Connecticut contesta um incentivo de transmissão de longa data

O procurador-geral de Connecticut e outras agências estaduais pediram à Comissão Federal de Regulação de Energia que elimine um adder de 0,5% ao retorno sobre o patrimônio líquido que as concessionárias Eversource e Avangrid recebem por participar do ISO New England. O argumento é simples: como a lei estadual agora exige que essas concessionárias permaneçam no operador regional da rede, sua participação deixou de ser voluntária e, portanto, não deveria se qualificar para um incentivo criado para recompensar a adesão voluntária.

A queixa, protocolada em 11 de junho segundo a Utility Dive, mira um elemento familiar da regulação de transmissão nos Estados Unidos com implicações além de Connecticut. Ela levanta uma questão mais ampla sobre se incentivos financeiros legados ainda fazem sentido quando o comportamento que pretendiam estimular se torna obrigatório.

Para os consumidores, o tema pode parecer técnico. Na prática, trata-se de saber se os clientes devem continuar pagando retornos extras sobre investimentos de transmissão das concessionárias quando a base legal desse bônus mudou.

O que o adder de RTO deve fazer

A FERC há muito oferece um conjunto de incentivos destinados a estimular o desenvolvimento da transmissão. Um deles é o chamado adder de RTO, um retorno adicional de 0,5% sobre o patrimônio líquido para concessionárias que participam voluntariamente de uma organização regional de transmissão ou de um operador independente do sistema. A lógica é que concessionárias que abrem mão de parte de sua independência operacional para aderir a estruturas de mercado regionais mais amplas devem receber compensação por isso.

Connecticut diz que essa lógica já não se aplica aqui. Uma lei estadual de 2025 exige que a Connecticut Light & Power e a The United Illuminating Co. participem do ISO New England, segundo a queixa. Se a participação é imposta por lei, argumenta o estado, ela não pode ser tratada de forma razoável como voluntária para fins de receber o retorno extra.

A queixa, portanto, se apoia em um ponto estreito, mas poderoso: um incentivo ligado a uma conduta voluntária deve acabar quando essa conduta deixa de ser uma escolha.

Por que isso se encaixa em uma tendência nacional

O pedido também acompanha uma reação mais ampla contra incentivos de transmissão que muitos defensores dos consumidores dizem aumentar desnecessariamente os custos para os clientes. A Utility Dive observa que o ex-presidente da FERC Mark Christie, defensores dos consumidores e outros buscaram conter esses benefícios.

Desdobramentos legais e regulatórios recentes fortalecem o caso de Connecticut. O artigo aponta que estados como Califórnia, Ohio e Maryland exigem que proprietários de transmissão ingressem em um RTO ou ISO, tornando-os inelegíveis para o adder. Também cita uma decisão importante de um tribunal federal de apelações, de janeiro de 2025, ordenando que a FERC remova o adder para concessionárias de Ohio.

Esse precedente é importante porque sugere que o debate deixou de ser teórico. Os tribunais já mostraram disposição para rejeitar o uso continuado do adder quando mandatos estaduais eliminam o elemento de voluntariedade.

Em Ohio, o Office of the Ohio Consumers’ Counsel disse que a decisão deveria economizar US$ 220 milhões para clientes da American Electric Power até 2050. O pedido de Connecticut não cita economias dessa escala, mas a direção é semelhante: reguladores e defensores estão cada vez mais examinando se os incentivos de transmissão ainda se justificam quando as estruturas de mercado amadurecem.

Electric power lines run through woods.
Uma linha de energia de 345 kV da Eversource Energy em Brookfield, Connecticut. O procurador-geral de Connecticut e outras agências estaduais, em 11 de junho de 2026, pediram à Comissão Federal de Regulação de Energia que elimine um adder de retorno sobre o patrimônio líquido que as concessionárias da Eversource Energy e da Avangrid recebem por fazer parte do ISO New England. A imagem de Liam Enea está licenciada sob CC BY-SA 2.0

A posição da concessionária

A Eversource, por sua vez, defendeu o valor do investimento em transmissão. Um porta-voz da empresa disse à Utility Dive que investimentos estratégicos contínuos no sistema de transmissão ajudaram a eliminar custos substanciais de congestionamento e proporcionaram aos clientes bilhões de dólares em economias nos últimos anos.

Esse argumento não deve ser descartado. O gasto em transmissão pode reduzir custos ao melhorar o acesso à geração e diminuir gargalos. A disputa aqui não é se a transmissão importa. É se um prêmio específico sobre os retornos da concessionária ainda é justificável.

A Eversource também disse que a retirada do adder economizaria ao cliente residencial médio cerca de 9 centavos por mês. Esse número funciona nos dois sentidos. Por um lado, sugere que o impacto mensal imediato nas contas individuais é modesto. Por outro, mostra como muitos debates sobre custos de transmissão envolvem valores pequenos por cliente que se tornam grandes quando acumulados ao longo dos anos e das áreas de atendimento.

O que a FERC precisará decidir

A comissão foi solicitada a responder a uma questão jurídica e de política pública específica: um mandato estadual para participar do ISO New England anula a justificativa de um incentivo reservado à participação voluntária?

Sua decisão importará por várias razões:

  • Vai esclarecer como a FERC aplica incentivos de transmissão quando a lei estadual muda as condições subjacentes.
  • Pode influenciar contestações semelhantes em outras regiões.
  • Pode afetar a forma como concessionárias e reguladores pensam sobre a recuperação futura de custos de transmissão.
  • Vai sinalizar quão agressivamente a comissão está disposta a rever estruturas de incentivo mais antigas.

Esta não é uma disputa sobre se a rede precisa de investimento. É uma disputa sobre quanto retorno extra as concessionárias devem receber e em que circunstâncias. Essa distinção é crucial porque a política de transmissão está cada vez mais na interseção entre confiabilidade, descarbonização e acessibilidade de custos.

Um pequeno caso tarifário com um significado político maior

À primeira vista, a queixa de Connecticut pode parecer uma disputa contábil estreita sobre meio ponto percentual. Na realidade, ela reflete um redesenho regulatório maior. À medida que as estruturas regionais de transmissão se consolidam e se tornam obrigatórias em alguns estados, os incentivos criados para encorajar a participação voluntária ficam mais difíceis de defender política, jurídica e economicamente.

Isso não significa que todo incentivo às concessionárias seja obsoleto. Significa que os reguladores estão sob pressão crescente para provar que esses adders ainda correspondem a riscos reais, compensações ou benefícios públicos. Se não o fizerem, os defensores dos consumidores argumentarão cada vez mais que os clientes estão financiando bônus por comportamentos que as concessionárias já não têm a opção de evitar.

Por isso, a decisão da FERC no caso de Connecticut será acompanhada muito além da Nova Inglaterra. Ela mostrará se a comissão vê esses incentivos como ferramentas duráveis para apoiar a expansão da transmissão, ou como políticas que precisam ser apertadas quando as condições mudam. Em uma era de crescentes necessidades de infraestrutura e maior sensibilidade dos clientes a custos, essa distinção está se tornando central para a forma como o setor elétrico equilibra investimento e responsabilização.

Este artigo é baseado na reportagem da Utility Dive. Leia o artigo original.

Originally published on utilitydive.com