Uma disputa sobre transmissão na Nova Inglaterra chega à FERC
Uma batalha sobre como as concessionárias classificam projetos da rede está ganhando mais destaque na Nova Inglaterra. Defensores de consumidores de cinco estados pediram à Comissão Federal Reguladora de Energia que examine se a Eversource classificou indevidamente um esforço de transmissão no norte de New Hampshire, de cerca de US$ 385 milhões, como um projeto de gestão de ativos, uma designação que pode enfrentar menos escrutínio do que outros tipos de investimentos na rede.
No centro da denúncia está o projeto X-178 da Eversource, uma modernização de linha de 49 milhas e 115 kV. Os defensores argumentam que o trabalho não se enquadra no objetivo restrito das regras de gestão das condições dos ativos da ISO New England, que, segundo eles, se destinam a instalações que foram danificadas ou destruídas e que só deveriam ser restauradas a uma condição, caráter ou uso substancialmente iguais.
A Eversource rejeita essa leitura. A empresa diz que a denúncia se baseia em informações desatualizadas e interpreta mal as regras da ISO-NE, e pretende sustentar esse argumento em sua resposta à FERC.
Por que a classificação importa
A disputa vai além de rótulos. Na Nova Inglaterra, projetos de gestão de ativos geralmente são propostos por concessionárias para substituir infraestrutura envelhecida. Segundo a denúncia, esses projetos são analisados por um comitê consultivo, mas recebem pouca ou nenhuma análise sobre seus custos e fatores subjacentes. Isso torna a categoria especialmente sensível em um momento em que a acessibilidade da eletricidade é uma preocupação pública crescente.
Os defensores de consumidores dizem que essa dinâmica pode deixar os clientes expostos. Se um projeto com preço elevado for encaminhado por um processo com menos escrutínio, argumentam, reguladores e o público podem perder uma chance relevante de verificar se o investimento é necessário, se seu escopo se justifica e se existem alternativas de menor custo.
A denúncia conecta a disputa do X-178 a esse problema de política mais amplo: como garantir confiabilidade e renovação da infraestrutura sem permitir que a inflação de custos ou a supervisão fraca fiquem embutidas nas contas dos clientes.
O caso contra o X-178
O documento cita uma apresentação da Eversource de fevereiro de 2024 mencionada pelos defensores. Segundo a denúncia, menos de 10% das 594 estruturas da linha apresentavam algo além de defeitos mínimos. Esse número é central no argumento dos contestadores. Se a maior parte do sistema não está em condição grave, eles sustentam, então uma reconstrução ampla começa a parecer menos como reparo de instalações danificadas e mais como uma atualização de capital que deveria passar por uma revisão mais rigorosa.
A posição dos defensores não é simplesmente que concessionárias jamais devam substituir equipamentos envelhecidos. É que o caminho regulatório deve corresponder à natureza real do projeto. Em sua visão, o X-178 cruza essa linha.
Eles também tratam o caso como um precedente. Se um projeto grande e caro puder seguir adiante sob uma categoria criada para trabalhos de restauração mais limitados, projetos futuros semelhantes poderão seguir o mesmo caminho. Isso pode dificultar que defensores do consumidor contestem os custos antes de serem repassados aos contribuintes.
A resposta da Eversource e o que está em jogo
A Eversource não aceitou o enquadramento da denúncia. Sua resposta pública indica que a empresa acredita que os contestadores estão se apoiando em informações desatualizadas do projeto e interpretando mal as regras da ISO-NE para projetos de gestão de ativos. Isso sugere que a concessionária provavelmente argumentará que a base das condições, o escopo ou a justificativa de planejamento do projeto evoluíram além do que os críticos descrevem.
Mesmo assim, o caso evidencia uma tensão estrutural que atravessa a política da rede elétrica dos EUA. As concessionárias enfrentam pressão para modernizar ativos envelhecidos e manter a confiabilidade. Clientes e órgãos de fiscalização, por sua vez, estão cada vez mais atentos a se os gastos com a rede estão sendo suficientemente testados quanto à necessidade e ao valor.
Os investimentos em transmissão costumam ocupar um meio-termo difícil nesse debate. Os ativos são duradouros e críticos para a confiabilidade, mas também são caros, tecnicamente complexos e nem sempre fáceis de avaliar por terceiros. Isso torna as regras de classificação especialmente importantes. Elas determinam não apenas como os projetos são descritos, mas também quão profundamente são examinados.
Um teste regulatório para acessibilidade e confiança
O momento da denúncia importa. Em todo os Estados Unidos, reguladores e grupos de consumidores estão prestando mais atenção ao efeito dos planos de capital das concessionárias nas contas mensais. Nesse ambiente, até mesmo um único projeto pode se tornar um proxy para uma questão muito maior: se os atuais marcos de planejamento e revisão dão às concessionárias liberdade demais sobre investimentos locais em transmissão.
Para a Nova Inglaterra, o caso X-178 pode se tornar um teste de até onde a FERC está disposta a ir ao examinar classificações de projetos de concessionárias quando defensores do consumidor alegam uma incompatibilidade entre as regras e a realidade. Se a comissão levar a denúncia a sério, poderá aumentar as expectativas sobre o que se qualifica como trabalho de gestão de ativos. Se não o fizer, críticos podem argumentar que o sistema de revisão da região ainda deixa espaço demais para que projetos caros avancem sem contestação robusta.
De qualquer forma, a denúncia ressalta como a política de transmissão está cada vez mais inseparável da política de acessibilidade. A confiabilidade continua sendo a justificativa formal, mas a pergunta prática para os reguladores é se os procedimentos usados para proteger a rede também estão protegendo os clientes.
- A denúncia foi apresentada por defensores de consumidores de cinco estados da Nova Inglaterra.
- O projeto contestado da Eversource está avaliado em cerca de US$ 385 milhões.
- O caso gira em torno de saber se o trabalho se enquadra nas regras de gestão das condições dos ativos da ISO New England.
- A Eversource afirma que a denúncia se baseia em informações desatualizadas e interpreta mal essas regras.
Este artigo é baseado em reportagem da Utility Dive. Leia o artigo original.
Originally published on utilitydive.com




