A Wizards está transformando 2027 em uma campanha multiversal de um ano inteiro

A Wizards of the Coast apresentou seu roteiro de 2027 para Magic: The Gathering, e o recado principal é claro: a editora quer que o próximo ano do jogo seja conectado por escala, viagem e ambientação. Segundo o plano anunciado, 2027 girará em torno do “Magic Multiverse”, reunindo três sets nomeados dentro do universo, três lançamentos de Universes Beyond ainda não anunciados e quatro eventos MagicCon distribuídos pela América do Norte, Ásia e Europa.

Roteiros são comuns em jogos vivos e de cartas colecionáveis, mas este se destaca porque coloca a construção de mundo em primeiro plano. Em vez de apresentar 2027 como uma sequência solta de produtos independentes, a Wizards está enquadrando o ano como uma jornada estendida por diferentes planos, estéticas e fantasias de jogo. O plano vai de reinos submersos a monstros gigantes e mechas, até um plano afrofuturista movido por cinco sóis.

O anúncio também sugere que a empresa vê o multiverso não apenas como lore, mas como arquitetura de lançamentos. Magic pode transitar entre tons, gêneros e identidades visuais sem abandonar a marca guarda-chuva. Essa flexibilidade sempre foi uma das forças do jogo. Em 2027, a Wizards parece pronta para transformá-la no princípio organizador.

Os três grandes sets do universo

Nauctis: The Sunken Realm chega primeiro em 5 de fevereiro

A programação de 2027 começa com Nauctis: The Sunken Realm em 5 de fevereiro. A Wizards o descreve como o primeiro set do jogo dedicado a um plano aquático. A proposta gira em torno de um grupo que tenta impedir uma guerra entre dois reinos rivais, enquanto o próprio mundo é apresentado como um lugar rico em salmoura, aventura e criaturas que vivem muito abaixo da superfície.

Isso importa porque Magic há muito explora imagens oceânicas, monstros marinhos e temas de mana azul, mas um plano inteiro construído em torno de um mundo submerso dá à Wizards espaço para fazer da água a premissa definidora, e não apenas um pano de fundo. Com base na descrição do roteiro, Nauctis se posiciona tanto como um novo cenário quanto como uma expansão temática para um território que o jogo ainda não havia tratado como destino próprio em escala total.

Kamigawa: Titanbreach vem na sequência em 4 de junho

O lançamento do meio do ano é Kamigawa: Titanbreach, previsto para 4 de junho. O set retorna a Towashi, a cidade neon moderna de Kamigawa, mas acrescenta uma colisão com outro plano: um pedaço de Ikoria cai na cidade, trazendo consigo monstros gigantes. A Wizards diz que o resultado será um Magic em uma escala que os jogadores ainda não viram.

O conceito criativo é explícito. Os habitantes de Kamigawa vão enfrentar as criaturas de Ikoria com mechas feitos pelo homem, transformando o set em uma mistura de futurismo urbano, destruição kaiju e defesa engenheirada. Mesmo pela breve descrição disponível até agora, Titanbreach parece a entrada mais abertamente cinematográfica do roteiro. Também é o set que mais claramente se apoia na capacidade de Magic de unir mundos já estabelecidos em um único espetáculo.

Para a Wizards, essa abordagem faz mais do que criar novidade. Ela aproveita o vínculo dos jogadores com planos conhecidos e, ao mesmo tempo, dá à empresa um motivo para elevar a escala. Voltar apenas a Kamigawa seria familiar. Jogar Ikoria no meio disso cria um evento.

Zhalfir encerra o arco do universo em 1º de outubro

O último set do multiverso chega em 1º de outubro com Zhalfir. A descrição de origem apresenta o plano como um mundo afrofuturista que agora existe como seu próprio plano e substituiu o plano metálico Mirrofin. Ele é alimentado por cinco sóis e nunca entra na noite.

Magic 2027 Hed
© Wizards of the Coast

O retorno do cronomante Teferi Akosa é central para o enquadramento do set. A Wizards afirma que novos jogadores encontrarão formas inovadoras de magia, além de cartas “de arrebentar a mente”. Igualmente importante é a intenção declarada da empresa de honrar o legado de Zhalfir em todos os aspectos do set.

Essa formulação aponta para um desafio mais amplo que se tornou cada vez mais importante para franquias de fantasia de longa duração: como revisitar ou expandir cenários culturalmente codificados de maneiras que pareçam intencionais, e não superficiais. O roteiro ainda não traz detalhes mecânicos, mas deixa claro que Zhalfir é mais do que uma localização genérica. Ele está sendo posicionado como um mundo importante, com identidade estética e narrativa definida.

Universes Beyond e o circuito de eventos preenchem os intervalos

Entre esses três lançamentos principais, a Wizards planeja publicar três sets de Universes Beyond ainda não anunciados em 9 de abril, 6 de agosto e 19 de novembro. Mesmo sem títulos, o posicionamento no calendário é significativo. Ele cria uma cadência em que colaborações entre marcas alternam com lançamentos centrais do multiverso, mantendo o ano ativo sem longos períodos de silêncio entre estreias.

Essa estrutura alternada reflete o formato atual do negócio de Magic. O jogo já não vive apenas dentro da sua ficção original. Universes Beyond se tornou um canal importante de crescimento, trazendo propriedades intelectuais externas para o arcabouço de cartas de Magic. Ao espaçar esses sets entre lançamentos de planos originais, a Wizards consegue atender a dois públicos ao mesmo tempo: os jogadores investidos nos mundos próprios de Magic e os atraídos por eventos crossover.

A empresa também está conectando o ano de lançamentos a uma agenda global presencial. Os eventos MagicCon estão planejados para Detroit de 26 a 28 de fevereiro, Tóquio de 14 a 16 de maio, Las Vegas de 27 a 29 de agosto e Amsterdã de 3 a 5 de dezembro. Essas paradas ajudam a transformar o roteiro de um calendário de produto em um calendário de comunidade.

Para um jogo com uma cultura forte de convenções e jogo organizado, isso importa. Um roteiro pode criar expectativa, mas eventos físicos criam marcos onde revelações, prévias e engajamento de fãs podem se concentrar. A distribuição geográfica também mostra que a Wizards continua tratando Magic como uma marca global ao vivo, e não apenas como uma linha de produto de varejo.

O que o roteiro diz sobre a estratégia atual de Magic

Ainda faltam muitos detalhes. A Wizards diz que mais informações sobre os três sets nomeados virão mais perto de seus lançamentos, e os títulos de Universes Beyond continuam desconhecidos. Mas a estratégia geral já está visível. Magic está usando seu multiverso como um framework capaz de absorver direções criativas muito diferentes sem perder coerência: política subaquática, guerra tecnológica contra monstros, magia afrofuturista e propriedades crossover podem todas caber no mesmo plano anual.

O roteiro de 2027 também amplia o impulso que já vem se formando em 2026. Antes do próximo ano começar, a Wizards ainda tem

Reality Fracture agendado para 2 de outubro e um set de

The Hobbit marcado para 14 de agosto. Isso significa que a empresa está conectando um ciclo de lançamentos ao seguinte, em vez de tratá-los como ciclos isolados.

Para os jogadores, a conclusão imediata é volume, variedade e uma sensação deliberada de progressão. Para a Wizards, o roteiro é uma declaração de que o futuro de Magic não está em estreitar sua identidade, mas em ampliá-la. O multiverso já não é apenas pano de fundo. Ele é o motor do produto.

Este artigo é baseado na cobertura do Gizmodo. Leia o artigo original.

Originally published on gizmodo.com