIE, com base nos dados de 2025, é que o crescimento da geração limpa está cada vez maior para fazer exatamente isso.
Solar marcou o ritmo, e as baterias vieram atrás
O sinal mais forte do relatório é a escala da implantação solar. A AIE disse que a geração solar global aumentou em mais 600 terawatts-hora em 2025, descrevendo isso como o maior aumento estrutural já registrado em um único ano para qualquer tecnologia de geração de eletricidade. Esse salto ajudou a reduzir a geração a carvão no mundo, mostrando quão rapidamente a nova produção renovável está começando a mudar as fontes marginais de energia na rede.
O crescimento da solar não aconteceu isoladamente. O armazenamento em baterias também acelerou fortemente, com cerca de 110 gigawatts de nova capacidade adicionados em 2025. A AIE disse que esse total superou o maior acréscimo anual de capacidade já registrado para o gás natural. Sozinho, o crescimento das baterias não substitui a necessidade de melhorias de transmissão, demanda flexível ou outros recursos de balanceamento. Mas fortalece a economia e a confiabilidade de sistemas com muita solar ao deslocar eletricidade para horas de maior valor e ajudar as redes a lidar com a volatilidade de curto prazo.
A combinação de solar e armazenamento é cada vez mais importante porque ambas as tecnologias reforçam a mesma tendência mais ampla: mais do sistema energético está sendo reorganizado em torno da eletricidade, e não da combustão direta de combustíveis fósseis. A formulação da AIE não significa que petróleo, carvão e gás desapareceram do sistema. Significa que a parte que mais se move da economia global de energia agora é elétrica, e que as tecnologias que mais ganham participação são as que produzem, armazenam e usam eletricidade com mais eficiência.
Por que a AIE vê a eletrificação como a tendência definidora
O diretor executivo da AIE, Fatih Birol, disse que a demanda global por energia continuou a subir em 2025 apesar de um cenário econômico e geopolítico difícil, mas descreveu uma tendência como inconfundível: as economias estão se eletrificando cada vez mais. Isso importa porque a eletricidade está no centro de várias transições industriais ao mesmo tempo. Veículos elétricos transferem a demanda de transporte dos derivados de petróleo para a rede. Bombas de calor mudam a forma como edifícios consomem energia. Data centers e infraestrutura digital aumentam as cargas elétricas mesmo enquanto outros setores buscam energia mais limpa. A indústria pesada continua mais difícil de descarbonizar, mas mesmo ali a eletrificação ganha peso no planejamento de longo prazo.
O relatório da AIE sugere que o centro de gravidade do sistema energético está se movendo com essas mudanças. O gás natural ainda representou a segunda maior fatia do crescimento da oferta de energia em 2025, refletindo seu papel na geração de eletricidade em muitos países. A energia nuclear também recuperou algum impulso, com mais de 12 gigawatts de nova capacidade de reatores entrando em construção durante o ano. Mas o destaque é que a contribuição da solar foi maior do que a de qualquer outra fonte, enquanto o armazenamento se tornou a tecnologia de crescimento mais rápido no setor elétrico.
Essa mudança também traz um argumento de resiliência. Na leitura da AIE, os países que diversificam a oferta e investem em fontes flexíveis, domésticas e cada vez mais de baixo carbono estão melhor posicionados para lidar com a volatilidade. Sistemas elétricos não são resilientes automaticamente; dependem de redes, desenho de mercado, manutenção e capacidade adequada. Mas solar, armazenamento e nuclear oferecem a governos e concessionárias mais maneiras de reduzir a exposição a choques de preço dos combustíveis do que sistemas que dependem principalmente de combustíveis fósseis importados.
O que os dados de 2025 significam e o que não significam
O relatório não diz que a transição energética global está completa, nem mesmo que está distribuída de forma uniforme. A demanda por energia ainda está aumentando. Os combustíveis fósseis continuam incorporados na geração de eletricidade, produção industrial, transporte marítimo, aviação e aquecimento. Gargalos de rede, atrasos de interconexão, disputas de licenciamento e restrições de financiamento continuam a desacelerar a implantação em muitos mercados. E, como a revisão da AIE é global, as diferenças regionais permanecem substanciais.
Mesmo assim, os dados de 2025 apontam para algo mais durável do que uma manchete sobre um bom ano para as renováveis. A solar liderou o crescimento da oferta de energia. As baterias se expandiram mais rapidamente do que qualquer outra tecnologia elétrica. A geração limpa cobriu o aumento da demanda por eletricidade. A geração a carvão caiu no mundo inteiro. São desenvolvimentos conectados como esses que começam a definir uma era, e não apenas enfeitar uma linha de tendência.
Se a AIE estiver certa, a história importante não é apenas que a energia limpa está crescendo. É que a própria eletricidade está se tornando o principal palco em que agora se decide a competição energética, a estratégia industrial e a política climática. O sistema energético mundial ainda contém infraestrutura antiga e velhas dependências, mas sua borda de movimento mais rápido está cada vez mais elétrica.
This article is based on reporting by CleanTechnica. Read the original article.
Originally published on cleantechnica.com





