FERC intensifica um grande caso de fiscalização de mercado

A Comissão Federal Reguladora de Energia ordenou que a American Efficient, sua controladora Modern Energy Group e empresas afiliadas paguem cerca de US$ 1,1 bilhão após descrever a conduta em questão como um dos maiores casos de fraude da história da agência. A ordem de 15 de abril de 2026 se concentra na participação em mercados de capacidade organizados operados pela PJM Interconnection e pelo Midcontinent Independent System Operator, onde a FERC afirma que as empresas venderam recursos de eficiência energética que não controlavam de fato ou que não teriam reduzido a demanda além do que já teria acontecido de qualquer forma.

Essa distinção importa porque os mercados de capacidade deveriam assegurar recursos confiáveis antes de períodos de estresse na rede. Se um vendedor afirma reduções de demanda que não são adicionais, o mercado pode ser distorcido duas vezes: primeiro na forma como os preços são formados e depois na maneira como os planejadores avaliam quanto apoio confiável realmente está disponível. A ordem da FERC enquadra a conduta alegada como algo mais do que uma disputa documental. A comissão diz que a empresa se apresentou fraudulentamente como uma vendedora legítima de capacidade e fez declarações enganosas sobre economia para clientes, ao mesmo tempo em que deixou de divulgar que a MISO e a ISO-New England a haviam desqualificado de seus mercados de capacidade.

Como a penalidade é estruturada

A FERC afirmou que as empresas devem pagar uma multa civil de cerca de US$ 722 milhões e devolver cerca de US$ 410 milhões em supostos lucros indevidos, mais juros. Desse valor, cerca de US$ 407,7 milhões iriam para a PJM e cerca de US$ 2,1 milhões para a MISO. O total torna o caso notável mesmo em um setor em que disputas regulatórias já podem envolver cifras elevadas, porque a comissão vincula explicitamente a suposta conduta a custos mais altos para os consumidores e à interferência em mecanismos de confiabilidade.

A presidente Laura Swett disse que o suposto esquema “perturbou profundamente” os mercados organizados de capacidade e, em última instância, elevou os custos para os americanos comuns. Ela também afirmou que o esquema subverteu estruturas de mercado criadas para apoiar a confiabilidade durante períodos de estresse do sistema. Na prática, isso significa que a FERC apresenta o caso tanto como uma questão de proteção ao consumidor quanto de integridade da rede, e não apenas como uma divergência de conformidade sobre o desenho do programa.

A empresa rejeita as alegações

A American Efficient contesta as conclusões da comissão. Em um comunicado citado pela Utility Dive, a empresa disse que seguiu as regras da PJM, não violou a lei e não tentou enganar ninguém. Argumentou que a PJM analisou e aprovou sua participação com base em submissões detalhadas mais de 30 vezes ao longo de uma década. A empresa também disse que as alegações da FERC são infundadas e sem precedentes e que está confiante de que um tribunal federal discordará da agência.

Essa resposta aponta para a tensão central que provavelmente definirá a próxima fase do caso. De um lado está a visão da FERC de que aprovações e participação no mercado não legitimaram uma conduta que a comissão considera fundamentalmente enganosa. Do outro está a alegação da empresa de que a aceitação prolongada pelo mercado enfraquece a ideia de que ela estava praticando uma fraude evidente. Se o caso avançar mais no tribunal federal, a disputa poderá testar até que ponto as revisões anteriores dos operadores de mercado protegem participantes quando reguladores posteriormente concluem que as alegações subjacentes eram enganosas.

Por que o caso importa além de uma única empresa

A ordem chega em um momento em que os mercados de energia estão sob intenso escrutínio. Os mecanismos de capacidade foram criados para transformar necessidades futuras de confiabilidade em incentivos do presente. Eles só funcionam se os insumos forem críveis. Os recursos de eficiência energética podem ser especialmente difíceis de fiscalizar porque seu valor muitas vezes depende de contrafactuais: o que teria acontecido com a demanda de eletricidade sem um programa, produto ou intervenção. Esse desafio de medição é uma das razões pelas quais o caso pode repercutir muito além das empresas citadas na ordem.

A descrição da FERC sugere que a comissão quer enviar um alerta a qualquer participante de mercado que use afirmações de demanda difíceis de verificar como fonte de receita. A escala da penalidade reforça essa mensagem. Os reguladores parecem estar dizendo que, quando as supostas economias de eficiência não refletem reduções reais e adicionais, o dano se espalha por preços, contratação e planejamento do sistema. Isso torna os padrões de verificação, as obrigações de divulgação e a supervisão dos operadores de mercado mais do que detalhes técnicos. Eles passam a ser a diferença entre um mercado funcional e um que recompensa alegações infladas.

O caso também levanta questões para operadores regionais de rede. Se a American Efficient estiver correta ao afirmar que suas submissões foram revisadas repetidamente ao longo de muitos anos, os críticos podem perguntar por que os filtros de mercado não detectaram os supostos problemas mais cedo. Se a FERC estiver correta, os operadores podem enfrentar pressão para endurecer auditorias e validações de ofertas baseadas em eficiência, especialmente quando reduções projetadas de carga são difíceis de distinguir de comportamentos que teriam ocorrido de qualquer forma.

O que vem a seguir

Por ora, o valor principal vai atrair mais atenção, mas a importância mais ampla é estrutural. A FERC sustenta que fraude em um mercado de capacidade não é uma questão contábil sem vítimas. Na versão da comissão, ela pode aumentar custos, enfraquecer salvaguardas de confiabilidade e minar a confiança no próprio desenho do mercado. A American Efficient, por sua vez, sinaliza que pretende lutar e enquadrar o caso como abuso de poder.

Isso significa que a ordem provavelmente se tornará um ponto de referência importante para futuras ações de fiscalização sobre a participação de eficiência energética em mercados atacadistas. Seja as alegações da comissão mantidas em tribunal ou reduzidas por litígio, o caso já definiu um marco: reivindicações de desempenho que ficam na fronteira entre medição e verificação estão agora diretamente sob os holofotes da fiscalização.

Este artigo é baseado na cobertura da Utility Dive. Leia o artigo original.

Originally published on utilitydive.com